Historia

George Stinney: O mais jovem condenado à pena de morte nos Estados Unidos

14:16

George Stinney foi a pessoa mais jovem até hoje a ser condenada à pena de morte nos Estados Unidos, tudo isso aconteceu na Carolina do Sul em 1944 quando ele tinha apenas 14 anos de idade. Vamos conhecer mais sobre esta triste história?

George Junius Stinney Jr. nasceu em 21 de outubro de 1929 em Alcolu, na Carolina do Norte onde morava com seu pai Feorge Stinney, sua mãe Aime e seus irmãos John, Charles, Katherine e Aime. Seu pai trabalhava em uma serraria para garantir o sustento da família que morava em uma casa fornecida por seu patrão. A cidade de Alcolu era conhecida por ser uma pequena cidade de trabalho onde na área residencial a comunidade negra era obrigada a viver separada da comunidade branca devido as Leis de Jim Crow. Isto era algo típico de várias cidades do sul dos Estados Unidos onde haviam escolas, igrejas, hotéis e diversos locais que eram divididos por força da lei.


O crime

Foi em 23 de março de 1944 que duas meninas chamadas Betty June Binnicker (11 anos) e Maria Emma Thames (8 anos) estavam andando pela cidade de bicicleta enquanto procuravam flores. Foi neste momento que elas passaram pela casa da família de Stinney onde perguntaram ao jovem e sua irmã Katherine se eles sabiam onde encontrar as flores-da-paixão. Depois disto, as duas meninas não foram mais vistas, o que movimentou um grande grupo de busca com mais de 100 voluntários que, no final, encontraram as duas crianças na manhã seguinte em uma vala com água e lama. Elas foram mortas através de graves pancadas na cabeça.
Imediatamente Stinney foi preso e levado a interrogatório que foi realizado por inúmeros oficiais em uma sala trancada sem testemunhas. Após uma hora, Stinney teria confessado o crime dizendo que teria tentado abusar sexualmente de Betty enquanto ela buscada por flores e após perder a paciência quando a amiga menor tentou salva-la, Stinney teria batido em ambas com uma barra de ferro e as jogado em um buraco de lama. Segundo os policiais, o jovem teria matado as duas ao mesmo tempo ao rachar seus crânios. Já no dia seguinte foram feitas acusações de assassinato em primeiro grau contra o jovem, devido a acusação seu pai foi demitido e obrigado a se mudar para evitar represálias.

Contradições

Mais tarde, descobriu-se que a arma do crime – a dita barra de metal – teria mais de 9,7 kg enquanto Stinney seria um garotinho que pesava apenas 40 quilos e que seria incapaz de ter força suficiente para erguer a barra e assassinar as duas meninas ao mesmo tempo. Fora o fato dos policiais que teriam feito o interrogatório estarem apresentando informações conflitantes sem quaisquer evidências que corroborasse as histórias ditas.
O caso foi levado a julgamento no dia 24 de abril no tribunal do condado de Clarendon que começou às 12h30 e foi terminado às 17h30. O júri, composto apenas por homens brancos, precisou apenas de 10 minutos para julgar o jovem negro Stinney como culpado. O veredito? Morte na cadeira elétrica. O advogado de Stinney chamado Charles Plowden que foi apontado pelo estado não apresentou nenhum contra-argumento, não convocou testemunhas e muito menos recorreu a sentença em uma época onde pessoas com mais de 14 anos eram (e são até hoje) tratadas como adultas perante a lei.



A execução

A execução de George Stinney, o pequeno jovem negro de apenas 14 anos, ocorreu em 16 de junho de 1944. Ele foi levado ao complexo correcional de Colúmbia na Carolina do Sul onde às 19h30, caminhou até a cadeira elétrica com a Bíblia embaixo de seu braço. Como o equipamento não havia sido feito para ser usado em uma criança, ao ser atingido pela primeira onda de eletricidade de 2.400 volts a máscara usada na execução da criança caiu e expôs seu rosto sendo queimado. Foram necessários 4 minutos e três descargas elétricas para que o pequeno fosse considerado morto oficialmente.
Em 17 de dezembro de 2014, 70 anos após sua execução, a Justiça dos Estados Unidos por meio da juíza Carmen Mullen realizou a anulação da condenação de George Stinney porque “o Tribunal da Carolina do Sul falhou em garantir um julgamento justo em 1944”. Isso judicialmente torna Stinney apenas um suspeito devido a falta de um novo julgamento para provar ou não sua culpa. Já parou para pensar o quão cruel foi a justiça neste caso? Tirando a vida de uma pobre criança que tinha muito o que ver ainda por um crime que não haviam nem provas de que havia cometido? Triste, muito triste.

Ciência

Cientistas descobrem doença que dizimou população asteca após cinco séculos de mistério

15:13


Foi em 1545 que iniciou-se a dizimação completa da população asteca. Diversas pessoas começaram a adoecer, tendo febre, dores de cabeça, sangramento nos olhos, boca e nariz, morrendo poucos dias após o surgimento dos sintomas.
Em apenas cinco anos, 15 milhões de pessoas morreram dessa forma, cerca de 80% da população, em uma epidemia violenta que causou o desaparecimento dos astecas e foi chamada de “cocoliztli“. Na língua asteca nahuati, a palavra significa “peste”.
Ninguém sabia, porém, o que havia causado a chegada dessa doença, pelo menos não até o Instituto Max Planck, da Universidade de Harvard (EUA) e do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, descobrirem indícios de uma resposta.
Em um estudo publicado nesta segunda-feira (15) na revista Nature, Ecology & Evolution, os pesquisadores apontaram como possível causa a febre entérica, gerada por uma bactéria salmonela trazida pelos europeus.
 “A ‘cocoliztli’ de 1545-50 foi uma das muitas epidemias que atingiu o México após a chegada dos europeus, mas foi especificamente a segunda das três epidemias mais devastadoras e que levou ao maior número de mortes de seres humanos”, afirmou Ashild Vagene, do Instituto Max Planck e da Universidade de Tübingen, na Alemanha.
Coautora do estudo, a pesquisadora diz que os cientistas puderam fornecer as provas diretas da causa da epidemia usando DNA antigo.
“Pela introdução de uma nova ferramenta de análise metagenômica chamada Malt, aplicada aqui para buscar traços de DNA patogênico antigo, fomos capazes de identificar [a bactéria] Salmonella enterica em indivíduos enterrados num cemitério (…) em Teposcolula-Yucundaa, Oaxaca, no sul do México”, diz o texto introdutório da pesquisa.
 “Com base em evidências históricas e arqueológicas, esse cemitério [é o único que] tem ligação com a epidemia de 1545-1550, que afetou amplas áreas do México”, completa.
Foram analisados o 29 esqueletos enterrados no local, com profundo estudo de seus DNA. 10 deles apresentaram variedades Paratyphi C da bactéria, que causa febre entérica, da qual a febre tifoide é um exemplo. O subtipo mexicano praticamente não causa mais infecções em humanos hoje em dia.
A febre entérica, porém, ainda é tratada como ameaça ao mundo todo. Estima-se que ela tenha feito ao menos 27 milhões de vítimas em todo o planeta no ano 2000. Os sintomas são febres elevadas, desidratação e complicações gastrointestinais.
Investigadora do Instituto Max Planck, Kirsten Bos destacou que a descoberta é um “avanço essencial” porque apresenta um novo método para estudo das enfermidades do passado. Segundo os cientistas, até agora era difícil determinar as causas de doenças na maioria dos casos de epidemias históricas estudadas.
“Em alguns casos, por exemplo, os sintomas causados por infecções de distintas bactérias ou vírus podem ser muito parecidos, ou os sintomas apresentados por certas doenças podem ter mudado nos últimos 500 anos”, dizem os pesquisadores.
De acordo com eles, diversas variedades da salmonela são propagadas através de água ou comida e podem ter sido transportada até o México pelos cachorros dos espanhóis, uma vez que já é conhecido o fato da Salmonella enterica ter existido na Europa durante a Idade Média.
No estudo, a Salmonella enterica foi o único germe detectado, mas é possível que haja outros que não foram descobertos e que podem ter contribuído para a dizimação dos astecas.
A “cocoliztli” é considerada uma das epidemias mais letais da História humana, aproximando-se da peste bubônica, que, no século 14, matou 25 milhões de pessoas na Europa ocidental.

Historia

Como eram os rituais de necromancia?

14:51

Cerimônia para trazer os mortos de volta na Grécia antiga incluía sacrifícios de animais e o cozimento de pedaços do cadáver humano...


As técnicas para invocar os mortos envolviam comida podre e até canibalismo.Necromancia vem das palavras gregas nekrós (“cadáver”) e manteía (“profecia”). Os gregos, de fato, ficaram famosos por usar os oráculos para trazer de volta quem já havia partido. O espírito invocado não volta à vida para sempre: ele só aparece temporariamente para responder a algumas perguntas, e dificilmente retorna uma segunda vez.
Existem diferentes maneiras de fazer esse contato – algumas incluem comer parte do cadáver. A conversa com os mortos nem sempre ajudava muito: eles não ficam mais sábios só porque partiram para outro mundo espiritual. Mesmo assim, as sacerdotisas (geralmente mulheres) eram procuradas por pessoas dispostas a matar a saudade, pedir informações ou usar espíritos como armas letais.

SEXTO SENTIDO

Veja o passo a passo do ritual realizado pelos gregos para entrar em contato com os mortos.
Só para os fortes
Todo ritual tem o objetivo de criar uma armadilha para os espíritos – em geral, eles não estão interessados em visitar o nosso plano de existência. Para se preparar, a sacerdotisa passa dias sem sexo, sem comer carne e sem ingerir álcool. Ela vive à base de comida estragada e usa roupas do falecido. Para ter contato com a morte, a sacerdotisa cozinha pedaços do cadáver e toma o caldo da panela. Usando magia negra, a sacerdotisa também pode substituir o próprio olho pelo olho do morto para enxergar tudo o que ele vê
Papo reto
Quando o espírito se aproxima, a sacerdotisa entra em transe. Ela pode falar com a voz do morto ou repassar as perguntas dos clientes ao falecido e ouvir as respostas em sua cabeça. O contato dura apenas alguns minutos, por isso é importante que a conversa seja objetiva.
Tentativa e erro
Durante o ritual, a sacerdotisa e os convidados devem ficar dentro de um círculo traçado no chão e não devem sair nem para ir ao banheiro. O tempo-limite é o amanhecer. Se nada acontecer até lá, a linha é desfeita e o grupo pode se encontrar na noite seguinte e recomeçar.
Vá para a luz
Acender uma fogueira à meia-noite atrai almas penadas – melhor ainda se o local for bem escuro, como um bosque, uma caverna ou uma encruzilhada afastada. Se a noite estiver enevoada, mais chances de o espírito se manifestar, já que ele não vai precisar se mostrar demais. Quanto mais tempo se passa após a morte, fica mais difícil encontrar a alma, que já pode estar longe.
Corte no pescoço
O sangue é um elemento-chave. Os clientes levam animais (galinhas e ovelhas) para serem sacrificados na hora. A garganta é cortada e o líquido deve escorrer na terra dentro do círculo. A matança rola ao som de canções que evocam o espírito a se manifestar
Informante
O morto pode ser usado como uma arma para atormentar e até matar pessoas. Mas é mais comum que ele seja solicitado para uma conversa sobre assuntos do passado ou do futuro. Como o espírito vive em um espaço-tempo diferente, ele poderia ver além do nosso tempo
Chantagem zumbi
Na variação do ritual, um círculo é traçado em torno da cova, o corpo é exumado e os órgãos vitais são retirados. A sacerdotisa invoca o espírito, ameaçando deixar o cadáver largado. A alma volta ao corpo, mesmo em decomposição, para cumprir o que lhe foi pedido

Ingredientes macabros



Os elementos usados nos rituais de necromancia
1) Comida podre: Pão apodrecido, suco de uva velho e frutas estragadas devem ser consumidos antes de começar o ritual
2) Carne de cachorro: O animal é considerado o guardião de Hecate, a deusa grega dos mortos
3) Pedaço de cadáver: Ajuda a contatar o morto. Também podem ser usadas partes de outros corpos
4) Talismãs: Símbolos dos antigos gregos têm ligação com antigos rituais de necromancia dos tempos de Homero
5) Bastão cerimonial: Para traçar o círculo em torno dos participantes. Pode ser batido no chão para atrair o espírito
6) Roupas: Para facilitar o contato, a sacerdotisa veste peças e usa joias do falecido durante vários dias
7) Velas: Assim como a fogueira, ajudam a conduzir o morto para o caminho certo
8) Incensos: O fogo perfumado com ervas aromáticas atrai a alma para mais perto

FONTES Livros Raising Hell: A Concise History of the Black Arts and Those Who Dared to Practice Them, de Robert Masello; Greek and Roman Necromancy, de Daniel Ogden

Historia

O que é o Manuscrito Voynich?

11:11

Esse tomo misterioso, que acredita-se ter cerca de 600 anos, foi escrito numa língua misteriosa que ninguém conseguiu traduzir.



É um livro ilustrado com 204 páginas e recheado de um conteúdo incompreensível. Apesar do nome, o autor ainda é desconhecido. “Voynich” é o sobrenome do livreiro Wilfrid Michael Voynich, que, em 1912, adquiriu o manuscrito no interior da Itália. Após sua morte, o item foi parar na Universidade Yale, EUA, onde é estudado até hoje. Pelos cálculos feitos com testes de carbono 14, acredita-se que o livro tenha sido escrito há cerca de 600 anos. No entanto, até hoje nenhuma palavra dele foi desvendada, já que os caracteres do texto não correspondem a nenhum padrão de língua natural. Apesar disso, estudiosos acreditam que o livro seja um compilado de saberes medicinais que, por poderem ser confundidos com bruxaria pela Santa Inquisição, tiveram que ser codificados. A alta qualidade dos pigmentos minerais e do pergaminho também reforça a tese de que o manuscrito poderia guardar um conhecimento precioso.

Antes de ser comprado por Voynich, especuladores acreditam que o livro tenha passado por diversos outros donos. Uma teoria dizia que o livro foi uma fraude do mago e astrólogo inglês Edward Kelley para enganar o rei Rodolfo II do Sacro Império Romano-Germânico, que sofria de depressão e era entusiasta das pesquisas medicinais. Outras correntes acreditavam que os desenhos teriam sido feitos por Leonardo da Vinci em sua infância. Com a datação do carbono 14, as duas hipóteses foram descartadas, já que sugeriam cenários em épocas diferentes daquela da origem do livro.
Em setembro de 2017, o historiador Nicholas Gibbs publicou um artigo dizendo ter desvendado o manuscrito: ele seria um guia de saúde feminina e as palavras estranhas seriam abreviações. No entanto, medievalistas apontaram erros e refutaram a “solução”, mantendo o mistério.

O que tem dentro

Mesmo com o texto codificado, os desenhos ajudam a dividir o livro em seções
Parte 1 – Botânica

A primeira parte do livro traz desenhos de 113 plantas diferentes – nenhuma correspondente a uma espécie real. Os detalhes, quase sempre fora de proporção, às vezes lembram vagamente partes da anatomia humana. O autor possivelmente descreve nesse bloco os usos dessas plantas e os locais onde poderiam ser encontradas
Parte 2 – Astronômica

Com 25 diagramas que parecem se referir a estrelas e signos, as páginas desse capítulo trazem desenhos do zodíaco representados com muitos detalhes. Na Idade Média, o tratamento com ervas envolvia alguma compreensão astrológica, por isso pesquisadores desconfiam que os capítulos de botânica e astronomia possam estar inter-relacionados de alguma forma.
Parte 3 – Biológica

É considerada a parte mais misteriosa do livro. Aqui o autor desenha exclusivamente figuras femininas, quase sempre imersas até os joelhos em estranhos vasos interligados contendo um fluido escuro ou água limpa. Enquanto uma vertente de pesquisadores acredita que se trate de desenhos sobre alquimia, outra imagina que o capítulo traga receitas para banhos de cura
Parte 4 – Farmacológica

No último capítulo ilustrado, o livro traz imagens de ampolas e frascos com formas semelhantes às dos recipientes das farmácias antigas. Nessa seção há ainda desenhos de plantas e raízes, possivelmente ervas medicinais. Outras ilustrações parecem apoiar a ideia de que se trata de um capítulo dedicado à farmacologia, com receitas de medicamentos
Parte 5 – Índice

A última seção do Manuscrito Voynich tem início na página 103 e prossegue até o fim sem que haja mais nenhuma imagem, exceto estrelinhas ou pequenas flores no final de alguns parágrafos. Essas marcações fazem crer que se trata de algum tipo de índice que remeta os leitores aos demais capítulos do manuscrito
De onde veio?

Um desenho do livro traz uma representação realista de uma cidade com suas muralhas decoradas com torres em forma de cauda de andorinha. Isso levou a teorias sobre o local de origem do item. Apenas no norte da Itália poderiam ter sido encontradas torres com esse tipo de decoração dentro da data estipulada pelas medições de carbono 14.

FONTES Tese What We Know About the Voynich Manuscript, de Sravana Reddy e Kevin Knight, documentário The Voynich Manuscript,(BBC), revista Scientific American e sites voynich.nu e voynichportal.com

Historia

O conto grego em que Zeus matou a humanidade com um dilúvio

10:48

A vez em que Zeus e Poseidon decidiram punir a humanidade.



1. A palavra “apocalipse” (apokalypsis) vem do grego e quer dizer “revelação”. Posteriormente, a expressão deu título ao livro no qual o apóstolo João relata a revelação que teria tido sobre os últimos dias do mundo. Com a expansão do cristianismo e várias interpretações equivocadas, o termo virou sinônimo para histórias sobre o fim do mundo. Devemos evitar a palavra “apocalipse” para mitos fora da Bíblia. Especialistas preferem “escatologia”. Na Filosofia, escatologia é a doutrina dos eventos futuros que devem acontecer no fim do mundo. Mas os gregos não acreditavam num começo ou num fim absoluto.




2. Para os gregos, o tempo é cíclico, ou seja, tudo recomeça incessantemente. Diante da diversidade de narrativas da mitologia, para os gregos antigos o mundo podia ter acabado mais de uma vez e voltado. Uma das histórias mais famosas contava que os deuses já destruíram a humanidade. É o mito de Deucalião e Pirra, que foi transmitido por tradições orais e posteriormente incluído no livro Metamorfoses, do poeta Ovídio.
3. Segundo a mitologia, os primeiros humanos, da Idade de Ouro, eram melhores. Os seguintes foram se degenerando ao longo do tempo. O mito de Deucalião e Pirra é da Idade de Bronze, época em que os homens ficaram violentos e estavam sempre em guerra. Esse ódio desagradou a Zeus, rei dos deuses, que convocou um conselho divino e decidiu exterminar a espécie humana para criar uma nova raça.
4. Zeus pensou em destruir a humanidade com seus raios, mas desistiu, pois assim também colocaria os próprios deuses em perigo. Assim, ele decidiu inundar a Terra: rearranjou ventos para espalhar nuvens negras que cobriram o céu e o rasgaram com milhares de relâmpagos. Uma tempestade inundou construções e lavouras.
5. Deus supremo do mar e um dos irmãos de Zeus, Poseidon libertou rios e mares, lançando-os sobre a terra agitada por terremotos. Tudo (templos, rebanhos, casas) foi tragado pelas águas. Homens e mulheres morreram afogados no dilúvio.

6. Os gregos acreditavam que a humanidade nasceu da argila do titã Prometeu, que é considerado um protetor da raça humana. O filho dele, Deucalião, era muito mais piedoso e respeitoso com os deuses do que os outros homens. Assim, Prometeu pôde protegê-lo, avisando-o do dilúvio. Deucalião derrubou acácias para construir uma arca – bem antes da história de Noé.
7. De todas as montanhas, apenas o Monte Parnaso ficou acima das águas, tão pequeno como uma ilhota. Foi ali que o barco de Deucalião (considerado o mais justo dos homens) e sua companheira, Pirra (a mais virtuosa das mulheres), encontrou refúgio. Ao vê-los, Zeus parou a tempestade e Poseidon acalmou as águas
8. Passada a tormenta, Deucalião e Pirra entraram num templo ainda coberto de lama e algas, o santuário da deusa da justiça Têmis. Eles perguntaram aos deuses como poderiam repovoar o mundo. O oráculo disse para eles saírem do templo com a cabeça coberta e as vestes desatadas e “atirarem os ossos de sua mãe para trás”. A mãe era a terra e os ossos eram as pedras. Assim, foram apanhando e atirando pedregulhos para trás, que amoleceram e tomaram forma humana. As rochas lançadas por Deucalião viraram homens e as por Pirra, mulheres

Historia

7 mulheres essenciais (e injustiçadas) da história brasileira

22:41

Se nos perguntassem o nome de cinco figuras que tiveram impacto na história, vários nomes nos viriam de bate-pronto – imperadores, ditadores, filósofos, cientistas, antropologistas… todos homens.
É realmente curioso como, num mundo onde a população é composta na maioria por mulheres, figuras desse gênero não recebem seu devido reconhecimento, mesmo que muitos de seus feitos influenciem a sociedade em que vivemos hoje.
Com um pouco de pesquisa, um grupo reduzido (porém existente) de mulheres brasileiras revolucionárias se destaca, e aqui estão algumas dessas que ajudaram a moldar o Brasil como é hoje.

1) D. Leopoldina (1797-1826)

Leopoldina em retrato feito por Josef Krutzinger (Reprodução/Wikimedia Commons)

A esposa de D. Pedro I era uma mulher erudita e bem reconhecida por outras nações, bem mais envolvida com as causas brasileiras, inclusive a independência do Brasil, do que seu marido. Quando veio para a América, trouxe diversos artistas e cientistas austríacos para retratar e estudar a fauna e flora brasileira. Quando algumas províncias, como São Paulo, ameaçavam entrar em conflito com o então príncipe e este estava em viagem, foi ela que assumiu o comando do Conselho do Estado e o controlou para que houvesse paz.

2) Maria Quitéria (1792-1853)


Maria Quitéria em retrato feito por Domenico Failutti (Reprodução/Wikimedia Commons)


Impossibilitada de se alistar nas tropas brasileiras por ser mulher, Maria pegou emprestadas as roupas de soldado do cunhado e se inscreveu para a guerra de independência como “Soldado Medeiros”. Suas habilidades com armas a fizeram um soldado necessário, argumento usado quando seu disfarce caiu e seu pai descobriu o que estava acontecendo.
Maria se destacou nas batalhas de Pirajá, Pituba e Itapuã, levando honras de primeiro-cadete e recebendo a insígnia de Cavaleiro Imperial da Ordem do Cruzeiro. Mesmo com tanto desempenho, Quitéria morreu na miséria e sem reconhecimento.

3) Maria Felipa de Oliveira (data incerta-1873)


Maria Felipa em retrato de Filomena Modesto Orge (Reprodução/Wikimedia Commons)


Nascida escrava, aprendeu a lutar capoeira e sonhava com um Brasil livre de portugueses. Líder de um agrupamento de 40 mulheres que atuavam na ilha de Itaparica, ela e o grupo construíram trincheiras e vigiaram a entrada da Baía de Todos Os Santos.
Um de seus ataques mais icônicos ocorreu em 1823, quando seduziram soldados lusitanos que tinham a missão de invadir Salvador e os deram surras de cansanção (planta que causa efeito parecido ao da urtiga), além de incendiar todas as suas embarcações. Maria continuou como militante ao longo da sua vida, sendo considerada a “Heroína da independência da Bahia”.

4) Bertha Maria Júlia Lutz (1894-1976)

Bertha Lutz em foto de 1925 (Reprodução/Wikimedia Commons)

Filha de um bacteriologista brasileiro e uma enfermeira inglesa, Bertha Maria foi estudar na Europa ainda menina e entrou em contato com o cenário feminista e sufragista inglês. Tornou-se reconhecida internacionalmente por seus estudos e descobertas sobre anfíbios e sua atuação a favor do direito de voto feminino.
Foi a segunda mulher a ingressar no serviço público e representou a liga brasileira na assembleia-geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos EUA. Foi eleita a vice-presidente da sociedade Pan-Americana. Junto a outras companheiras, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que conseguiu o direito ao voto das mulheres dez anos depois de sua formação no governo Vargas. Bertha alcançou até uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde defendeu os mesmos princípios feministas.

5) Dandara dos Palmares (data incerta-1694)

Dandara ilustrada pela artista Lole para o livro Extraordinárias, da Editora Seguinte (Reprodução/Editora Seguinte)

Talvez a mais conhecida dessa lista, Dandara foi casada com Zumbi dos Palmares e ajudou a comandar o Quilombo dos Palmares. Dandara se juntou aos fugitivos ainda muito menina, ajudando a montar estratégias de resistência, e foi a figura principal na defesa do Quilombo. Tinha princípios fortes ligados à liberdade e se matou quando foi capturada.

6) Leolinda Daltro (1859-1935)

Retrato retirado do livro Da catechese dos índios no Brasil. Notícias e documentos para a História. Rio de Janeiro: Typographia da Escola Orsinba da Fonseca, 1920 (Reprodução/Reprodução)

Leolinda foi tachada de “mulher do diabo” na sua época por ocupar todos os cargos militantes possíveis: defendia o direito das mulheres, batia de frente com a Igreja Católica, era separada e com filhos, tinha voz política e, o mais importante de tudo, defendia a inclusão social e educacional dos indígenas. Apoiava que, para eles, houvesse educação completamente laica (diferentemente do que estava acontecendo nas missões jesuítas, ainda no fim dos anos 1800) e a tentativa de um resgate de sua cultura pré-colonização.
Ela criou o Partido Republicano Feminino antes mesmo de mulheres poderem votar, como ação para pressionar que esse direito fosse reconhecido logo. Suas ações começaram a ser desconsideradas graças à ridicularização dada por ser mulher – assim, foi deixada no esquecimento por ser considerada louca.
Em 2013, o estado do Rio de Janeiro instituiu o Diploma de Mulher Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro, concebido anualmente a dez mulheres que se destacaram na luta a favor dos direitos das mulheres.

7) Anita Garibaldi (1821-1849)

Anita em retrato feito por Gaetano Gallino (Reprodução/Wikimedia Commons)

Seu real legado começou aos 18 anos, quando conheceu o revolucionário Giuseppe Garibaldi, italiano que também lutou na Revolta Farroupilha. Foi chamada de “princesa dos dois mundos” por atuar como guerreira tanto no território brasileiro como na Itália, na batalha de unificação de seu país contra a Áustria.
Na Batalha dos Curitibanos, Anita foi presa e teve oficiais dizendo que seu marido estava morto. Grávida, pediu que a deixassem encontrar o corpo do marido entre os mortos e, com a fé que Giuseppe ainda estivesse vivo e por descuido dos guardas, ela escapou, sobrevivendo na mata por quatro dias sozinha, para então encontrar o esposo (vivo) na cidade de Vacaria. É homenageada com o nome de duas cidades em Santa Catarina, uma praça em Curitiba e em Salvador com o nome de uma avenida.

Historia

A rotina de vida e morte no Campo de Auschwitz

22:11

Saiba como funcionavam os campos de trabalho forçado e extermínio onde morreram mais de 1 milhão de pessoas na Segunda Guerra Mundial...



O Campo de Auschwitz era uma área de 40 km² na região da Alta Silésia, na Polônia. O complexo era formado por três campos principais – sendo dois de trabalho forçado e um apenas de extermínio – e mais 39 subcampos. Ao longo da 2ª Guerra Mundial, presos políticos, judeus de toda a Europa, homossexuais, ciganos e comunistas morreram lá – 1,1 milhão de pessoas (no total, os nazistas mataram 5,5 milhões de judeus e 500 mil ciganos na 2ª Guerra). Nesta reportagem, contamos o que era Auschwitz e o terrível destino dos que eram mandados para lá.

O que era Auschwitz




O começo – Auschwitz I
Com o plano nazista de expansão no Leste Europeu, Rudolf Höss, capitão da SS, a polícia do Estado, inaugurou o campo Auschwitz I em 1940 para abrigar prisioneiros políticos. A ideia era que eles trabalhassem forçadamente até morrer. Mas a invasão da União Soviética em 1941 aumentou o número de detidos e o campo precisou se expandir.


A continuação – Auschwitz II Birkenau
Esta segunda unidade já foi concebida, desde o início, como um campo de extermínio. Inaugurado em 1942, ele era projetado para manter até 10 mil presos de uma vez só – grande parte formada por oficiais inimigos e, após alguns meses, judeus. As primeiras câmaras de gás foram criadas após um ano de existência, improvisadas em barracões. No total, eram quatro. Aqui chegaram a matar 8 mil pessoas por dia.
O terceiro elemento – Auschwitz III Monowitz
Também aberto em 1942, Auschwitz III originalmente era um subcampo. Mas, por causa da riqueza da região em recursos naturais, como água, cal e carvão, tornou-se o terceiro maior do complexo. Acabou virando um centro de trabalho escravo de prisioneiros que coletavam recursos para o complexo industrial de Auschwitz. Grandes empresas, como a Siemens-Schuckert e a IG Farben, usavam a mão de obra escrava. A expectativa de vida em Monowitz era de quatro meses.
Os subcampos
Entre 1942 e 1944, mais 39 subcampos de trabalho forçado foram fundados na região, com o objetivo de explorar as minas locais e fabricar armas utilizando mão de obra escrava. O número de prisioneiros nesses locais podia variar de dezenas a milhares, existindo até campos só para as mulheres
O trem
Os presos chegavam de trem. Durante as viagens, eles chegavam a ficar dias sem água ou comida. Não havia banheiro, somente um balde em cada vagão. As janelas eram lacradas e quase não havia luz. Muitos morriam ou chegavam ao campo à beira da morte. Quando o trem adentrava Auschwitz, era feita a seleção. Crianças, idosos e doentes iam direto para a câmara de gás, pois não serviam como mão de obra

A rotina no campo


1. Os presos eram divididos em blocos, barracões com capacidade para 700 pessoas, mas que chegaram a abrigar 1.200 cada um. Eles eram tão lotados que os prisioneiros precisavam dormir de lado para caberem todos. Não existia banheiro – as necessidades eram feitas em baldes no meio do alojamento. A temperatura podia chegar a -30 oC no inverno, pois não havia aquecimento.


2. Normalmente, os presos eram acordados por volta das 5h da manhã pelos oficiais de forma brutal, com gritos e violência. Eles eram contados e, depois, podiam ficar enfileirados durante horas, só para já começarem o trabalho exaustos. Seleções para decidir quem deveria morrer podiam acontecer a qualquer momento.


3. Depois da checagem, os presos recebiam o café da manhã. Ele consistia em sopa de algumas ervas daninhas e batata, uma fatia de pão com castanhas e serragem, um pouco de salsicha (a carne podia vir de animais doentes) e margarina de linhito (uma espécie de carvão). Ao final da jornada de trabalho, eles recebiam mais um pouco de comida, a mesma do café. Comia-se em tigelas e cada um tinha a sua. Quem perdesse essa cuia não poderia comer, por isso era o item mais cuidado pelos prisioneiros.


4. A jornada de trabalho podia durar 12 horas. As atividades incluíam faxina, escavação de minérios, construção de trilhos para o trem, costura e produção de roupas, entre outras. Os prisioneiros atuavam nas atividades envolvendo morte: recolhiam e enterravam corpos, preparavam covas, separavam roupas, buscavam ouro nas bocas dos cadáveres e operavam os incineradores.
5. Uma porcentagem pequena de prisioneiros, normalmente os não judeus, conseguia trabalhos com desgaste físico menor, como no Canadá, em Auschwitz II, um barracão de triagem de pertences de prisioneiros. Alguns eram cozinheiros e barbeiros e serviam diretamente os oficiais nazistas – esses presos apanhavam menos e tinham alguns privilégios, como comida melhor.
6. Para as mulheres, a situação era ainda pior. Consideradas inferiores, eram espancadas, separadas dos filhos e usadas em experimentos de esterilização. As não judias eram prostituídas (havia um bordel em Auschwitz I) e estupradas. Embora nascimentos tenham sido registrados em Auschwitz, muitas abortavam com medo de represálias. Assim como os homens, trabalhavam até a morte.
7. As taxas de suicídio entre prisioneiros eram especialmente altas em dois trabalhos. Um deles era a banda formada por judeus que tocava música durante o despertar e na chegada do trem. O outro era o dos sonderkommandos, um grupo, também de judeus, que preparava crianças e idosos para morrerem e depois tinha que procurar ouro na boca dos cadáveres
8. Milhares morriam todos os dias. Se não eram executados pelo gás, os prisioneiros morriam de tanto trabalhar, de frio, por doenças, por suicídio, por experimentos médicos ou pela violência dos guardas. Era comum que, em um barracão onde dormiam 500 pessoas, seis fossem descobertas mortas todos os dias ao amanhecer

Os métodos de morte


A) Fuzilamento
Inicialmente, execuções com armas de fogo eram o método mais utilizado para matar. Muitas vezes, os presos eram levados para as proximidades dos campos, obrigados a cavar a própria cova e depois enfileirados para morrer. Mas os oficiais começaram a não dar conta: eles precisavam de um método mais eficaz e menos perturbador (para eles)
B) Dinamite
Os nazistas começaram a fazer experimentos com métodos de assassinato em massa, e até dinamite chegou a ser usada. O teste ocorreu em um local próximo de Auschwitz, onde presos foram trancados em um cômodo e depois explodidos. Não funcionou por causa da bagunça: os pedaços de corpos ficaram espalhados e presos nas árvores
C) Monóxido de carbono
Em 1941, as primeiras mortes por gás foram realizadas na Polônia, em um gueto perto da cidade de Chelmno. Em uma câmara improvisada dentro da traseira de um furgão, as vítimas morriam após inalarem durante minutos monóxido de carbono, método usado dois anos antes para matar deficientes mentais
D) Experimentos
Josef Mengele foi um médico nazista conhecido pelos seus experimentos desumanos. Começou a trabalhar em Auschwitz-Birkenau em 1943 e se tornou o ser humano mais temido do complexo. Ele realizava todos os tipos de bizarrice e tinha uma curiosidade particular por gêmeos. Ele gostava de amputar membros de um irmão para ver se o outro sentia falta daquele pedaço
E) O gás Zyclon-B
As câmaras de gás, que só em Auschwitz mataram cerca de 500 mil pessoas, foram desenvolvidas apenas em 1942. O pioneiro do método foi Karl Fritzsch, um funcionário da SS que lacrou as janelas e portas de um compartimento cheio de presos. Depois, por uma abertura no teto, jogou o veneno – ácido cianídrico cristalizado, usado para desinfetar roupas. Em contato com o ar, a substância vira um gás letal
F) Grelha
Muitas vezes, o número de cadáveres era tão grande que os crematórios dos campos não eram suficientes e, para tornar Auschwitz uma fábrica de morte impecável, peritos em eliminações de corpos inventaram uma espécie de grelha. Nela, camadas de pessoas mortas eram intercaladas com grades de ferro e, depois, queimadas
A câmara de gás

I. Os prisioneiros não sabiam que seriam executados. Eles achavam que estavam sendo levados para tomar banho. Antes de entrarem na sala, eles eram despidos.
II. Cerca de 800 pessoas cabiam numa câmara de Birkenau. As cápsulas de Zyklon-B eram despejadas por buracos no teto. Em contato com o ar, a substância virava o gás letal. Quando percebiam a situação, as vítimas pisoteavam e esmagavam umas às outras tentando sair. Em 30 minutos, todas estavam mortas.
III. Os fornos ficavam dentro dos mesmos prédios que as câmaras. Os corpos eram levados para lá e queimados. As cinzas eram jogadas em rios.


FONTES Livros Encyclopedia of Camps and Ghettos, 1933-1945, organizado por Geoffrey P. Megarage, Auschwitz, the Nazis & the ‘final Solution’, de Laurence Ress, A Lucky Child: A Memoir of Surviving Auschwitz as a Young Boy, de Thomas Buergenthal, e Fresh Wounds: Early Narratives of Holocaust Survival, editado por Donald L. Niewyk; série documental Auschwitz, the Nazis and the Final Solution, documentário A Day in Auschwitz, produzido por Shoah Foundation em associação com Discovery Networks International

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