Mitos

10 mitológicas criaturas metamórficas

20:23

A metamorfose é um tema comum na mitologia e no folclore: muitas criaturas mitológicas têm esta habilidade, que permite que enganem e possam ferir ou até matar humanos. Pela história, muitos assassinatos foram atribuídos a essas criaturas, e na época do Halloween, nada melhor que uma lista com essas criaturas fascinantes.

10. Leshy


O Leshy é uma criatura masculina da mitologia eslava, e acredita-se que ele protege animais selvagens e as florestas. Eles geralmente aparecem como homens altos, mas têm a habilidade de mudar de tamanho e sofrer uma mutação para qualquer forma de animal ou até como plantas. Leshies têm a barba feita de grama, e geralmente têm rabos, cascos e chifres. A criatura tem a pele pálida e olhos verdes escuros, e são os reis da floresta. Quando está na sua forma humana, o Leshy parece com um camponês comum, mas tem os olhos mais brilhantes. Eles podem se diminuir até a altura da grama ou ficarem do tamanho da árvore mais alta. Acredita-se que essas criaturas podem fazer com que as pessoas se percam ou que fiquem doentes, e até mesmo fazer com que elas morram. Os Leshies não são sempre malvados, mas gostam de enganar os humanos.


9. Selkie


Selkies são criaturas encontradas na mitologia irlandesa, escocesa e islandesa. Eles têm a capacidade de se transformarem de focas em humanos, retirando a sua pele de foca. uma atividade arriscada, pois depois têm que colocar a pele de volta para voltar à sua forma original. As histórias que envolvem estas criaturas geralmente são tragédias românticas, pois eles só podem entrar em contato com os humanos por pouco tempo antes de terem que voltar ao oceano.
Em muitos casos, pessoas se apaixonam por Selkies sem saber que são as criaturas, e não humanos. Em outras histórias, humanos escondem a pele da criatura, o que impede que ela volte à sua forma normal. Selkies do sexo masculino são muito bonitos na forma humana, e têm grande poder de sedução sobre as mulheres. Se um homem encontra e esconde a pele de uma Selkie do sexo feminino, ela fica sob seu controle, e muitas vezes é forçada a se tornar sua esposa.

8. Berserker



Os Berserkers são parte de um grupo de guerreiros noruegueses. Eles são humanos, mas, em batalha, entram em um estado de fúria que causa transformações em lobos, ursos e touros selvagens. Acredita-se que os Berserkers usavam a pele de ursos e lobos ao entrar na batalha, e podiam se transformar completamente, se fosse preciso. Eles são caracterizados como tendo olhos intensos, força extrema e resistência.

7. Kitsune


No folclore japonês, o Kitsune é um ser mágico e inteligente. A criatura é uma espécie da raposa japonesa, cuja força aumenta com a idade, sabedoria e experiências de vida. Eles têm a habilidade de assumir a forma humana, e são conhecidos por enganar os humanos. O Kitsune pode ter até nove rabos, e pode voar, ficar invisível e muitas vezes criar relâmpagos e trovões. Essas criaturas podem se manifestar nos sonhos das pessoas e criar ilusões tão elaboradas que parecem a realidade.

6. Púca



A púca é uma criatura do folclore celta, principalmente na cultura irlandesa, no oeste da Escócia e no País de Gales. A criatura é uma fada mitológica, muito boa em mudar de formas, podendo se transformar em cavalos, coelhos, cabras, goblins e cachorros. Porém, independente da forma que a púca assuma, sua pelagem é sempre escura, e são muitas vezes representados como cavalos pretos com olhos alaranjados. Eles têm o poder da fala humana e são conhecidos por dar bons conselhos, mas também gostam de confundir os humanos. Púcas gostam de charadas e são muito sociáveis, e também gostam de pregar peças em pessoas distraídas e crianças.

5. Wendigo



O Wendigo é uma criatura que aparece na mitologia dos povos da antiguidade. As descrições variam pelas culturas, mas ele é geralmente descrito como uma enorme besta semelhante a um cão. O Wendigo é uma criatura maléfica e canibal, e seres humanos podem se transformar na criatura se tiverem práticas com canibalismo. A pessoa se torna possuída pelo espírito demoníaco da criatura durante o sonho, na maior parte das vezes. Quando possuída, a pessoa se torna violenta e fica obcecada para comer carne humana. Os Wendigos são criaturas extremamente violentas, gulosas e gananciosas, sempre procurando por novas vítimas.

4. Aswang



A Aswang é uma criatura mítica muito difundida da cultura filipina, e é descrita como uma mistura de vampiro e bruxa. A criatura geralmente aparece em forma feminina, e é canibal e devoradora dos mortos. São capazes de se transformar em enormes cães pretos ou em javalis. Acredita-se que cabeças de alho, água benta e outros objetos sejam capazes de repelir a ação da Aswang. Muitas histórias contam que as criaturas comem crianças e fetos. Na forma humana, são quietos e tímidos, e só se transformam na temida forma assassina à noite.

3. Boto 



Esta criatura do folclore brasileiro é ainda muito comum na região do Rio Amazonas. O Boto teria a habilidade de se transformar em humano, saindo da água após a meia noite para seduzir mulheres em festas. A criatura também teria grande talento musical e usa um chapéu com um buraco na parte de trás para respirar, como o Boto. Além de seduzir as mulheres, a criatura também teria a capacidade de engravidar mulheres e depois abandoná-las, e também vira barcos que tem mulheres em seu interior. Para evitar isso, as pessoas que vivem nos arredores do Amazonas passam alho nos barcos, para disfarçar o cheiro feminino.

2. Vampiros



Estas famosas criaturas praticamente não precisam de apresentação. Os vampiros se alimentam do sangue de humanos e animais, mas é difícil fazer uma única definição dos vampiros, já que suas características mudam em diferentes culturas. Eles mudam de forma e podem aparecer como humanos e como morcegos. A partir do século XIX, a literatura de ficção passou a retratar os vampiros como magros e pálidos.
Vários assassinatos já foram atribuídos à existência de vampiros, e um dos mais conhecidos é o da garota de 19 anos Mercy Brown, em 1892. Vários membros da sua família morreram de uma “doença misteriosa” (que depois especialistas descobriram que era tuberculose, ainda sem tratamento e muito comum na época) e as pessoas da sua cidade atribuíram a morte à garota, cujo cadáver ainda tinha sangue no coração após dois meses da sua morte. Pesquisadores atribuem a conservação do corpo da garota ao clima extremamente frio na época da morte, que conservou seus órgãos como um freezer. Ainda assim, pessoas deixam oferendas no túmulo da garota.

1. Licantropos


Os licantropos ou lobisomens são criaturas mitológicas humanas que se transformam em lobos. Podem infectar os humanos com uma mordida e a sua transformação é ligada à lua cheia. A mitologia dos lobisomens teve início na Europa, mas muitas histórias semelhantes são encontradas na antiguidade. Os seres teriam força e olfato sobre-humanos, muito mais intensos que o do homem e dos lobos. Até o início do século XX, muitas mortes eram creditadas a ataques de lobisomens na Europa.

Sobrenatural

Lugares Assombrados no Brasil

12:16

A Casa das Sete Mortes




Crimes ocorridos numa das casas mais antigas do Brasil, em Salvador (BA), deixam sobrenaturais rastros até hoje...

Há pouca evidência sobre sua construção, mas esse casarão da época colonial é um dos mais antigos do Brasil ainda em pé. A arquitetura da mansão, planejada para ser residência de gente abastada da época, remonta ao século 17. O prédio foi restaurado pelo governo baiano há pouco tempo, sem alterar a estranha energia que paira por lá.
Em 1755, uma série de homicídios marcou o local. O padre Manoel de Almeida Pereira e três criados do casarão foram assassinados a facadas. Para completar as “Sete Mortes”, há duas hipóteses: alguns contam sobre uma escrava que envenenou o casal de patrões e a filha deles; outros falam sobre corpos de mãe e duas filhas, encontrados já em decomposição e sem pista do assassino.
Quem conhece o local diz que uma estranha sensação paira no ar, resultado das mortes inexplicadas. O imóvel, cheio de elementos arquitetônicos e decorativos de várias culturas (árabe, portuguesa e espanhola), foi tombado por seu valor histórico em 1943 e atualmente abriga cursos de música, canto e pintura. Mas só funciona até às 17h… Vai saber, né?
A casa abriga diversos fenômenos sobrenaturais, como barulho de passos nos cômodos, portas que abrem e fecham sozinhas, vultos e névoas bizarras. Durante a reforma mais recente, os operários que trabalharam lá disseram que as portas viviam batendo sem explicação. Alguns deles trabalhavam só quando havia luz do dia.

Cruz do Patrão


O monumento mais antigo de Recife (PE) encobre histórias macabras


Não se sabe quem construiu (conquistadores holandeses ou algum senhor de engenho), mas há registros dessa coluna de 6 m de altura desde o início do século 19. Erguida à margem do Rio Beberibe, no istmo que ligava o porto de Recife à então vila de Olinda, a Cruz do Patrão servia para manobrar navios, ao ser alinhada com a igreja Santo Amaro das Salinas.
Com tantas histórias de morte num só lugar, há quem jure que as almas continuam em torno da Cruz do Patrão para vingar seu sofrimento. Um estudo arqueológico encomendado pela prefeitura não encontrou vestígios de esqueletos por lá. Ainda assim, há relatos orais de aparições, gemidos, almas penadas e perseguições por espíritos infernais no local.
Historiadores, como o recifense Pereira da Costa, contam que o terreno já foi cemitério de escravos que chegavam mortos da África. A escritora inglesa Maria Graham também relatou, em um livro de 1824, ter presenciado corpos mal sepultados por lá, com partes emergindo da terra. O local também teria sido usado para rituais religiosos, assassinatos e execuções.
O próprio Gilberto Freyre cita, em Assombrações do Recife Velho, que, durante um ritual religioso realizado por negros, o próprio diabo arrastou uma mulher para o mar. Ele era “preto como o carvão. Os olhos acesos despediam chispas azuis. Brasas vivas caíam-lhe da boca encarnada e ameaçadora. Pela garganta se lhe viam as entranhas onde o fogo ardia”.

Castelinho da Rua Apa


Uma casa exótica foi cenário de um dos assassinatos mais misteriosos de São Paulo

No início dos anos 20, Virgilio César dos Reis construiu uma casa com jeitão de castelo medieval. O imóvel fica na esquina da Avenida São João com a Rua Apa, local requintado em São Paulo, à época. O castelinho sempre foi estranho na paisagem paulistana, mas chamou a atenção após um crime acontecido em 1937, três anos após a morte de Virgilio.

Segundo a polícia, os filhos Álvaro, 45 anos, e Armando, 43, discutiram sobre o destino da herança de Virgilio. O primeiro queria abrir um rinque de patinação, mas o irmão era contra. Numa briga, Álvaro atirou por acidente em sua mãe, Maria Cândida, que tentava acalmar os filhos. Em seguida, matou Armando e cometeu suicídio.


Enquanto a propriedade passava de mão em mão, os locatários do castelinho ouviam barulhos bizarros, vultos e aparições. Em 1987, quando o último herdeiro direto da família morreu, o imóvel virou propriedade da União e ficou abandonado. Em 1996, a ONG Mães do Brasil ocupou o imóvel, que está tombado desde 2004, à espera de uma reforma.
A explicação da polícia tem controvérsias em relação ao que apuraram os peritos do IML, na época. O próprio laudo técnico foi concluído com falhas: além de Álvaro ser destro e a arma estar em sua mão esquerda, ele teria se matado com dois tiros no peito. Estudiosos do caso acreditam que a família foi assassinada por outra pessoa. Dois anos depois, a casa passou a ser alugada (e assombrada!)
Relatos de fantasmas, lamentações e vultos no castelinho intrigaram muita gente. A produção do seriado Ghost Hunters International, do canal SyFy, investigou o lugar à procura de sinais paranormais e registrou um EVP (sigla em inglês para “fenômeno eletrônico de voz”), áudio captado apenas por gravadores. Quando deram o play, uma mulher gritava “Eduardo”!
O Castelinho da Rua Apa foi cenário dos filmes Fogo e Paixão e Padre Pedro e a Revolta das Crianças.

Mina da Passagem


Um grave acidente transformou essa mina de ouro de Mariana (MG) em um buraco sombrio

Em 1936, uma inundação subterrânea matou 17 pessoas que trabalhavam nessa que foi uma das maiores minas de ouro do Brasil. Localizada em Mariana, cidade mais antiga de Minas Gerais, a mina tem 120 m de profundidade e produziu mais de 32 toneladas de ouro entre os séculos 18 e 20. Após a tragédia, o local nunca mais foi o mesmo.
Formada por corredores subterrâneos, a mina só foi desativada em 1954 e atualmente é aberta ao turismo. Mas as pessoas podem entrar só até um pedaço. Os visitantes dizem ouvir barulhos de sinos e correntes mesmo com a mina vazia. Em um dos corredores, uma imagem de Santa Bárbara, protetora dos mineiros, guarda a alma dos mortos.
Há relatos de que o espírito de um tal Capitão Jack, inglês que era um dos chefes da mina no passado, aparece nos corredores subterrâneos. Vestido de branco, ele cavalgaria pela mina, disparando faíscas e luzes prateadas. Na ganância por encontrar mais ouro, Jack teria sido morto durante uma explosão para abertura de mais túneis.
Em 2015, Mariana voltou às manchetes com outra tragédia: o rompimento de uma barragem que continha dejetos de mineração liberou uma avalanche com 62 milhões de m3 de lama tóxica. 

CEMITÉRIO DOS INGLESES

A mina não é a única locação macabra da cidade
Mariana sofre com outro fato sombrio. Em um cemitério, 14 sepulturas de ingleses, que morreram entre 1891 e 1927, soltam fogo de seu interior. Segundo os registros, lá foram enterrados nove homens, quatro mulheres e uma pessoa não identificada. Todos os túmulos foram violados e saqueados, profanação que teria aprisionado as almas ali.

A Rainha do Maranhão


Ana Jansen, uma das mulheres mais poderosas do estado e conhecida por sua crueldade com os escravos, continua a vagar pelas ruas da capital, São Luís

Ana Jansen nasceu em 1793 e foi uma mulher à frente de seu tempo. Saiu de casa cedo, casou-se com ricaços duas vezes e acumulou muita grana. Fez de tudo para subir na vida: entrou na política, abriu jornal e foi apelidada de Rainha do Maranhão. Ana era tão dona de si que, no testamento, deixou bens para um filho que teve fora do casamento, outra afronta para a época. Ela morava na capital, São Luís.

A crueldade era outra característica de Ana Jansen. Dona de muitos escravos, sua autoridade era extrema. Certa vez, ela mandou arrancar todos os dentes de uma escrava, que tinha um belo sorriso, só pra mostrar quem mandava. Outros relatos apontam que uma vala em sua antiga propriedade serviu de túmulo para mais de 100 escravos, mortos de forma desumana.

Muita gente acredita que o espírito de Ana continua vagando em São Luís. Condenada a pagar por todo o sofrimento que causou, ela vagaria gritando de dor e arrependimento, em uma carruagem levada por cavalos sem cabeça. Dizem que o fantasma dela aparece nas noites de quinta-feira, partindo do cemitério do Gavião e tocando o terror pela capital.

Edifício Joelma


Há 40 anos, esse prédio no centro de São Paulo ardeu em chamas, causando 189 mortes. Há quem diga que o local é assombrado por uma maldição do passado


NOVO EM CHAMAS

Um dos incêndios mais trágicos do Brasil rolou em 1º de fevereiro de 1974, causado por um curto-circuito no sistema de ar-condicionado do Edifício Joelma, inaugurado havia dois anos, no centro da capital paulista. Em quatro horas de fogo, a temperatura chegou a 700 oC e, no final, 189 pessoas morreram (queimadas ou ao se jogar do prédio, em desespero). Mais de 300 ficaram feridas.
TERRENO MACABRO

Após investigação, cinco pessoas foram responsabilizadas pelo acidente – nenhuma foi presa. O episódio aconteceu dois anos após outro incêndio na região, no Edifício Andraus. Isso acendeu a especulação de que houvesse uma maldição no terreno do Joelma, já que ele teria sido, no passado, um pelourinho: palco de execução de escravos e criminosos.
HERANÇA DO ALÉM

Fechado por quatro anos para reforma, o edifício foi reaberto com o nome Praça da Bandeira. Desde então, funcionários dizem ouvir vozes, além de presenciar espíritos e fenômenos estranhos, como faróis de carros acendendo sozinhos. Durante as filmagens de Joelma 23º Andar, de 1979, um fotógrafo da equipe registrou a cena das mortes. Na foto revelada, há supostos rostos de espíritos que rondavam o set de gravação. Em 2004, uma equipe do então prefeito José Serra trabalhou em uma sala do prédio, mas só depois de o local ser purificado por uma monja budista.
O CRIME DO POÇO

Antes de o Joelma ser construído, outra tragédia havia ocorrido no terreno, em 1948. O professor Paulo Ferreira de Camargo, 26 anos, matou a mãe e duas irmãs, e escondeu os corpos num poço, no quintal. Ele negou a autoria do crime, embora fosse o principal suspeito. Duas semanas depois, quando a polícia começou a cavar o poço em busca de vestígios, Paulo se matou.
 SEM EXPLICAÇÃO

Até hoje não há consenso sobre o motivo que levou o professor a cometer os assassinatos. O crime ainda provocou outra morte: um dos bombeiros que fizeram o resgate no poço morreu de infecção cadavérica por manusear os corpos sem proteção de luvas. Há quem acredite que o incêndio do Joelma seja fruto de uma maldição relacionada ao Crime do Poço.
MENSAGEM DOS MORTOS

Uma das vítimas do Joelma foi a digitadora Volquimar Carvalho dos Santos, que trabalhava no 23º andar. Ela e seus colegas tentaram sair do prédio, mas foram barrados por outros que também tentavam se salvar. A história ficou conhecida devido a uma carta dela, psicografada por Chico Xavier e publicada no livro Somos Seis.
O MISTÉRIO DAS 13 ALMAS 

Nos escombros do Joelma, 13 cadáveres foram encontrados dentro de um elevador. Na época, sem meios de fazer a identificação dessas vítimas, os corpos foram enterrados lado a lado no Cemitério São Pedro, com a lápide “As Treze Almas”. Tempos depois, o zelador do cemitério e alguns visitantes passaram a ouvir gritos e lamúrios vindos das sepulturas. Para “aliviar a dor dos mortos”, eles jogaram água nos túmulos (já que as pessoas morreram queimadas) e os gritos pararam. Desde então, o local atrai devotos, que atribuem às 13 almas várias graças alcançadas e, em gratidão, deixam um copo de água em cima de cada túmulo.

Vivenda Santo Antônio


A obra, a vida e até a casa do escritor Gilberto Freyre estão ligadas a casos sombrios.

Gilberto Freyre foi um dos escritores mais importantes do Brasil. Além de Casa-Grande & Senzala, publicou dezenas de livros. Entre eles, Assombrações do Recife Velho, com relatos de fatos sobrenaturais. Não sabia ele que sua própria casa, a Vivenda Santo Antônio de Apipucos, um casarão colonial comprado nos anos 30, também era assombrada.
A primeira aparição rolou no fim dos anos 70, notada pela nora do escritor, Cristina. Ela via um menino, em torno de 10 anos de idade, andando pela casa. A aparição coincidiu com a construção de uma piscina na área que havia sido a senzala da propriedade na época colonial. O espírito só sumiu quando a família mandou rezar uma missa ao garoto numa igreja da cidade.
Após a morte de Gilberto Freyre, em 1987, a casa foi transformada em um museu da sua obra. Com os móveis e objetos até hoje no mesmo lugar, há quem diga que o casarão abriga outros fantasmas. Um deles é Seo Neo,escravo liberto e antigo funcionário da Vivenda, que às vezes aparece sentado em um banco do quintal, guardando a entrada da casa.
Funcionários da Fundação Gilberto Freyre já relataram que outros fenômenos acontecem na casa, como lâmpadas piscando sozinhas. Até o espírito da esposa do escritor, Magdalena Freyre, morta em 1997, teria aparecido no quarto do casal. Os restos mortais dela e do marido estão em um memorial, que fica dentro da Vivenda.


CONSULTORIA Angela Arena, pesquisadora e professora de turismo na Faculdade Anhanguera, e Mateus Fornazari, do site Sobrenatural
FONTES Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada de Recife, Fundação Gilberto Freyre; programas de TV Ghost Hunters International(SyFy); Linha Direta (Globo) e Fantástico (Globo); jornais Diário de S. PauloFolha de PernambucoFolha de S.PauloO Estado de S. Paulo e O Fluminense; sites G1 e R7; revista VEJA; livros Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre, Histórias Mal-Assombradas do Caminho Velho de São Paulo e Histórias Mal-Assombradas do Tempo da Escravidão, de Adriano Messias; e tese de doutorado Trabalho e Cotidiano na Mineração Aurífera Inglesa em Minas Gerais: A Mina da Passagem de Mariana (1863-1927), de Rafael de Freitas e Souza

Sobrenatural

Qual a origem da lenda do lobisomem?

21:51

Quase todas as culturas antigas tinham lendas que misturavam homem e animal, como forma de explicar, por exemplo, crimes violentos e surtos de fúria.



NASCE O LINCANTROPOReferências a homens-lobo aparecem nas obras de filósofos antigos, como Heródoto, Pausânias e Plínio, o Velho. Na mitologia grega, existe a história do rei Licaão da Arcádia, que fez Zeus comer as vísceras cozidas do próprio filho. Para puni-lo, o deus o transformou num lobisomem. É dele que vem o termo “licantropia” (a habilidade mágica de se transformar nessa criatura).
SE FICAR, O BICHO PEGA…Quase todas as culturas antigas tinham lendas que misturavam homem e animal, como forma de explicar, por exemplo, crimes violentos e surtos de fúria. Onde não havia lobos, o folclore envolvia outros predadores. Em países africanos, são comuns relatos de pessoas que viram hienas, crocodilos, leopardos, leões e panteras. Na China, tigres. No Japão, raposas. Na Rússia, ursos.
… SE CORRE, O BICHO COMENo folclore turco, os xamãs se transformam num lobo humanoide após longos e árduos rituais. Já na Suécia, os lobisomens eram, na verdade, mulheres idosas de unhas venenosas, capazes de paralisar o gado e as crianças com um simples olhar. No Haiti, eles eram conhecidos como Jé-rouge (olhos vermelhos) e roubavam crianças no meio da noite para passar adiante sua maldição.
CONCEITOS PARECIDOSApesar de variações locais, alguns elementos são comuns. A transformação ocorre depois que o indivíduo é amaldiçoado, atacado por um lobo ou lobisomem ou passa por um ritual (como beber uma poção ou vestir a pele de um lobo). Na maioria das narrativas, ao voltar à forma humana, ele se torna fraco e deprimido. A prata como ponto fraco veio do folclore europeu do século 19.
A PROVA DO CRIMESegundo pesquisadores, é no Satiricon que está o primeiro registro da lenda com os elementos que hoje consideramos clássicos. Essa obra de ficção do romano Petrônio, do século 1, inclui a história de um soldado que, sob a lua cheia, vira um lobo, invade uma casa e é ferido no pescoço. Seu segredo é revelado quando, na manhã seguinte, ele aparece com um ferimento no mesmo lugar.
MENINOS, EU VIOutro livro fundamental para a fundação do mito é Otia Imperialia, escrito por Gervásio de Tilbury no século 13. Na obra, o inglês afirma que esses monstros são parte do cotidiano da Europa medieval e cita dois casos de homens com essa maldição. Tudo “verídico”, segundo ele. Uma das histórias, inclusive, teria sido contada a ele pelo próprio lobisomem. Sei…
NO BANCO DE RÉUSNa Idade Média, assim como as bruxas, supostos lobisomens foram submetidos a julgamentos pela Igreja. As acusações geralmente envolviam magia negra e satanismo, mas também canibalismo, incesto, abuso sexual e profanação de túmulos. Os casos mais famosos são o do alemão Peter Stumpp, o Lobisomem de Bedburg, executado em 1589, e o de Hans, o Lobisomem, levado a júri em 1651, na Estônia. Para alguns pesquisadores, nessa época a lenda pode ter sido usada para explicar assassinatos em série, por exemplo.
MONSTRO SAGRADOTambém durante a Idade Média, corria o boato de que esses seres da noite, na verdade, eram excomungados pela Igreja. Mas nem sempre a habilidade de transformar-se em lobo foi vista como maldição: algumas narrativas da época afirmam que Deus até havia transmitido esse “dom” a alguns santos católicos, como São Tomás de Aquino e São Patrício.
FENÔMENO POPNo começo do século 20, a fera aparece em vários romances e contos de horror. Bram Stoker, autor de Drácula, chegou a escrever um rascunho com o vampiro e o bicho. O grande clássico com o personagem, porém, viria em 1933: O Lobisomem de Paris, de Guy Endore. Na sétima arte, foi O Lobisomem (1941), de George Waggner, mas já havia filmes de licantropos desde o cinema mudo.
É GRAVE, DOUTOR?Existe licantropia na vida real? De certa maneira. O termo também designa uma doença psiquiátrica raríssima, com cerca de 30 casos registrados até hoje. Sob determinadas circunstâncias, o paciente acredita ser um lobo ou outro animal – há relatos de quem se diz um sapo, uma cobra e até uma abelha. Os enfermos chegam a rosnar, uivar, grunhir e andar de quatro.


FONTES: Livros The Werewolf Delusion, de Ian Woodward, A Lycanthropy Reader: Werewolves in Western Culture, de Charlotte F. Otten, Metamorphoses of the Werewolf, de Leslie A. Sconduto, e The Book of Werewolves, de Sabine Baring-Gould; sites How Stuff Works e Medievalists.Net

Sobrenatural

15 livros de magia negra para entrar em contato com o além

17:24

Os grimórios ensinam a invocar demônios, adivinhar o futuro e até contactar os mortos. Famosos na Idade Média, alguns feitiços são usados até hoje...


A palavra grimório vem do francês antigo “grammaire”, que significa “gramática”. Faz sentido: para construir frases, é necessário seguir uma série de regras gramaticais para juntar palavras; e para fazer magia negra é preciso juntar vários elementos seguindo os manuais.
Quase todas as civilizações que usaram alfabetos escreveram livros com orações capazes de invocar demônios, receitas para amaldiçoar ou envenenar pessoas, criar amuletos ou entrar em contato com os mortos. A obra mais antiga (datada de 5 a.C.) foi encontrada intacta na Mesopotâmia, atual Iraque, e reunia tábuas de barro riscadas em escrita cuneiforme. Antes disso, babilônios, hebreus, egípcios, gregos e romanos já conheciam truques de magia e faziam anotações em textos.
Os grimórios, como conhecemos no Ocidente, são uma criação da Idade Média. Eles misturam conhecimentos de diferentes religiões, mas sempre com conceitos cristãos – um deus raivoso da Suméria, por exemplo, pode ser interpretado como um demônio. Nos séculos 18 e 19, a obsessão dos europeus com a magia voltou com força e muitos desses livros foram traduzidos (a maioria dos originais estava em latim ou grego) e até reescritos. Todos eles continham ensinamentos perigosos, capazes de dar muito poder – tanto que poderia até sair de controle.
Conheça algumas dessas obras.

1) Manual do Papa Leão


Origem – Roma
Data – Século 9
Autor – Leão 3º
O autor, um papa (sim, o líder da Igreja Católica), teria chegado ao poder recorrendo à magia negra das mais pesadas, incluindo a prática de necromancia, ritual que invoca os mortos (leia mais na página 32). Perseguido pelos próprios bispos do Vaticano que desconfiavam de seu segredo, teria escondido na França um livro poderoso. O guardião da obra, o rei Carlos Magno, teria usado o grimório para ampliar seu poder. O texto, uma espécie de diário do pontífice, ensina a manipular as forças do mal para alcançar o poder.

2) Ghayat Al-Hakim



Origem – Oriente Médio
Data – Século 11
Autor – Maslama ibn Ahmad al-Majriti
Em geral, os grimórios são livros curtos e descritivos. Este é uma exceção: contém mais de 400 páginas de ensinamentos tomados da tradição de magia dos árabes. Republicado em espanhol no século 13, ele ensina a conquistar o amor de uma pessoa específica, a curar a pessoa de picadas de cobras e escorpiões e a produzir amuletos mágicos feitos de sangue ou urina. O mago descrito neste livro recorre muito mais à astrologia do que aos demônios.

3) O Livro de Honório

Origem – França
Data – Século 13
Autor – Desconhecido
Um dos mais influentes grimórios da Idade Média seria resultado de uma conferência de mágicos. Em 93 capítulos, o texto ensina a ficar invisível, a encontrar tesouros, a localizar ladrões, a conjurar e controlar demônios, a conversar com Deus e a salvar a própria alma do purgatório. O trabalho é creditado a São Honório, um personagem das origens do cristianismo e de existência não comprovada. Como inspirou o nome de vários papas, é provável que teria sido um mártir.

4) A Chave de Salomão


Origem – Itália
Data – Século 14
Autor – Desconhecido
Este talvez seja o grimório mais famoso de todos. Elaborado durante a Renascença italiana, reúne textos curtos de magia, supostamente escritos por Salomão, que circulavam desde o começo da era cristã. O livro era tão popular na época em que foi lançado que faz parte da primeira lista de obras proibidas, o Index da Igreja Católica. A Chave de Salomão descreve as vestes especiais (parecidas com batinas de padres), os instrumentos místicos (anéis e espadas) e as orações (sempre em latim) que deveriam ser usadas para invocar e aprisionar demônios, que se tornariam trabalhadores escravos atuando a favor de quem os invocou.

5) O Livro de Abramelin


Origem – França
Data – Século 15
Autor – Abraão de Würzburg
O Autor – descreve a sua busca pelo esoterismo e seu encontro com Abramelin, um mago que vivia no Egito. Ele teria ensinado Abraão a voar, a viajar pelos mares, a criar exércitos do nada e a ressuscitar os mortos. Para atingir esse nível de poder, ele teria de passar por um longo processo de purificação, que incluía comer o mínimo possível, ficar sem sexo e reduzir o sono a três horas por dia. No fim da etapa, o aprendiz poderia aprisionar demônios e obrigá-los a cumprir tarefas. Republicado no século 19, o livro influenciou a wicca e os magos contemporâneos.

6) De Pythonicis Mulieribus



Origem – Itália
Data – Século 15
Autor – Ulrich Molitor
No livro, um professor de direito escreveu um longo artigo em defesa das bruxas, alegando que elas eram apenas mulheres vítimas do diabo. Para reforçar sua argumentação, ele explicou, com grande riqueza de detalhes, diferentes maneiras de entrar em contato com demônios.

7) Manual de Mágica Demoníaca de Munique



Origem – Alemanha
Data – Século 15
Autor – Desconhecido
Escrito por um ilusionista, o grimório ensina a conjurar forças do mal para manipular a mente das pessoas e induzi-las a cometer atos ilícitos, como praticar crimes. Um dos feitiços, inclusive, ajuda a enganar exércitos inimigos, fazendo-os enxergar mais soldados adversários do que realmente existiam.

8) De Praestigiis Daemonum et Incantationibus ac Venificiis


Origem – Suíça
Data – Século 16
Autor – Johann Weyer
Também conhecido como Os Truques dos Demônios, um dos mais populares livros de demonologia de todos os tempos, é obra de um pesquisador holandês também conhecido como Wierus. Ele ensina a reconhecer os demônios, com o objetivo de escapar de seus truques. Wierus argumenta que os seres infernais se organizam com uma hierarquia rígida e se dividem entre príncipes, ministros e embaixadores. O pesquisador lista espantosos 745.926 demônios, divididos em 1.111 legiões que respondem a 72 príncipes. Um anexo da obra, que circulou com o nome Pseudomonarchia Daemonum, descreve centenas desses monstros e explica o poder de cada um deles. Não ensina a conjurá-los, mas explica como se defender da influência maléfica sobre as pessoas – especialmente dos sete pecados capitais.

9) De la Démonomanie des Sorciers



Origem – França
Data – Século 16
Autor – Jean Bodin
O autor, um jurista respeitado, descreve um sabbath negro – as assembleias de feiticeiros que fazem homenagem aos demônios. O relato, cheio de detalhes, explica até mesmo como invocar os íncubos e os súcubos, os seres demoníacos capazes de fazer sexo com seres humanos. Também ensina a invocar um ser das trevas e convencê-lo a possuir o corpo de pessoas vivas.

10) O Grande Grimório


Origem – Itália
Data – Século 16
Autor – Antonio Venitiana del Rabina
O Vaticano possui o livro, mas não permite nenhum tipo de acesso a ele. Só esse mistério já justifica o interesse na obra, também conhecida pelos nomes O Dragão Vermelho e O Evangelho de Satã. Não existem muitos detalhes sobre o autor, que teria sido um mago em Veneza. Ele afirmava ter tido acesso direto a textos escritos pelo rei Salomão. Um deles, publicado neste trabalho de duas partes, ensinaria a firmar um pacto com Satanás em pessoa – seria a conexão mais maléfica e poderosa que um ser humano poderia almejar. O livro, que seria totalmente resistente ao fogo, listaria uma série de orações em latim e hebraico, capazes de invocar o chefe dos demônios e convencê-lo a conversar.

11) Livro de São Cipriano


Origem – Portugal
Data – Século 17
Autor – Desconhecido
São Cipriano de Antioquia, do século 3, teria escrito este livro de receitas mágicas: orações, feitiços de cura e para atrair um amor. Na verdade, a coletânea de orientações surgiu na Península Ibérica e influencia ainda hoje as religiões populares da América do Sul – especialmente a umbanda.

12) A Chave Menor de Salomão


Origem – Holanda
Data – Século 17
Autor – Desconhecido
Inspirado em uma grande variedade de fontes, especialmente A Chave de Salomão, foi publicado como se fosse escrito pelo rei Salomão em pessoa. Ele ensina a prender demônios, faz uma lista dos 72 que ele conseguiu vencer e alerta para os perigos de lidar com os seres do inferno – o monarca diz que teria sido induzido a abandonar Deus e a adorar demônios. O primeiro dos cinco capítulos da obra, e também o mais famoso, se chama Ars Goetia (leia mais na pág. 18).

13) A Franga Preta


Origem – França
Data – Século 18
Autor – Anônimo
Muitos grimórios foram escritos nessa época, mas se apresentavam como se fossem manuscritos antigos redescobertos. Este texto é de autoria de um militar anônimo que diz ter participado das campanhas de Napoleão e tido contato com antigas artes de criação de anéis e talismãs mágicos.

14) Sexto e Sétimo Livros de Moisés



Origem – Alemanha
Data – Século 18
Autor – Desconhecido
Uma tradição muito antiga aponta que livros religiosos tradicionais, especialmente a Bíblia e o Alcorão, guardam poderes mágicos para quem souber interpretá-los. Moisés, capaz de lançar as dez pragas sobre o Egito e de abrir o Mar Vermelho, é considerado por muitos intérpretes um mago de grande poder. Esses dois livros ensinariam os bastidores das histórias relatadas nos primeiros cinco textos do Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A tradição judaica considera que esses textos foram escritos por Moisés. O sexto e o sétimo livros ensinariam a provocar pragas: fazer as águas dos rios ficarem vermelhas, piolhos e gafanhotos atacarem tudo, o Sol desaparecer do céu – e, a pior de todas, provocar a morte de todos os primogênitos.

15) Oera Linda


Origem – Holanda
Data – Século 19
Autor – Cornelis Over de Linden
Cornelis diz que recebeu o manuscrito de seu avô, um texto que retrataria conhecimentos de mais de 3 mil anos – inclusive supostos documentos do continente mitológico de Atlântida. Tudo indica que foi ele mesmo o autor. O livro ficou famoso porque ensina rituais que os nazistas místicos e ocultistas praticaram.

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