Novelas

um desastre chamado classe 406, uma retrospectiva

10:36


Classe 406 é mais uma das obras juvenis de Pedro Damían, sucedendo dois sucessos estrondosos de Damian, Amor a Mil Por Hora e Amigas e Rivais, e sendo sucedida por Rebelde, a trama figura como a sombra do primeiro fracasso do autor, que até então, só colecionava hits. A novela vendia-se como série, sendo dividida em temporadas e prometia ser um trabalho vanguardista - o de certa forma pode ser que tenha sido. 

A trama gira em torno de um professor, Francisco (Jorge Poza), que se muda pra Cidade do México, após receber a tarefa de lecionar na pior escola da metrópole, uma instituição agregadora de jovens rebeldes e complicados demais. Lá ele terá contato com os piores tipos de jovens, que inicialmente ele repudia, por suas controversas, mas com a ajuda da psicóloga Adriana (Alejandra Barros) que visa reestruturar esses jovens, lentamente vai conseguindo se adaptar àquele caótico universo. No meio disso, três jovens, melhores amigas, servem como pano de fundo pra trama principal. Gabriela (Sherlyn González), Marcela (Dulce Maria) e Madalena (Irán Castillo), servem conflitos complicados de tecer e de se digerir.





Uma grande problemática: 

Gabriela, que é muito pura e ingênua, vive um flerte com o desordeiro Fercho (Christian Chávez), mas em uma festa depois de embebedá-la, o rapaz abusa sexualmente da moça, que fora de si, não consegue perceber com clareza o que de fato aconteceu. O plano fazia parte de uma aposta  do rapaz com seus colegas para tirar a virgindade da moça. Daí em diante vemos a personagem se apaixonar pelo homem que a estuprou, manter um vínculo com ele e o pior, acusando o cara errado por seu infortúnio, nesta ocasião o personagem Thales, vivido por Kuno Becker. Para piorar, Gabriela se descobre grávida e decide realizar um aborto, sendo julgada por todo à sua volta, sendo que mais tarde a mocinha começa lentamente a perceber e encontrar provas da verdadeira identidade de seu agressor, que neste ponto se apaixonou pela sua vítima. 

Depois dos panos limpos, Damían tenta, inutilmente, regenerar Fercho, através de sessões de terapia com Adriana, que esmiúça sua vida marcada por violência fraternal e abusos familiares; contudo, o público não compra a ideia e, não para menos, rejeita não apenas o casal, mas também a mocinha. Mais tarde, a direção ainda tenta criar um clima entre Gabriela e Enrique (Aaron Díaz), irmão de Marcela e crush de sua melhor amiga, Madalena, mas não rol química. 

Tocar em temas polêmicos como estupro e aborto, desencantou o público, que a partir daí começou a negar a trama, e com razão. Gabriela, apesar da fragilidade típica da mocinha mexicana, não tinha química com nenhum personagem, e o único que tinha, era na verdade seu agressor. Resultado: a mocinha passou o restante da primeira temporada apagada, sendo posteriormente, vítima dos ataques de uma Madalena enciumada e disposta a estragar qualquer interação - sem química - entre Enrique e ela.



 

Uma personagem complicada demais: 

Por falar em Madalena, talvez seja esta personagem a maior vítima deste caos todo. Madalena, que era a mais periférica das amigas, além de cometer furtos e agredir outras alunas, atuava em atos criminosos, como: vender drogas aos outras alunos e participar de gangues de bairro. A personagem passa metade da primeira temporada sendo uma pedra no sapato do professor Francisco, por isso não tem tempo pra desenvolver seu crush por Enrique, que só será lembrado pra movimentar a trama na reta final da primeira temporada. Próximo de sua sentença final, Madalena perde a mãe num tiroteio, torna-se insuportável e mimada de uma hora pra outra e assalta uma velha. Resultado: a personagem é morta sem mais nem menos, livrando a trama de seus dramas trágicos.

Madalena, com toda certeza era pra ser a personagem mais interessante de tudo isto, mas conseguiu ser a mais complicada. É nítido que ninguém estava preparado pra lidar com essas questões, do roteiro à direção. Ao contrário do que se pretendia, achou-se mais fácil matar a personagem do que tentar resolver seus problemas. A verdade é que este desfecho causou muita dor de cabeça para Damían, já que Irán teria ficado chateada com a decisão, motivando uma revolta nos bastidores, apoiada por diversos atores da trama. Aqueles que apoiaram a movimentação até o fim também foram demitidos, como é o caso de Karla Kosso, que interpretava Sandra, personagem lésbica. Contudo, após haver apaziguação, Karla volta para a quarta temporada. A zona não para por aí:




Um casal interessante, mas a trama não colaborou: 

Marcela, que das três protagonistas é a que carrega o discurso, lívido, feminista, promete não se apaixonar, mas acaba tendo uma paixão imediata pelo bobão Juan (Alfonso Herrera). O casal tinha muita química, e era o que prendia a - valente - audiência que ainda permanecia. Contudo, Damían, dá um tiro no próprio pé ao revelar que o personagem traiu a personagem com Marina (Ana Layveska) e ainda por cima a engravidou. Marina, agora grávida decide ficar com a criança e esconder a traição de Marcela. Contudo, quando seu irmão Esteban, vivido por Sebástian Rulli, descobre tudo, arma uma emboscada pra dar um susto em Juan, que acaba resultando num acidente onde Juan termina por perder a memória (?). Este foi o artifício de roteiro pra esticar esta trama, que já se encontrava marasmo. A partir disto se acompanha o entediante dilema de Marina: contar ou não contar que está gravida de Juan. 

O público torceu o nariz, óbvio. O casal que deveria ser o principal ponto romântico da trama, passa quase toda a primeira temporada desfigurado. O telespectador tem de acompanhar o drama sem sentido de Marcela sofrendo pelo sumiço desnecessário de seu amado, e quando ele volta, Marina decide contar tudo, fazendo o relacionamento entrar noutro marasmo. Pra piorar, Marina sofre um aborto espontâneo, por causa de uma grave anemia, que vai resultar numa barriga (maior do que a personagem ostentou enquanto grávida), na segunda temporada. 

O fim da primeira temporada não poderia ter sido mais bagunçado e indesejado. A segunda temporada, que foi bem menor, se arrastou, guerreira, penando resquícios do que ficou mal resolvido ente Juan e Marcela e escorando-se na doença de Marina. O professor e a psicóloga? Ninguém viu e quem viu, desviu. Quem também perde importância total é a pobre Gabriela, que virou figurante de corredor em diversos capítulos. Mas ainda havia solução.




A entrega de vez ao folhetim

Desde a primeira temporada, Michele Vieth vivia a típica e insuportável "bitch basic", arquétipo comum nas novelas de Damían. À sombra, aparecia de vez em quando falando de um namorado que lhe dava presentes caros - e roubados -, que era mais velho e mais legal. Depois que ele também é morto (no mesmo evento que também sentencia Madalena), Nádia arruma um suggar daddy, na segunda temporada pra bancar seus luxos, sendo que numa desta, o velho acaba morrendo num motel barato, após abusar do Viagra. Nádia é exposta e todos, inclusive sua família, descobrem sua verdadeira profissão. A personagem contará com o apoio emocional de outro professor, Santiago (Francisco Gatorno), personagem até então coadjuvante, que nesta altura se vê num casamento desgastado. Os dois passarão a ter um caso, proibido e intenso que chamará a atenção do público no final da segunda temporada, que fica sedento pra saber de todos vão descobrir, mais uma vez, os podres de Nádia. 




Com advento da terceira temporada, a trama parece ter sido finalmente colocada no lugar. A chegada da personagem Jéssica, interpretada por Anahí, foi a cereja do bolo pra atrair de vez o público e consolidar a audiência da trama de vez. Após ser castigada pelos pais, por causa de seu comportamento subversivo, Jéssica é obrigada a frequentar a fatídica escola onde Classe 406 se passa. A trama se entrega de vez ao folhetim, permitindo-se ser novela, quando insere essa típica vilã de novelas na trama. Anahí com toda a sua carisma, e crescente fandom, já que nesta fase era o nome teen mais importante do país, conquista a todos, tornando-se a protagonista da trama. Sua obsessão por Santiago, que começa num dia em que ele acaba transando com a personagem sem saber que ela seria sua aluna, é o mote central desta fase e que leva a personagem a aprontar todo tipo de vilania. Fashion, sarcástica, sensual, biscoiteira, irônica e principalmente fora de tom. Após ser rejeitada pelo professor, a aluna expõe seu caso com Nádia, que a esta altura do campeonato ninguém se importava mais, já que instantaneamente Jéssica e Enrique assumem uma química eletrizante, tornando-se o casal favorito do público. 


Uma quarta temporada explorando os dramas deste casal se resulta, onde Jéssica diagnosticada com transtorno borderline, passa por uma jornada de redenção, à medida que precisa se provar uma boa pessoa e manter a boa compostura. 




É interessante perceber que quando Classe 406 se reconhece como uma novela é que, enfim, se estabiliza. É inclusive desta fase os milhares de gifs de Anahí reproduzidos a rodo pela internet. Claro que a escolha de Anahí para interpretar Jéssica foi uma interessante jogada de marketing. Além de gozar de uma gigante popularidade no México, e consequentemente tudo que ela fizesse resultaria em sucesso; a atriz abraçou o tom necessário pra salvar a trama e a carreira de Pedro, afinal não posso afirmar com certeza se a Televisa aceitaria Rebelde se Classe 406 se consolidasse como um fracasso.  

Embora Classe 406 nunca tenha ganhado uma reprise, reforçando antipatia da emissora pela obra, esta se tornou a obra mais emblemática de Damían. Mostrando-se como um passo perigoso na noite escura, ousou à sua época por abordar temas considerados tabus pela massa conservadora que consumia televisa. Contudo, quando se caminha no escuro, pode-se cair, e foi exatamente isso que aconteceu, Classe 406 derrubou o horário e quase derrubou junto a credibilidade de Damían, no entanto, sempre é possível se reerguer, e isso também aconteceu. 





Novelas

a mentira, segue sendo uma das melhores novelas mexicanas

08:36

 

e eu estou falando da versão de 1998, embora seja a única com este nome, o argumento já teve diversas  adaptações...


um enredo demasiadamente chamativo porque a mentira tem perna curta

Sem sombra de dúvidas este é um dos argumentos mais originais das tramas mexicanas. Ricardo (Rodrigo Abed) amava Virgínia (Karla Álvarez), mas ela só queria tentar lhe dar um golpe (e estava dando certo), mas quando seu primo, João (Sergio Basañez) retorna da Europa ela vê a oportunidade perfeita pra um golpe mais seguro e dispensa Ricardo que extremamente injuriado ao perceber o golpe se suicida. Contudo João se apaixona por Verônica (Kate Del Castillo), sua outra prima e os planos de Virgínia vão por agua à baixo. Acontece é que Demétrio (Guy Ecker) irmão de Ricardo volta para vê-lo e descobre tudo o que aconteceu. Disposto a se vingar ele vai atrás da mulher que arruinou a vida de seu irmão, mas acaba se confundindo, pensando se tratar de Verônica, por quem se apaixona imediatamente. Percebendo, Virgínia implanta provas e joga todo a culpa para cima da prima que é difamada e subjugada. Para piorar Demétrio e ela se casam e juntos vão para uma pequena cidade inóspita, onde morava Ricardo. Lá Demétrio fará Verônica pagar pelo o que não cometeu, todavia, contudo ele se confunde entre amor  e ódio. O jogo vira quando Virgínia é desmascarada e Verônica tem sua dignidade recuperada tomando forças para conseguir se estabelecer e agora Demétrio é quem terá que sambar até conseguir recuperar o amor de Verônica.

Aqui nos temos uma história atraente que atiça o telespectador. Contada num tom policial vibramos à medida que a verdade vem à tona, mas a trama não se vale apenas disso. Temos um enredo muito bem explorado sobre tráfico de drogas e o consumo de drogas. Observamos o salafrário amigo de Virgínia seduzir e induzir jovens, à medida que os traficantes interferem nos negócios da família Negrette. 

Realizada para o horário pra 17hrs, a novela fez um sucesso estrondoso tornando-se a versão mais interessante dessa trama.

atuações mais naturalistas

Estamos acostumados com o exagero caloroso, até mesmo irreal, das telenovelas mexicanas. Esse é um estilo de atuação famoso por lá que chega às vezes passar uma certa inverdade. Mas, nesta novela podemos contemplar atores tentando fazer as representações mais naturalistas possíveis. Não há aquele desespero tradicional nas suas feições. Kate Del Castillo se mostra uma das melhores atrizes novelística da sua geração. Ela é centrada, carismática e está completamente dedicada à sua personagem passando assim muita verdade com a sua atuação. Você sinceramente é levado pra dentro do contexto. Guy Ecker, nosso brasileirinho, com certeza é o que chama mais atenção. Acostumado com roteiros policiais, o ator entrega uma atuação quase americanizada. Suas feições não são exageradas, mas elas são o suficiente pra chegarmos à conclusão de que talvez ele se trata de um psicopata. Karla, com sua cínica atuação, também não fica atrás. Aqui ela se mune de uma persona muito ingênua, mas consegue ser ácida o bastante pra haver desconfiança. Ela faz questão de parecer que é fingido e está nítido que sua bondade é duvidosa e só não vê quem não quer. Fora o trio principal toda a gama de atores selecionados está bem centrada no naturalismo das expressões. Destaco a presença de Rosa Maria Bianchi, grande dama do teatro mexicano que apesar de atuar num papel coadjuvante o representa com maestria. 

(adendo: não estou dizendo que as atuações exageradas são ruins, você consegue captar a mensagem através da exuberância, mas deve-se entender que o objetivo de A Mentira é criar uma obra mais realista, focada na captura natural das expressões humanas.)


personagens mais complexos

Os três personagens principais são bem mais complexos que estas tramas realmente costumam apresentar. Geralmente eles tendem a são superficiais e nos mostram poucas camadas. Demétrio é com toda certeza o melhor personagem nesta versão. Vemos os conflitos internos e morais do personagem que se descasca bem na nossa frente. O vemos agressivo, complexado, irônico e perturbado. Ele ama Verônica por que a acha a mulher de sua vida, mas odeia Verônica por achar que ela é a causadora de todo mal. O Fascínio, o desejo, a paixão e ódio andam juntos nesta ocasião. Todo comportamento dúbio do personagem, por mais que seja complicado, é justificável. Enquanto isso acontece podemos assistir uma Verônica confusa e que deseja entender tudo o que acontece ao redor. Ela almeja sair deste relacionamento, tem medo, mas também sofre de uma espécie de Síndrome de  Estocolmo, mas não exatamente. Entretanto, Verônica não é apenas uma mocinha convencional. Ela não chora ou sofre injustamente neste primeiro momento. Ela quer descobrir  o que está acontecendo e qual é o motivo por estar sendo tratada tão mal pelo homem que  anteriormente a havia seduzido. Ela peita o comportamento dele e este talvez seja o melhor momento da história. Quando os dois personagens exalam tanta química nas cenas calorosas de briga carregadas de emoção e mobilidade. Verônica tem uma personalidade forte e marcante, mas ela não é uma deslocada ou uma barraqueira desajeitada, muito pelo contrário. Contudo à medida que tragédias e mais tragédias vão acontecendo na vida da personagem a vemos se tornar cada vez mais fraca emocionalmente. A um passo que depois de um sequestro, duas tentativas de assassinato e um falso diagnóstico de câncer ela está completamente desestabilizada e sem estruturas precisando do apoio emocional de todos à sua volta. Então toda aquela força dá lugar a uma fragilidade e carência justificável. Parece até que ela segue o caminho contrário das mocinhas típicas (primeiro frágil, passa por um mundarel de coisas e então se torna decidida e voraz). É notar então o trabalho para humanizar esses personagens. Ninguém depois de passar por uma penca de acontecimentos trágicos se torna alguém pleno ou constante. Talvez a personagem que mais tenha me deixado surpreso tenha sido Tia Sara. Depois de recriminar o comportamento mais pra frentex e livre de Verônica, quando descobre que foi  dura demais com a mesma para privilegiar Virgínia, entra num sentimento de tristeza profundo. Ela se sente mal e culpada por tudo de errado que se deu e obviamente envergonhada por ter desprezado tanto a sobrinha, sempre julgando-a. Desde o início nós sabemos que Sara não é uma vilã, ela não se motiva assim, mas sua hipócrita e conduta moralista é antagônica à personalidade de Verônica; e grande parte dos acontecimentos se dão por consequência disso, e ela sabe disso quando descobre que foi manipulada. O conflito não dura apenas alguns capítulos, podemos perceber que Sara está completamente arrependida e por mais que peça desculpas e seja então desculpada essa sensação não passa, ela precisa se desculpar constantemente pois sente o peso da culpa. Mas esta culpa não a impede de sentir mal e também compadecida quando Virgínia fica tetraplégica. Apesar de ter seus motivos para desejar que ela desapareça ela ainda tem a sua humanidade. É tudo muito conflituoso nesse sentimento. Não é como se ela esquecesse disso alguns capítulos depois. Percebe-se que essa é uma outra tentativa de deixar a história mais realista.

a mentira tem perna curta

Mas esta não; acredita? É impressionante o legado que A Mentira deixou, não só apenas pela sua trama que rendeu diversos remakes, mas também na sua criatividade visual. As novelas para o horário das 17h geralmente recebiam orçamentos menores, por isso contavam com uma produção mais reduzida. No entanto, Sotomayor não se declarou vencido. Sabendo que não teria cenários tão surpreendentes ele decidiu trabalhar com a sua câmera e entra aqui uma das telenovelas mexicanas que mais trabalhou com a fotografia e seus recursos, explorando muitas alternativas possíveis que deram uma característica própria à obra. 

Sotomayor utiliza muito do zoom pra decorar a fotografia. Podemos vê-lo usar aquele zoom de close, muito característico no cinema nos anos 70. Outro recurso foi o dolly zoom (famoso efeito vertigo) usado por um par de vezes em diversas situações. Teve uma hora que parecia que a cama de Verônica estava sendo puxada, deu uma vertigem (haha). Entre estas técnicas de filmagem, as que mais chamam atenção com certeza são as de perspectiva. Algumas vezes a câmera toma o olhar de algum personagem, às vezes ela se movimenta com ele dando uma sensação atmosférica, como se nós estivéssemos lá ou mesmo quando ela está filmando de baixo para cima ou de cima para baixo, por entre portas ou curvas. Hora ou outra a câmera caminha em volta dos personagens circulando-os, faz planos de corte único. Recursos de composição de imagem também são usados. Percebemos influências dos filmes noir, com persianas refletindo nos personagens, imagens contra luz e silhuetas e muita sombra em determinados momentos.

Quando se trata de telenovelas (e eu falo das latinas num geral) ousar na fotografia parece algo arriscado e que pode afastar o público, mas se feito de maneira correta trás o dinamismo necessário. Nas tramas brasileiras atuais temos visto muitos esforços pra tentar trazer algo diferente (seja uma câmera que acompanha os movimentos dos personagens em Avenida Brasil, sejam os ângulos rebuscados de Verdades Secretas ou na poesia dos cenários encantadores de Velho Chico e Meu Pedacinho de Chão), tornou-se quase um pouco comum para as tramas televisivas por aqui apostarem em recursos que geralmente são usados no cinema, mas ainda hoje, no restante da América Latina, encontramos uma certa resistência e mesmo que eles já tenham algumas tramas mais ousadas, como as narconovelas, a câmera ainda é contida, estática e preguiçosa e quando tenta algo diferente se vale de closes ou relances dos blockbusters hollywodianos. É realmente interessante que A Mentira tenha se amparado à fotografia para disfarçar seu baixo orçamento, mas isso acabou criando uma corajosa ambição que a fez sair à frente de suas irmãs de época. 

A verdade saindo nua do poço

Apesar de muito interessante o enredo teve uma barriga a partir da segunda metade, que dura do capítulo 60 ao 85. São quase 20 capítulos tentando se sustentar nas tramas paralelas que embora tenham sua importância, como o plot de  Karla e Pêpe com as drogas e seu final trágico, mas isso não é o suficiente. Carlos Sotomayor aproveitou a audiência pra esticar a trama até o capítulo 100, mas não teve criatividade suficiente pra movimentar a trama principal, que na verdade é o ponto alto dessa novela. Durante este período nada de realmente relevante acontece com Verônica e Demétrio, com algum esforço uma personagem aleatória surge na trama pra tentar atrapalhar o romance, mas ela simplesmente consegue fazer o plot entrar num marasmo ainda maior e ficou claro que este era apenas um recurso de esticamento. Além disso, desta barriga em diante, a trama ganha um ar mais folhetinesco e menos ousado, na questão fotográfica talvez pra segurar o público, que estava totalmente vidrado a esta altura  do campeonato. De bom é que nessa fase quem realmente movimenta a trama com todo fôlego é Virgínia, que com suas tramas e pilantragens consegue colocar algum tempero nesta barriga. Apesar disso, nos capítulos posteriores o folego é recuperado, mas Virgínia continua sendo o destaque. E isso é curioso, pois se na primeira metade a vilania de Demétrio é quem toma rumo deixando-a como uma coadjuvante; na segunda metade, porém, ela recupera seu lugar e se torna uma vilã digna para trama que explora com vontade o cinismo e ingenuidade que e  personagem consegue transmitir, graças à interpretação louvavel de Karla Álvarez.


meia verdade é sempre uma mentira inteira...

Longe de ser uma das favoritas do público, embora o casal protagônico figure muitas listas dos top 10 melhores casais de novelas, a Mentira se consolidou como uma verdade. Seu sucesso não está pautado apenas nos seus altos índices de audiência (com 28,7 quando a média era 17 pontos; um fenômeno popular), mas também se valida através do seu legado. Sua coragem em apresentar protagonistas com motivações dúbias (seja o complexado anti-herói Demétrio ou a nada convencional mocinha Verônica), em apostar numa fotografia corajosa e sua despretensão para o óbvio ajudam a firmar seu nome no hall da fama das grandes novelas clássicas mexicanas e talvez uma das mais vanguardistas no contexto que lhe cabe. Dizem que a mentira corre mais rápido que a verdade e eu devo concordar que lá em 1998 A Mentira já estava bem à frente do seu tempo. Diferenciando-se das novelas rosas por total, apresentando conceitos, jeitos e formas que apenas viriam a ser explorados anos mais tardes nas telenovelas; consolidou-se como um clássico memorável, relevante e influente. Seus seis prêmios  no TV Novelas (maior premiação de telenovelas no México) e sua indicação ao Emmy Latino comprovam isso. Lançada em 1998 segue influenciando de maneira absurda o meio novelístico e talvez por isso eu deva dizer que pelo menos esta mentira tem perna longa.

Novelas

a usurpadora, um dramalhão refinado

18:52



Tem algo diferente em A Usurpadora que o tempo se encarregou de mostrar. Com aquela trilha sonora lounge jazzística e clima de anos 90, esta novela estava totalmente destoada de suas contemporâneas, à frente e particularmente mais degustante do que suas irmãs de época. Há uma sedução instigadora no clima dessa trama. Não está somente no ar ou na ambientação. Está no texto, no argumento e nas características que os personagens possuem. Assistir A Usurpadora pela sexta vez me fez perceber o quão interessante é a realidade desta novela. Eu posso ouvir a melodia dessa trama, algo como Smooth Operator, da Sade, que inclusive daria uma ótima música pra trilha sonora. 

Quando eu digo que o tempo se encarregou de mostrar o valor desta novela, eu estou dizendo que seu sucessos não é superestimado. A novela simplesmente não ficou datada ou parece estar perdida no tempo. Embora evoque uma nostalgia provinciana e típica noventista o roteiro vai além disso pois permanece atual mesmo que sua história principal seja a mesma clichê de sempre da troca dos irmãos gêmeos. Céus! E como existe isso nas novelas, mas parece que nenhuma delas conseguiu levar isso pro mesmo patamar que A Usurpadora conseguiu. 



uma mocinha não tão mexicana assim...

Quem acompanha a teledramaturgia mexicana, ou pelo menos se esbarrou alga vez na vida com os títulos mais famosos, pôde perceber que parece haver uma regra onde a protagonista deve ser totalmente frágil e ingênua, boba o suficiente pra cair nas tramas da vilã, assim como desajeitada o suficiente pra se encaixar num universo que não a pertence. Maria Mercedes, Maria do Bairro, Marimar, Maria Isabel, Esmeralda, O Privilégio de Amar, Rosa Selvagem, A Madrasta... São muitos títulos com o mesmo arquétipo servindo de protagonista, quase todos aliás. Embora Paulina seja cheia de bondade e esteja sempre disposta a ajudar, ela não se resume a isso. Na verdade Paulina tem duas características primordiais que faltam à Paola: Ambição e Inteligência. Paulina é o mais puro exemplo de uma pessoa determinada. Quando ela chega na casa dos Brachos seu principal desejo é recuperar a dignidade daquela família disfuncional. Primeiro ela tira a Vovó Piedade do vício porque sabe que com ela terá apoio para seus futuro projetos na empresa, depois ela tenta dar uma ajuda mínima para Angélica que está com sua autoestima extremamente prejudicada e por fim, depois, ela recupera a fábrica criando um revival financeiro nos negócios da família. Tudo isso poderia ser interpretado como: "Paulina tem um coração tão bom", mas uma fala em específico da própria mocinha parece mudar completamente toda a dinâmica das suas ações. Quando a outra liga pra avisar que está voltando pra sua vida Paulina pensa: "Ela vai estragar tudo que fiz. Todo o meu esforço terá sido em vão?" Essa preocupação inicial nos mostra que a mulher simplesmente estava encarando isso como um projeto pra sua realização pessoal, um desafio. Em seguida vem uma reflexão sobre sua dedicação ter sido vã, logo seria um tempo perdido com nada. 

Paulina se sente realizada com seu poder e sucesso na empresa. Quando ela ganha a Vovó Piedade ela simplesmente tem o aval pra fazer o que quiser com os negócios da família. E assim ela faz, mostrando ter muito mais capacidade e visão empreendedora que todos os Brachos. Mas com certeza seu maior acerto, além de ter ganhando o coração das crianças, foi se entregar quando percebeu que o cerco estava fechando pra ela. Além de saber que sua pena poderia ser diminuída se caso fosse condenada, esperta ela também se pôs no papel de mártir. Assumindo a barra toda ela sabia muito bem que ganharia pontos com Carlos Daniel e Rodrigo e consequentemente eles iriam depor em seu favor.

Paulina foi uma excelente manipuladora e demonstrou uma eficácia maior nessa arte do que sua irmã descompensada. Talvez seu maior erro tenha sido sua tentativa de ganhar Angélica, que mesmo depois de tudo continuou renegando uma aliança (ou apoio) à usurpadora. A verdade é que Paulina não deu um passo falso nessa situação toda e manter-se imaculada perante Carlos Daniel foi o essencial pra entender a sua posição e se afirmar dentro do jogo. Pra uma pessoa que cresceu beira mar sem ter a oportunidade de fazer uma graduação no ramo dos negócios, ela se mostrava uma pessoa com muita visão de mercado.



ela nem era tão malvada assim e isso que era legal

Talvez a coisa mais perversa que Paola tenha pensado em fazer foi quando ela disse que comeria a língua da Elvira ou quem sabe quando disse que mataria Lalinha, mas ela era apenas uma mulher debochada e cínica. Paola não tinha intenção de matar ou ferir ninguém, afinal, tudo que ela queria era poder se divertir e curtir a vida como uma descompensada. Penso em quantos sugar daddys ela teve na sua adolescência. É sério, eu me pergunto isso. Sabemos tão pouco da vida de Paola e ela faz questão de esconder tudo mesmo, mas de uma maneira sutil, de uma forma que o publico se quer chega a perceber. Paola tinha seus complexos. Aposto que não conhecer sua verdadeira mãe era um deles e provavelmente se sentia mal por sua família adotiva não se importar com ela. Isso fica evidente nos capítulos finais e percebemos o quão desesperada e sozinha ela está. Cheia de inseguranças e desajustes ela tenta prejudicar a própria família de seu marido pedindo 1 MILHÃO DE DÓLARES pra deixá-los em paz. 

Paola é uma figura sombria, apesar de toda sua carisma e sorriso simpaticamente sensual. O próprio diretor deixa isso claro ao manter a novela por meses sem uma aparição dela e quando aparecia era por telefone. O vilão eram os conflitos e a tensão constante que Paulina sentia ao imaginar que poderia ser descoberta. Toda essa mítica por de trás de Paola é alimentada pela própria direção que tornava-a em um fantasma. Como uma sombra flertando com a escuridão e assim às vezes desaparecia no breu, mas você sabe que ela está ali. Bom o que sabemos sobre Paola no final de tudo? Quase nada, mas é possível tirar uma conclusão. 

Inconstante. Paola era inconstante e pouco inteligente. Várias vezes ela teve a oportunidade de ter todo o dinheiro que almejava ter em mãos, mas ela simplesmente deixava isso escapar sempre e sempre. Percebe-se então que não era apenas pelo dinheiro. O dinheiro era só um meio. Ela não conseguia fixar seus pés no chão, ter um lar ou morada. Alma livre, mas também perturbada. Paola fugia todas as vezes dos seus complexos porque não tinha maturidade ou força suficiente para encará-los. Sempre que estava fixa em uma nova ideia ela começava a ter sonhos, manias e desajeitos e então queria pular pra uma nova aventura sem se preocupar como deixou a anterior. É um vazio constante e uma vontade de suprir isso com fantasias e futilidades. Paola bebia e ia cassinos e clubes pra não ter que pensar em todas as suas frustrações, abandono e solidão. Ela pode ser vista como uma frívola e fresca sem nenhuma empatia, afinal ela sabia que estava errada, mas mesmo assim ela testemunhou contra a irmã, que havia sido obrigada a entrar nessa por ela mesma, e fez questão de perturbar a coitada quando estava presa. Acontece é que o jogo estava acabando pra Paola e havia sido a Paulina quem havia dado o check mate ao se colocar como a mártir. Para ela estar na cadeia seria seu fim e certamente ela preferiria a morte. Imaginava os seus pensamentos corroendo alma até que perdesse toda sanidade. Mas, seu pequeno diálogo com Paulina no final mostra sua genuína vontade de ter conhecido sua mãe, de não ter vivido numa realidade tão abandonada, de ter tido família e  por consequência lar...

Muito menos racional que Paulina, Paola agia por pura emoção tomando decisões precipitadas, convencendo-se do inconvencível. Sua alma era tipicamente perturbada pela ansiedade e sentia-se constantemente vazia. Paola não era naturalmente má, era apenas uma pessoa frágil e ferida demais pra encarar suas coisas. E como diz ditado de facebook, pessoas feridas ferem. Paola é humanizada e transpira verdade nas suas ações, por mais egoístas que sejam.



aqui o buraco é mais embaixo...

Quantas novelas de gêmeos vivendo a vida do outro... Mas quantas delas realmente levaram isso como uma problemática e mais, um crime?

A prisão aqui não parece apenas mais um recurso para vitimizar a mocinha de maneira apelativa e colocá-la como uma coitadinha injustiçada. Paulina cometeu seu crime e teve de encarar isso. Já fazia parte desde o começo. É o argumento inicial e está na abertura da novela. Sabíamos que isso ia acontecer em algum momento. Tudo nesta parte, embora ainda seja um show, é tomado com um tom mais acobreado, dando um requinte pra verdade da situação. Não somente nessas circunstâncias, a situação da empresa depende de um ar mais profissional, demora até que Paulina coloque tudo no eixo de novo. Ela não sabe como fazer, mas tem suas ideias e conta com a ajuda de pessoas do ramo pra tentar reerguer o nome da família Bracho no mercado. O Alcoolismo aqui também não é apenas um merchandising barato e o texto nem se vale disso pra gerar show, estava ali e é um ponto crucial pra união das duas personagens mais presente da trama. É um recurso usado de maneira inteligente pra favorecer a trama, mas ele também se debate como um problema social dentro que se cabe na trama. 



um dia chegarei com um disfarce... 

Se você não se comoveu com o videoclipe (perspicaz aliás) que conta de maneira mais cinematográfica todo o roteiro da novela, pelo menos você conhece essa primeira frase da música. Sabiamente montada essa  melodia consegue te viciar e simplesmente se tornou memorável demais pra ser apenas a abertura de uma novela. É quase um hino de final de tarde. Tudo está ornando de maneira tão sábia nessa música. A entrada com aquele sussurro e vocais embalados apenas por um suave piano. Quando a Flauta e o Clarinete entram ao lado da bateria, ganhando camadas vocais harmonizadas você simplesmente vibra, mas além disso, temos um fervoroso refrão com uma pegada meio rock romântico dos anos 80 (e o que falar daqueles glissandos maravilhosos de sinos?). Se você já ouviu a versão inteira da faixa sabe que se trata de uma mega produção. Não era apenas o acaso. Eles fizeram essa música pensando no sucesso que ela era capaz de atingir. 

As capturas de imagem da abertura são cuidadosamente feitas e harmonizam muito bem com a musica. Aqueles jogos de sobreposição ou aquela cena icônica a la Mulan da Paulina passando a tesoura nos fios ou aquela cena dela sendo presa e Paola assistindo na janela com cara de quem chegou pra chegar? Quando eu assisti a novela pela primeira vez eu simplesmente achava que era assim que a Paulina seria descoberta. É simplesmente empolgante. 



diferentona, barroca e...

Ah! A trilha sonora. O que foi aquilo? Flautas, um jazz safado e o Saxofone. O tema da sensualidade de Paola, seja na sua versão clube ou na versão mais lenta, tornou-se icônico e é tão... tão... tão Sade. Toda a trilha é construída com esse ar meio noir, policial e meio latino. Ela não é apelativa e sabe se portar colaborando pra imagem mais plena e séria que a novela quer passar.  

A direção se encarregou de construir uma paleta mais sóbria, crepuscular e amadeirada pra novela. Tudo está ornando porque essas cores são tão sensuais, mas de uma maneira séria e provocativa. Paulina desfila com seus tons rosados e azuis pasteis pra mostrar a sua personalidade mais branda e paciente, enquanto Leda prefere os tons pendendo pro lilás e púrpuras claros dando a entender a sua personalidade altiva e seu sentimento de superioridade mediante à Paola e Paulina. Mas é dos tons que definem Paola que a novela se recheia. Toda a mansão e empresa estão repletas de uma sensualidade. É como uma cabine vouyer, estamos de fora observando toda essa luxúria pecaminosa e instigante. Paola parece estar presente, como um reflexo da própria existência da trama, em todo o logar. E como já dito antes mesmo que ela não esteja ali, ela simplesmente se impõe, como uma presença fantasma. É a única novela mexicana que eu vi se preocupando com essa questão das cores. 

Além de sua trilha sonora e paleta de cores a novela também acertou na maneira como iria se desenvolver. Contada como um romance policial o clima de tensão tende a aumentar cada vez mais. À medida que Paulina está sendo descoberta e Paola tem medo de ser pega no pulo a novela ganha tons mais nublados e um acúmulo de tensão se dá. É o melhor momento disso. Tudo ali te instiga a continuar assistindo sem parar. Está tão viciante e então vem o boom. Paola simplesmente volta e traz com ela mais uma série de conflitos desordenados pra que a trama resolva. Num geral a novela é bem amarrada (incomum para uma novela mexicana), com um ótimo argumento e desenvolve muito bem os personagens que se propõe a desenvolver. 

Podemos por isso concluir que A Usurpadora não é apenas, talvez, a melhor novela mexicana, mas figura no top 10 das melhores do mundo. E não importa se você não gosta desta novela apenas pelo estigma de novela mexicana, assim como o vinho ela vem se tornando cada vez melhor com o passar dos anos. Salvador Mejía fez aqui seu melhor trabalho como novelista.

Atualmente sendo exibida pela sétima vez no SBT, a trama será em breve comprada pela Rede Globo que almeja, desde o ano passado, inserí-la no catálogo do Globoplay. 

Novelas

manoel carlos e a sua delicada crônica do cotidiano

12:13


cenários aconchegantes...

 Com toda certeza Manoel Carlos é o autor de novelas mais refinado da teledramaturgia brasileira. Há uma coisa aconchegante nos seus textos. Aquelas situações tão cotidianas e aquele diálogo despretensioso que quase te convidam a fazer parte daquela situação. É uma conversa no café da manhã, é uma conversa na fila do banco ou até mesmo com uma desconhecida no elevador. Não é um assunto sobre um acontecimento do roteiro, e nem mesmo pretende ser, é uma conversa sobre o clima, sobre o calor, sobre um desencontro ou sobre as últimas férias de verão (já que no universo do Maneco ter férias de verão é uma realidade) e suas possíveis desventuras. Esse diálogo não está ali pra movimentar a trama ou se quer pra dar andamento na história, ele surge como um recurso de ambientação. Como uma estratégia pra aproximar o público daquela burguesia boêmia e cheia de "white people problems" e de certa forma ele consegue fazer isso muito bem. 

Eu jamais foi ao Leblon (fui à praia somente duas vezes) e se quer sei o que é passar a manhã numa mesa de café gigantesca  debatendo sobre a violência urbana do Rio, mas eu consigo me sentir inserido neste cenário justamente por ser uma conversa tão cotidiana, às vezes trivial. É a conversa que eu teria com meu amigos ou minha  mãe na hora do desjejum ou do almoço. Provavelmente se eu estivesse num elevador com uma pessoa desconhecida ou até com um vizinho menos íntimo eu estaria reclamando do calor, isso é tão real. É uma conversa corriqueira, simples e tão presente no dia a dia. Estes cenários tão confortáveis criam escapes quase que imperceptíveis para o telespectador. É a casa  da vó, é um aras com cheiro de roça, é uma ida a pracinha com as amigas, é uma festa junina de bairro...


tempo pra respirar...

Maneco possuí verdadeiros melodramas. Isso é, são tramas tipicamente novelísticas e dramáticas. Ora pois, uma mãe que perde o próprio namorado para filha adolescente que mais tarde sofre de um câncer e esta mesma mãe como um último recurso pra salvar a filha decide engravidar. São dramas que poderiam render novelas cheias de peso e carga emocional demasiadamente pesada. Quase uma tragédia grega, mas ele nos dá constante momentos  pra absorver a trama e digerir o que vai acontecer ou está acontecendo com tanto naturalismo que nós nem se quer percebemos isso. 

Tomemos por exemplo o argumento inicial de Por Amor: Helena (Regina Duarte) é uma mulher de meia idade bem resolvida e com alguns relacionamentos fracassados. Sua filha, Eduarda (Gabriela Duarte) que se comporta como uma mimada e por vezes ingrata sofre dois abortos seguidos e corre risco de não poder mais ser mãe. O inesperado é que Helena descobre estar grávida de um de seus casos, Atílio (Antônio Fagundes) e coincidentemente Eduarda também se descobre grávida na mesma época. A gravidez de Eduarda é de risco e pode ser a sua última. Todavia, contudo, no dia do parto de Eduarda (que ocorre no mesmo dia do parto da sua própria mãe; cara isso é tão novelístico) seu filho acaba morrendo e tomando conhecimento disso e de que Eduarda não vai mais poder ter filhos por sérias complicações no útero, querendo evitar que a filha tenha um casamento fracassado, mais uma decepção ou que venha sofrer, Helena troca seu bebê vivo pelo filho morto da filha. É de uma irresponsabilidade sem tamanho, de uma falta de ética quase sem noção, mas parece algo que uma pessoa real faria. Que uma mãe cansada de ver uma filha sofrendo por não conseguir ser o que tanto queria: mãe. É importante dizer que essa troca de bebês não acontece no primeiro capítulo, nem no primeiro mês, muito menos nos primeiros cem capítulos, mas sim na metade da novela. Entre um aborto e outro nós temos tempo pra respirar e o mais importante nós temos tempo pra nos preparar pro quê se virá a seguir. E depois que veio, nós temos mais tempo pra digerir tudo, pra que assim no capítulo final o embate aconteça, encerrando assim um ciclo com aqueles personagens. 

Ele cria um conflito, nos apresenta, nos prepara, desenvolve-o e resolve-o nos deixando imaginar o que se virá depois. No meio do dramalhão ele insere cenas de pessoas simplesmente andando por Ipanema ao som de alguma bossa de Tom ou João Gilberto, ele insere outros conflitos que são tão puramente rotineiros como o corte da energia porque alguém simplesmente teve preguiça de ir pagar ou até mesmo um personagem contemplando uma árvore por quase um minuto inteiro sem dizer nada. Então há um equilíbrio, uma temperança que passa naturalidade nas questões. A verdade é que essa trama sem esses espaços com certeza chamaria muito a atenção, mas não iria parecer tão real quanto pretende ser. E o curioso é que esta temporalidade mais lenta poderia até afastar o público, mas o sucesso de audiência de Por Amor em suas quatro reprises mostra o contrário.

as relações humanas e a sensibilidade

Quando Helena percebe que Eduarda não consegue produzir tanto leite quanto a criança demanda ela passa a amamentar a criança. No começo Eduarda acho lindo, mas depois ela se sente enciumada de ver a mãe tão próxima do seu bebê. Ela se sente menos mãe com isso, como se não fosse capaz de cuidar da criança. Isso gera um primeiro conflito. Depois disso, Helena querendo que a criança tenha uma amamentação digna passa a ir na casa de Eduarda quando ela está trabalhando e amamenta o menino às escondidas. Quando descoberta acaba vindo um outro conflito. Mãe e filha ficam estremecidas e Eduarda sente que sua maternidade está sendo questionada de alguma forma. Mais tarde, Atílio descobre a verdade, que ele é o pai do bebê de Eduarda e confronta Helena. Tal acontecimento o chateia de tal forma que ele decide quebrar definitivamente sua relação com ela, que prefere manter a mentira. Contudo, situações acontecem e eles precisam conviver, gerando um estranhamento e é neste clima que a novela termina, com um clima de distanciamento, mas também de cumplicidade entre os dois. E nós ficamos sem saber se eles vão conseguir curar esta uma relação algum dia. 

A cena final da novela, em que Eduarda descobre a verdade lendo o diário da mãe gera uma das mais lindas cenas (bem como uma das mais fascinantes) da teledramaturgia brasileira. Novamente Eduarda se sente ameaçada e com toda razão ela esbraveja pra cima da mãe. Ela não consegue aceitar que não  conseguiu ser "mãe" o suficiente pra gerar um bebê saudável, mas agora já amando o Marcelinho, se desespera com a ideia de que ele não seja tão dela e por consequência dela seja tomado. São tantas questões se passando na cabeça de Eduarda que ela se quer sabe expor tudo e fica um diálogo confuso da sua parte. Helena diz algo como: "Você acha que eu seria capaz de te tomar o Marcelinho? Que eu seria capaz de te dar ele e depois tomar? Se eu fiz isso foi pra te ver feliz. E agora eu iria ser capaz de causar a sua infelicidade?" Essas frases ditas por Helena justificam seu ato egoísta com muito louvor. Ela é humana, não é uma protagonista perfeita, idealizada. É uma mulher que tem suas motivações e algumas delas são tão egoístas que só poderiam ser puramente humanas. 

Há uma sensibilidade no texto do Maneco. Ele é casual, mas profundo. Essa forma tão delicada de abordar as relações humanas é o que me fascina mais nas suas histórias. Os conflitos de convivência com certeza são os maiores vilões das novelas dele, que não escreve vilões. Alma (Marieta Severo), Eva (Ana Beatriz Nogueira), Marta (Lília Cabral) ou Branca Letícia (Susana Vieira) podem até parecer vilãs, mas quando você observa o dissecamento dessas personagens, percebe que são tão presas em suas bolhas ou tão amarguradas que se tornam incapazes de aceitar o real, desprezando-o e como consequência gerando conflitos pra todos ao redor. E é isso. Os conflitos que tornam alguns mocinhos e outros vilões. Suas motivações, a pessoalidades e perspectivas. Talvez a trama que mais reflita isso seja A vida da Gente, da qual foi supervisor de texto para Lícia Manzo, que conta com muita delicadeza a história de duas irmãs Ana (Fernanda Vasconcelos) e Manu (Marjorie Stiano) que com as desavenças do destino constroem uma linda relação que apesar de ter se abalado com os conflitos da convivência, permanece única, cheia de amor e importância. 

ps: e sim há muito dedo dele nesta trama, basta que se observe as outras tramas que Lícia escreveu, ou com outros autores ou sozinha, e perceber que a Vida da Gente é totalmente Maneco.


white people problems...

Joice (Carla Marins) surtou quando descobriu que na verdade era adotada, mas sem entender exatamente o que estava acontecendo e como havia se dado esta adoção ela se revolta contra Helena (também Regina Duarte) e passa a se comportar como uma ingrata ridícula. 

Capitu (Giovana Antonelli) uma menina que sinceramente tem uma agradável situação financeira passa a se prostituir pra poder cuidar do seu filho de uma maneira mais folgada. Tudo isso seria até aceitável se Capitu simplesmente não precisasse disso. 

Tudo isso parece fútil demais pra nossa realidade, certamente...

Manoel Carlos não sabe escrever outra realidade que não seja a de uma mulher branca e rica, ou pelo menos classe média, que sofre com seus problemas burgueses. Tivemos a comprovação disso quando ele precisou escrever sua primeira Helena preta, interpretada pela grande Taís Araújo. E é exatamente assim que ter que ser. É esse núcleo social que ele cresceu vendo e é sobre esses problemas que ele consegue escrever. Todavia catalogar Manoel Carlos apenas como um escritor de "dramas burgueses desinteressantes para o brasileiro médio" é pura bobagem. Ele insere temas extremamente importantes nos seus roteiros e os desenvolve com muita sensibilidade. Mulheres Apaixonadas por exemplo está cheio desses conflitos sociais. Temos um casal de lésbicas que sofrem homofobia na escola, temos uma jovem ingrata que maltrata seus avós, temos uma filha que tem vergonha do seu pai pobre, temos uma libertina que se apaixona pecaminosamente por um padre, uma professora alcoólatra, uma mulher com câncer de mama, a que sofre de um ciúme doentil... E talvez o mais importante desses temas: a professora que tem um marido psicopata e que se apaixona de uma maneira questionável por seu aluno, quase obcecada, causando a ruína desse jovem. Violência doméstica, fragilidade psicológica, suspense e egoísmo... É uma gama de assuntos extremamente possíveis na nossa realidade. Não há futilidades aqui. E eu poderia falar sobre a abordagem extremamente sensível sobre a síndrome de down em Páginas da Vida. 

O cotidiano tem suas tramas...

Parece distante imaginar que o dia a dia que soa tão monótono, sem acontecimentos possa gerar contextos tão empolgantes. Quem poderia supor que os dramas da minha família dariam uma novela. E sempre acontece uma coisa ou outra de vez em quando, mas não acontecem várias. Uma única coisa consegue criar uma outra série de acontecimentos. Nesses momentos Maneco avalia a consequência e o que ela causa mediante a sociedade. É algo difícil de se apurar. Precisa-se de um olhar clínico, um estudo social mesmo. É preciso ver a verdade da vida, a beleza do cotidiano, a sensibilidade das relações humanas, a dificuldade da convivência. Eu costumo dizer que o Maneco tem aquela coisa meio contemplativa do cinema do Ozu misturado com a complexidade existencial do Bergman. Sem maniqueísmos, exageros ou circo (não que isso seja algo ruim, não é isso que eu estou dizendo) ele tece suas tramas nos acontecimentos cotidianos, constrói seus conflitos nas tramas corriqueiras do dia a dia. Ele transforma a nossa vida numa novela e aí quando eles dizem "isso parece coisa de novela" pra um acontecimento absurdo é porque realmente parece. Mas, ir na padaria comprar um pão e esbarrar na vizinha que vai te contar uma fofoca da amiga da prima dela também é coisa de novela; de novela do Maneco. 

Novelas

As 8 Melhores Novelas de Época Pra Quem Gosta de História Brasileira

14:54






Lado a Lado

Além de contar a história da amizade entre Isabel e Laura e como o mundo pode dar voltas, este grande clássico das seis nos mostra muita história brasileira, quem assistiu, chegou a respirar história e cultura na época de sua exibição, que não foi tão bem recebida pelo público, uma pena. 1910 e A chegada da luz, o começo da Belle Époque no Brasil, a entrada do futebol na nossa cultura, a revolta da chibata, surto de malária, a demanda crescente dos morros e periferias no Rio de Janeiro e revolução cultural. Muita coisa legal pra uma novela só. Além de termos Marjorie Stiano, Camila Pitanga, Patrícia Pillar, Lázaro Ramos, Thiago Lacerda e Rafael Cardoso nos papeis principais. Sempre bom ver Patrícia fazendo um papel a sua altura, como a vilã Baronesa. 




Liberdade Liberdade

A História fala exatamente sobre o movimento inconfidente em Minas Gerais e Tiradentes, porém logo após a morte do mesmo. Exalando história e nudez, a faixa foi reproduzida às 22 horas, obtendo bons índices de audiência, por vezes superando Verdades Secretas de Walcyr Carrasco (um viral na época). A novela choca por trazer a primeira cena de sexo gay na TV Brasileira e por mostrar a Nudez de Maitê Proença.







Novo Mundo


Novo Mundo ainda não acabou, mas já podemos considerar uma das melhores de todas, afinal, é a primeira vez que uma novela falou abertamente sobre a história de Dom Pedro, sua família e independência. Além de ter um ótimo pano de fundo, temos Ingred Guimarães, Viviane Pasmanter e Leticia Catro dando o seu melhor. 




Xica Da Silva

Mesmo que canônica a história de Xica mostra com clareza a realidade da sociedade da época de Minas e seus minérios. Retrata a hipocrisia da igreja, a escravidão e como era ser um escravo naquela época.






Sinhá Moça

Sinhá moça também retrata a escravidão e a luta dos escravos para serem libertos, assim contando com ajuda de alguns rebeldes que tentavam e buscam pela liberdade dos escravos de um certo local.





A Escrava Isaura

Também sobre escravidão a história da escrava branca também choca por mostrar a crueldade com que os escravos eram tratados, além de nos mostram os quilombos com mais precisão. A história ainda marca a obsessão de Leôncio sobre Isaura, seu amor extremamente doentio por ela. 




Amor e Revolução

De um período mais recente, Amor e Revolução do SBT inovou não por ter o primeiro beijo gay da TV, mas por trazer uma imagem real e cruel da ditadura militar. Grupos rebeldes, guerrilhas e um amor proibido. 




Os Dias Eram Assim

Menos profunda que Amor e Revolução, porém dentro de um mesmo contexto, os dias eram assim tem um contexto romantizado, esta atualmente sendo exibida pela rede globo.


Novelas

Outras 10 Vilãs de Novelas Brasileiras

10:28

Eu já fiz um top 10 com as maiores vilãs de todos os tempos da TV brasileira, mas são tantas novelas que não dá pra limitar em apenas 10, então venho, aqui trazer outras 10 vilãs, que não foram tão más quanto as outras, mas merecem ser lembradas. Esse top não será como o anterior, seguindo uma ordem de maldade, será apenas sobre mais 9 vilãs e o Felix.



Chayene, a cantora

Chayene cheia de suas falcatruas para continuar na mídia tentou de tudo pra prejudicar as empreguetes, ainda mais que ela tinha motivos pra odiar pelo duas delas. Mesmo assim estava sempre sendo tombada. Entre micos e Sucessos, Chayene chegou a pensar que tinha poderes telepáticos e teve que desmentir uma falsa gravidez de Fabian em rede nacional.


Aline, a mulher elétrica. 

Outro caso de vingança envolvendo passado e mãe nas novelas  do horário nobre. Galines, como era mais conhecida pelos seus entes próximos, tentou de todas as formas para se infiltrar no hospital de César, tomar ele de Pilar, se casar com ele, ficar rica, cega-lo e se vingar pelo o que ele havia feito à sua mãe no passado. Ela só não contava com a astúcia de Felix para atrapalha-la. Acabou indo pra cadeia para morrer, de uma forma bem peculiar. Ao tentar fugir acabou sendo eletrocutada na cerca de segurança.



Altiva, a Bad Bitch 

A mulher se fez de santa por muito tempo pra prejudicar a própria irmã santinha. Má, invejosa, mesquinha, soberba, cruel e hipócrita . Teve um filho com o amado da irmã a quem passou a desprezar e ainda vivia atormentando a vida de Heleninha. Seu final é lendário: após tentar matar a sobrinha causando um incêndio, é Altiva quem se torna vítima de seu próprio plano. Ela morre, vira fumaça e seu rosto toma conta do céu de Greenville a noite dizendo: "me aguardem, eu voltarei" 


Clara... Clara, menina, a Quiara....

Clara foi sem dúvidas, uma das piores nesta listinha aqui. Muito explorada pela avó no passado cresceu amargurada e almejando a riqueza. Tentou dar o golpe no totó ao lado de Fred, mas acabou fracassando e Fred fugiu com tudo seu dinheiro. Sem alternativas fez a madalena arrependida e enganou até mesmo os telespectadores com sua maldade repentina e arquitetou um plano pra tentar matar Totó, pena que o plano já era do Totó e mais uma vez Clara, acabou fracassando. Mas ao matar Saulo ela culpou Fred colando a arma do crime na casa dele, podendo assim se vingar, para fugir da condenação, simulou a própria morte, indo parar em outro país com uma nova identidade. 



Felix, A Bixa Má

E bota má nisso. Desprezado pelo pai desde que era uma criança, Felix desenvolveu uma raiva pela mimada irmãzinha a ponto de desejar todo ódio do mundo pra ela. Fingiu amar a irmã, mas só esperou a mesma grávida ficar pra abondar o bebê dela numa caçamba de lixo. Depois de muitas outras maldades pra poder assumir o trono da diretoria do hospital. Após ser desmascarado deu um show e se arrependeu. No final de tudo acabou cuidando do pai homofóbico dando uma bela lição de vida.



Laurinha Figueiroa  

Esnobe, classista, elitista, trapaceira, assassina e falida. Laurinha de Albuquerque Figueiroa, a vilã quatrocentona interpretada por Glória Menezes em "Rainha da Sucata" caiu nas graças do público. Ela sim é um exemplo de pessoa que odiou até morte, isso porque ela até se matou para culpar sua rival de assassinato.



Laura, a Cachorra 

Laura arquitetou um plano e tanto de vingança conta Maria Clara, que segundo ela só ficou famosa por causa da mãe dela, mas não deu um centavo se quer a mesma e deixou morrer amargurada nas doenças. Primeira Laura finge ser a fã numero 1 da empresária de sucesso, passa a adora-la de forma bem desconfiável, depois passa a trabalhar até de empregada na capa de Maria Clara, subindo para secretária e depois administradora das coisas da rival. Depois de dar um golpe compra tudo da mocinha deixando ela na rua da sargenta. Mas isso não dura muito tempo não. Ela acaba sendo presa por assassinato e perde todo seu dinheiro. 




Leona, a maniada em limpeza 

Do circo de cobras e lagarto Leona quando não estava brigando com Elen, está tentando roubar a fortuna de seu tio ou prejudicar a sua prima sem graça. No fim de tudo Leona acaba ficando paranóica com limpeza, pois perdeu o amor de Duda, bota fogo na Luxus e morre queimada purificando sua alma pecadora.


Raquel, a Paola Bracho do Brasil 

Com extrema vergonha de ser pobre e odiando sua irmã brega Rute, Raquel. Ao capítulo 27, isso mesmo 27 ela já estava se casando com o ricaço amado de sua irmã. Sabe o que ter um feito assim no capitulo 27? No capitulo 27 nem ao Brasil, Odete ainda tinha chegado. 

Começou assim: a Raquel vivia de boa em Pontal d’Areia, mandando nudes quando tomava banho de mar, curtindo seu cafajeste de estimação – Wanderlei (Paulo Betti) – e destruindo as esculturas do Da Lua (Marcos Frota) pra espantar o tédio.





Melânia, Pau Mandado

Melânia moralista, odiou com todas as forças Ana Clara (Regiane Alves) desde que a viu pela segunda vez ao descobrir que ela era pobre e não rica. Depois que seu filho mimadinho Carlos Eduardo passou a ter uma româncezinho e engravidar Clara ela fez de tudo, sim de tudo, pra acabar com a vida da mocinha (essa sofreu mesmo), levou a menina pra um bordel forçada, tomou o filho dela, pagou o canalha do Alexandre pra infernizar a vida da menina por anos e anos e por fim ainda obrigou o filho a se casar com Clara, mesmo ela não estando afim naquele momento porque ele era chato e machista, só porque a mocinha havia ficado rica. Por fim depois de tudo, quando ela foi acabar na cadeia por matar Alexandre num ataque de nervos, foi revelado que ela era manipulada pela sua governanta, que era quem fazia ela ter ideias malucas, sim a governanta judia Germana, que adorava ver um circo pegando fogo, Germana inclusive foi quem deixava as garrafas as soltas para que Berenice bebesse e morresse e cirrose. 


+ AS 10 MAIORES VILÃS DA TELENOVELAS BRASILEIRAS


Mais Lidas

Postagem em destaque

porque você precisa ver Liv Ullman em tela pra ontem

Liv começou sua carreira no teatro com alguns bons personagens em ótimas peças e não demorou pra que Ingmar Bergman, um dos diretores de cin...

Posts mais vistos