“Frozen – Uma Aventura Congelante”: parece com “Enrolados”, mas a história é melhor

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A Disney fez sua fama com contos de fadas, mas viu essas histórias perderem espaço para os roteiros das animações modernas que prezam pelas piadas acima de tudo. O fracasso de “A Princesa e o Sapo” (2009) foi preocupante, e obrigou o estúdio a repensar sua manteira de encarar esses clássicos.
“Enrolados” (2011) mostra isso claramente. A mudança do título (que antes era  o correto, “Rapunzel”) foi para descaracterizar a ideia de “filme de menina”, assim como a forte inclusão de comédia pastelão, para tornar tudo mais facilmente digerível. Funcionou, e o filme foi um sucesso. Era óbvio que “Frozen – Uma Aventura Congelante” beberia desta fonte.

As semelhanças dos dois filmes são muitas. As protagonistas, Rapunzel (de “Enrolados”) e Anna (de Frozen) até se parecem fisicamente. O visual e o roteiro açucarado também são semelhantes. Maaaas, há elementos muito bons em “Frozen” que o fazem ir além de “Enrolados”.


FROZEN


A história é quase nova

“Frozen” se baseia no conto de Hans Christian Andersen “A Rainha da Neve”, publicado em 1844. A principal característica do autor foi a de sempre escrever histórias extremamente dramáticas, como “A Pequena Sereia” (que na verdade morre no fim!) ou “A Pequena Vendedora de Fósforos”. Claro que a Disney sempre muda tudo.

No conto “A Rainha da Neve” há um menino e uma menina, irmãos, e o garoto é enfeitiçado por cacos de um espelho mágico e levado para viver no castelo da Rainha da Neve. Sua irmã vai procurá-lo, e o amor dos dois desfaz toda a magia. Eu resumi muuuito, tá? Só pra vocês entenderem a mudança drástica no roteiro do filme: agora temos Anna e Elsa, duas irmãs princesas do reino de Arandelle. Elsa tem o estranho poder de congelar tudo, e não consegue controla-lo por estar ligado às suas emoções. Por isso ela é isolada do mundo e separada de sua irmã, mas quando seus pais morrem ela precisa assumir o trono. Ao descobrirem seus poderes, Elsa é vista como uma aberração e foge, assumindo sua verdadeira condição (a de Rainha da Neve) e colocando o reino todo em um terrível inverno.

Sim, temos drama aqui. E dos bons. O conflito entre as irmãs é muito bem construído e conduz o filme todo. A relação delas move a história, prende a plateia e pode arrancar algumas lagrimas dos mais sensíveis (tipo eu, me deixa).

"FROZEN" (Pictured) ELSA. ©2013 Disney. All Rights Reserved.


As protagonistas e as músicas são a melhor parte

“Frozen” não é um filme impecável. Há (várias) cenas mal resolvidas e (vários) personagens fracos, mal construídos ou até mesmo mal desenhados. Mas o que a Disney faz bem, arrasa. As protagonistas são perfeitas. Anna é divertida, carismática e suas piadas funcionam. Elsa poderia ter sua personalidade mais explorada (e poderia ser mais má), mas tem um visual deslumbrante, digno do auge do estúdio. O mascote do filme também é incrível: Olaf, um boneco de neve que não sabe nada do mundo, fica ainda mais engraçado com a dublagem de Fábio Porchat.

"FROZEN" (Pictured) OLAF. ©2013 Disney. All Rights Reserved.

A trilha sonora de “Frozen” é outro ponto alto. O estúdio segue sendo o único que continua usando música para contar ainda melhor a história, e construir uma relação afetiva entre o público e as personagens. Os responsáveis são Robert Lopez, que escreveu musicais na Broadway de grande sucesso, como “Avenue Q” e “Book of Mormon”, e sua esposa, Kristen Anderson-Lopez. Canções como “Do You Want to Build a Snowman” e “Let it Go” são excelentes, e muito bem traduzidas para o português.

Dá pra ver aqui a cena original de “Let it Go”, cantada por Idina Menzel, diva da Broadway, e também conhecida por “Glee” e “Encantada”.
“Frozen – Uma Aventura Congelante” estreia dia 3 de janeiro aqui no Brasil, em 3D.

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