Anime

afinal, sobre o que Evangelion realmente é?

23:58




Lançado em 1995, Neon Genesis Evangelion é um anime que se passa após o chamado "segundo impacto", evento ocorrido quando o humano entrou em contato uma entidade chamada de Adão, no polo sul, acarretando na extinção de 50% da população. Situado no ano 2015, (o que é louco de imaginar pois já estamos em 2021) os humanos sobreviventes, descendentes da entidade nominada Lilith, tentam se defender das ameaças dos "Anjos", descendentes de Adão que poderiam causar um terceiro impacto. Para dar cabo desta função, a SEELE, organização religiosa que detém os famigerados Manuscritos do Mar Morto (1940), cria a NERVE, setor responsável pela criação dos EVA's, maquinas orgânicas imensas, que se parecem robôs, e que podem ser pilotadas somente por jovens que conseguirem atingir uma determinada taxa de sincronização com a máquina. E, tudo isso funciona como uma corrida contra, ou favor de um plano de instrumentalização humana, a destruição total das barreiros do ego, que resultaria numa grande consciência coletiva representando, desta forma, uma espécie em ascensão ao status de divindade - e porque não, a realização de objetivos pessoais de alguns personagens. 

Certo, tudo isso pode parecer um tanto quanto confuso, principalmente pra quem ainda não teve a oportunidade de assistir Evangelion, e isso também é muito confuso pra quem já viu a série, mas sinceramente, nada disso é o que realmente importa, porque nesta série, nada nunca é o que parece.




O conceito nem é tão importante assim...

Decorar todos os elementos mitológicos que Evangelion  nos apresenta, não significa absorver tudo o que a série tem a nos dizer, até porque nada disso, não é nem de longe, a prioridade. Em algum momento da trama começamos a perceber que este "culto à mitologia" é apenas um coadjuvante, para uma série de outras coisas que verdadeiramente protagonizam o enredo. 

Esse é um caminho comum na estrutura de Evangelion, as referências externas servindo como função prática pra que algo interno seja, por fim, representado. Um grande exemplo disso é a existência do Campo A.T. (ou como costumamos chamar: Campo do Terror Absoluto), que consiste numa barreira impenetrável, dentro da realidade, em que os Eva's e os Anjos podem usar tanto pra se defender, tanto pra atacar, e como consequência somente um poderia destruir o outro. Se trouxermos este conceito pra filosofia, ele nos remete ao Dilema do Ouriço, parábola escrita por Arthur Schopenhauer, em sua obra Parerga e Parapilopema, de 1851. Schopenhauer nos conta sobre ouriços que podem morrer de frio se afastarem-se demais uns dos outros, contudo se machucam com os espinhos uns dos outros quando se aproximam demais. Esse é o subtexto filosófico por de trás do campo A.T.. 

Essa barreira é definida por Kaworu, como sendo "a barreira que todos têm em seus corações". Pode parecer raso, entretanto o campo A.T. ou Dilema do Ouriço resultam exatamente nisto mesmo: a ideia de quando a gente se fecha, podemos machucar os outros, mas quê quando nos abrimos, podemos acabar nos machucando. E sim, estou falando do sentido emocional mesmo, sentido este que todo mundo pode entender e se identificar; sendo que no final das contas é sobre isso que Evangelion verdadeiramente está buscando responder.

Pra mim, é muito preciosismo tentar levantar barreiras de uma suposta intelectualidade super complexa por de trás da obra, quase como se fosse necessário se valer disso pra provar a qualidade do anime num ato soberbo e pseudo cult, no que acaba afastando o público mais casual, como se ele não merecesse o que Evangelion tem a oferecer, quando na verdade nem mesmo a série se leva tão a sério.



E é isso, no máximo o que pode parecer complicado demais em Evangelion é a sua roupagem, o conceito, os termos, mas na real, elas não realmente não importam nem um pouco. A prova disso se dá quando em momento algum o anime não tenta se explicar. Sim existem as informações sobre como por exemplo as sementes de Adão e Lililth vieram parar aqui na terra, mas isso nem é discutido ao longo dos capítulos.

É interessante salientar que apesar disto, nada aqui é meramente posto por puro charme ou pra embutir o status de cult, pelo contrário, todos os conceitos são cuidadosamente bem posicionados, de forma até menos óbvia do que poderia, e eles se valem dentro da narrativa

É tudo sobre relações humanas

Não por acaso o cabo que energia dos Eva's, literalmente se chama "cordão umbilical" e sem ele essas máquinas não conseguem funcionar por mais de 5 minutos. Questões a respeito das ligações familiares são universais e estão em quase todas as obras que existem, mas o que move a série são os conflitos humanos que qualquer um de nós podemos ter. 

O anime faz questão de jogar isso na nossa cara sempre e sempre, claro, de maneira sutil, mas faz. Talvez o maior exemplo disso seja o de quando os personagens não recorrentes da SEELE, que só existem pra dar andamento na trama, são subitamente substituídos, sem explicação alguma, por monólitos inteligentes e isso não faz diferença alguma pra história.

Entender a referência, a parte externa é focar apenas numa parte não muito significativa de tudo que o anime representa e que provavelmente é a menos importante. A verdade é que a pessoa que assistiu Evangelion e não conseguiu captar todas as referências bíblicas, a parte filosófica mais teórica ou em todos os aspectos tecnológicos, esta pessoa não necessariamente não entendeu o anime. Mesmo no arco da instrumentalização humana, que ocorre da segunda metade em diante, sendo um dos pontos mais importantes da trama e que evoca grandes questões filosóficas sobre convívio e sociedade, subjetivamente está ali com a função de levantar uma única grande questão: Eu como indivíduo, tenho valor? 



No fundo todos estamos sozinhos, exaustos e interpretando personagens

No meio de toda a empolgação de monstros e robôs gigantes, fortalezas subterrâneas e o destino da humanidade em risco, o Shinji é a pessoa que olha pra tudo isso e diz: não, eu não quero fazer parte dessa coisa. Como um garoto que é rejeitado pelo pai e que sente-se carente do calor materno, a uma passo que instintivamente conecta qualquer presença feminina à sua volta a um papel de maternidade, é justo compreender que ser colocado constantemente em locais e situações de risco, não é uma coisa grandiosa para ele, mesmo que isso seja em prol da humanidade. Por causa disso ele hesita incerto, ele teme vacilar e se mostra fraco, e para alguém colocado nesta posição, esse comportamento é totalmente natural.  

Os primeiros dois episódios da série se desprendem no conflito do Eu que paira sobre a sombra de Shinji. Não temos uma luta no primeiro capítulo porque Shinji precisa decidir se quer ou não pilotar aquele robô e quando a temos, no segundo capítulo, há um vazio anticlimático e inexistência de um tom vitorioso, mesmo que o Anjo tenha sido derrotado. Há uma monotonia inexplicável, quase torturante, nestes dois primeiros momentos, mas é que na verdade você está esperando algo sobre lutas de robôs e se frustra ao perceber que isso não é Evangelion. 

É comum esperarmos nos animes protagonistas energéticos, dispostos a fazer justiça e salvar o mundo mesmo que suas vidas pessoais estejam numa pairando em uma fossa de desgraças. E exatamente este o ponto. Evangelion não gosta disto. Evangelion te faz questionar como é irresponsável jogar o peso do futuro do mundo nas costas de crianças que ou são órfãs, ou passaram por algum trauma e ninguém está levando isso consideração, mesmo quando todos os personagens ao redor estão vendo o estrago psicológico que essa pressão está causando.

O Shinji é um personagem passivo, que não consegue se impor e de fato não tem muita personalidade, aliás quase nenhuma, todavia porém, mais importante do que isto, ele é complexo emocionalmente; muito diferente do estereótipo ativo e unidimensional que o homem costuma ser representado com ideais de honra, coragem e propósito. O fato de que todas as mulheres à sua volta têm muito mais ação e gerência do que ele provavelmente agrega bastante na forma como os outros personagens masculinos da trama o tratam. Shinji sente medo, não se enxerga capaz e nem merecedor do próprio lugar em que está; e o anime está muito interessado em entender de onde surgem estas questões, como também observar outras possíveis qualidades do personagem, do que entregar uma experiência menos intimista.



É evidente que Shinji não é visto como individuo, já que todos os seus conflitos são apagados. Eles nem chegam a ser desrespeitados, bem como os limites postos em cheque, porque ninguém ali se interessa por eles. Shinji está disposto em mostrá-los, mas ninguém está disposto a enxergá-los. O que eles esperam é que Shinji também negue suas questões e se torne um verdadeiro herói de anime, portando uma persona à altura, ignorando o seu Eu e suas coisas pelo outro, seja internamente pra salvar o mundo, ou externamente pra te agradar como personagem; e cara isso foi tão sagaz da parte de Hideaki. É um exercício de metalinguagem muito interessante.

Ao lançarmos um olhar sobre Gendo, pai de Shinji e diretor da NERVE, notamos que ambos são completos opostos. Nele percebe-se toda a autoridade e agressividade que se espera do garoto, talvez por isso, para a massa consumidora do anime, Gendo seja um personagem agradável, mesmo que suas motivações sejam sempre tão egoístas. Contudo, quando na reta final, vemos o personagem desmoronar, retraindo-se de sua persona corajosa, nos deparamos com um homem frustrado, fraco e extremamente vulnerável.

Não somente, Gendo, mas todos os personagens em algum momento, desmunem-se de suas personas e começam a questionar seus papeis dentro da sociedade. Acontece com a Asuka, quando ela revela toda a sua solidão parental e como estava constantemente em busca de ferramentas pra lidar com o vazio que lhe deixaram, mesmo que pra isso fosse preciso soar desesperada por atenção. Outro momento importante é quando Misato analisa suas relações amorosas fazendo um paralelo com a relação estremecida que mantinha com seu pai. De acordo com ela, tudo em seu pai era odiável e digno de reprovação, mas todos os homens com quem manteve algum tipo de laço amoroso, eram exatamente iguais ao seu pai. Isso sem falar nas diferenças entre a cientista Ritsuko e sua mãe, que mesmo nunca aparecendo paira como uma sombra em sua vida e sendo assim, ela deseja ser diferente de sua mãe em tudo. Enfim, conflitos humanos.

O mais interessante disto tudo é notar como Shinji é o único personagem não interpretando um personagem, inicialmente, mas sendo forçado a entrar em um que soe mais otimista e atrativo para o público. As pessoas, mesmo vocês telespectadores, não estão interessados no verdadeiro Eu, mas sim numa performance que agrade. Hideaki sabia disso quando criou o personagem e o criou justamente pra isso, pra incomodar o telespectador. Isso explica o fato de Shinji não ser um personagem querido. 



o preço disso tudo é perca individualidade 

Somente quando descobrimos que Gendo e seus superiores desejam secretamente fundir toda a humanidade em um único ser, com um único corpo e uma única consciência num projeto aperfeiçoamento da humanidade, é que nos fica evidente a crítica que Evangelion se propôs a fazer. Pra que isso possa acontecer, toda a sua individualidade precisa ser rompida, esquecida e renegada e como consequência, todos viveriam dentro de uma divindade que é a soma de todas as vidas humanas. E, por mais tentadora que pareça essa oportunidade, a de transmutar-se em um deus, se você parar pra analisar, vai perceber que por de trás da casca, dentro do casulo, reside uma extrema violência. Sim, porque se apagar em prol dos objetivos e quereres do outro é indescritivelmente violento.

Quando pensamos na ideia de instrumentalização da humanidade, ou o aperfeiçoamento, pensamos numa espécie de evolução, quase parecida com a que nos é apresentada em 2001, Uma Odisseia no Espaço, (1969) em que o humano se transforma numa consciência para além do simples entender da raça. Contudo, isso não é uma coisa boa, porque no momento em que o humano deixa de ser por si, ele passa a ser pelo outro ele já não mais existe. No contexto de Evangelion, quando toda a humanidade se converter nesta magnânima, mesmo no status de divindade, ainda assim estará sendo porque este era o desejo daqueles executivos da SEELE. 

Hideaki, provavelmente se inspirou na obra de Cordwainer Smith, autor de Instrumentality Of Mankind, uma outra obra de ficção científica em que retrata um mundo onde os humanos têm suas individualidades roubadas. 

Despersonalização

Na metade do século XIX, o psiquiatra francês Jean-Étienne Dominique Esquirol, recebeu uma carta desesperada de um de seus pacientes. Nesta carta, o paciente reclamava de sintomas que chamaram a atenção do médico. O trecho:

"cada um dos meus sentidos, cada parte do meu ser age como se estivesse separada de mim. É como se eu não conseguisse sentir mais nada, e perco-me tentando ser alguém para alguém. Me vejo e não consigo me enxergar."

Poucos anos depois esta correspondência virou material de pesquisa do neurologista alemão, Wilhelm Greisingner, que percebeu semelhanças entre os sintomas do relato na carta e de seus próprios pacientes. Sobre isso ele escreveu:

"Muitas vezes vemos os insanos, especialmente os melancólicos reclamarem de um tipo estranho de anestesia. Eles dizem que ouvem, enxergam e sentem, mas que os objetos não os alcançam, como se houvesse uma barreira entre eles e o mundo externo."

O relato de Gresingner é de 1845, mesma ano em que o poeta Amiel, usou pela primeira vez o termo "despersonalização", ao escrever em seu diário os sintomas de um estado em que se encontrava:

"Eu me vejo como alguém que enxerga a minha própria existência de um ponto de vista além do túmulo. em outro mundo. Tudo é estranho pra mim. É como se eu estivesse fora do meu corpo e da minha individualidade. Estou despersonalizado. Separado. À deriva. Será que isso é loucura?"

E no final daquele século, em 1898, o psicólogo francês introduziu o conceito da despersonalização oficialmente na literatura médica. E depois, Freud viria entender a despersonalização não somente como uma patologia, mas também como um mecanismo de defesa da mente. Sobre isso, Feud escreveu: "A teoria da psicodinâmica fornece base para conceituar a dissociação como um mecanismo de defesa. Dentro dessa estrutura a despersonalização pode ser entendida como um mecanismo de defesa contra sentimentos negativos, conflitos ou experiências."

A despersonalização é tratada de maneira bastante direta em Evangelion. Especialmente nos episódios 19 e 20. Shinji, acaba perdendo o controle da Unidade EVA 1, e desta forma não podendo controlar a máquina o inimigo é devorado em uma cena grotesca. Depois disso, não conseguindo lidar com os sentimentos negativos, com os conflitos e com a experiência da situação, o corpo de Shinji se desfaz, restando apenas o uniforme vazio. Essa é uma metáfora muito clara ao processo de descaracterização que o menino vinha sendo submetido desde que aceitou se transformar num piloto de EVA.

No final, tudo isso tudo me leva à fala de Satre: É porque eu existo como indivíduo que os outros também são.

uma reflexão sobre os dois últimos episódios

Existe um burburinho pela internet, muito generalizado por sinal, de que Evangelion só fica bom lá pelo capítulo 16 e só é bom até o capítulo 24, o antepenúltimo; sendo que os dois últimos, 25 e 26, são considerados um lixo. Eu devo discordar veemente disto. 

Por mais que os primeiros episódios sejam objetivos e eficientes em estabelecer o tom da narrativa e apresentar os personagens, essa primeira metade do anime é realmente bastante episódica e a sensação de que a trama está avançando para algo demora realmente a chegar. Mas, não acho que seja justo reduzir a primeira parte da história em algo que o telespectador precisa "suportar" pra chegar na parte que verdadeiramente valia a pena. Todos estes 15 primeiros episódios são essenciais, não apenas pra estabelecer todos os símbolos e conflitos que serão explorados mais tarde, mas porque nos dão momentos pra respirar e se importar com o objeto principal da trama: os personagens.

Esse preciosismo todo que relega a primeira parte da obra como algo inferior e até como algo passável, reflete a mesma miopia que tenho debatendo desde a aurora deste post: essa mania de pensar Evangelion principalmente como uma sequência de eventos e não como um estudo profundo de personagens. E o exemplo máximo disso se encontra logo à frente: a rejeição absurda que sofrem os dois últimos capítulos. 

O que mais se lê por aí, é que esse final é mal feito. Embasam este argumento no fato de que na época o orçamento pros dois capítulos finais era extremamente reduzido e de que os criadores fizeram às pressas qualquer coisa desastrosa que estava longe de ser a ideia inicial, porque a entrega já estava em cima do prazo; e que por isso eles não tem valor. Sim, realmente houveram problemas relacionados à verba na produção destes últimos capítulos, o próprio Hideaki já falou disto várias vezes, mas muito pelo contrário isso só fez com que Evangelion seguisse por uma vertente artisticamente mais abstrata, explorando mais da arte do desenho. 


a intenção do autor é a intenção do autor

Para além disto, ainda é questionada a verdadeira intenção do autor. Obras de arte são produtos do seu tempo e consequências de um milhão de influências complexas que vão muito além do que o autor sabe descrever. Não significa que só porque você queira fazer um filme denunciado o racismo que você não seja racista, por exemplo. 

Quando falamos sobre arte, por mais que uma coisa influência a outra, não dá pra resumir a obra no que autor quis fazer, mas sim concretamente o que ele fez. Se o que ele entregou no final é interessante artisticamente ou não. E, eu amo este final!

Hideaki consegue transformar estas limitações em linguagem, entregando um esquema único que funciona demais no sentido subjetivo. Numa repetição de frames e frases que coloca a superfície destes personagens contra a parede, como numa metáfora de autoquestionamento, eles se tornam sufocados pelo julgamento alheio enquanto precisam lidar com seus conflitos simbólicos. Talvez a parte mais tocante, e também a mais simbólica, é quando nos é apresentado o frame de Misato, que ao questionar a sua importância como ser vivente, se mostra cada vez mais quebrada por dentro enquanto organiza e empilha pecinhas de montar.

Enfim, o que incomoda essa galera é que o final da série não se converteu em um espetáculo megalomaníaco cheio de luzes, sangue e gritos como geralmente são os finais. Essa galera se chateia porque o final de Evangelion é uma composição orgânica de sensíveis movimentos intimistas que sempre, desde o primeiro capítulo, foram o foco da série. Por mais que nas cenas finais o anime não tenha entregado a "qualidade técnica" de que ele gostaria, ainda sim entrega o que autor queria desde o começo. 




O lance de usar os rascunhos, no último episódio, tá longe de ser uma prova de que foi algo mal feito ou alo do tipo; é inclusive uma forma muito inteligente de representar graficamente o que a narrativa está nos dizendo. Os personagens se despindo de toda parte externa e se expondo ao máximo.

O arco principal de Evangelion, é basicamente sobre como Shinji não via sentido para a própria existência e aos poucos vai começando a se identificar como um piloto dos EVA's, não porque queria, longe disso, mas porque obedecer ordens era um tipo de mecanismo de defesa, pra que não fosse mais uma vez abandonado. Shinji sentia ódio da sua própria pessoa e por isso não podia amar mais nada. E seu histórico de abandono o torna incompetente na tarefa de se relacionar com os outros e crescendo num mundo defasado, sem um referência familiar e um acúmulo de pressão social, não percebendo seu valor, tornou-se impossível enxergar a si mesmo. Shinji tem consciência das suas questões, mas as nega incessantemente, obedecendo sempre e sempre. E quando, Shinji é o único personagem a perceber isso negando-se a participar do plano de consciência coletiva, reconhecendo-se como um sujeito único e singular, destaca-se dos outros, já que todos à sua volta também estavam numa feroz batalha contra seus conflitos, mas muniam-se de máscaras pra não se sujeitarem a um papel de fragilidade. Ao reconhecer-se ele é aplaudido na famosa cena do Parabéns, a que virou meme, como um símbolo de coragem por priorizar a si mesmo. Isso funciona muito bem, não só pra sociedade japonesa, mas também universalmente: se enxergar não como função, mas como individuo. E talvez você não goste do Shinji, mas não dá pra negar que ele é um personagem muito bem construído. 

O Outro:

Durante a produção de Evangelion, Hideaki passou por um período bem complicado de depressão e a o anime surgiu da canalização desses sentimentos, bem como reflete toda sua essência. Shinji incorpora não só o próprio estado de espírito do diretor como também abraça qualquer jovem médio com dificuldade de se relacionar e que não vê proposito na vida. O fim da série pode ser visto como uma mensagem encorajadora neste sentido. Mas, não era isso que o público queria. Hoje pode se notar otaku padrão insatisfeito com a conclusão a espumar por fóruns na internet, mas na época a recepção foi ainda mais negativa, por parte do público e da imprensa. O resultado disso é o OVA The End Of Evangelion, que muitos consideram "o verdadeiro final de Evangelion. 




O filme começa com a cena mais inquietante de toda a franquia, a cena da masturbação de Shinji, sobre o corpo de Asuka que desacordada sobre uma maca descasava. Esta não é a única cena em que Shinji agride Asuka em prol e provar ao seu pai, ao telespectador e a si mesmo, a sua masculinidade, tomando para si o papel viril e energético que um protagonista de anime precisa ter. É perceptível que Shinji não se sente confortável neste papel, mas mesmo assim ele faz, porque é o que outros esperam que ele faça e sendo assim ele está fazendo. Não somente isso, mas o filme também entrega todo o espetáculo visual que cobrado: lutas em grande escala, cores encantadoras e aquelas cenas impactantes e memoráveis da sublimação de Rei. Tudo isso é tecnicamente impressionante, mas a realização da violência gráfica não é a única discrepância entre os dois finais, existe uma diferença essencial de tom. 

Para Hideki, o final que foi ao ao ar é o verdadeiro final, como ele mesmo já disse muitas vezes, é o final dele e o que ele considera. The End Of Evangelion, não é um final substituto, alheio à repercussão final da série, é o reflexo direto disso. Outro ponto curioso é que a experimentação gráfica também ocorre no filme, o que faz cair por terra aquele argumento vazio de que a linguagem visual não fazia sentido. Mas, se na série o anime quebra a quarta parede mostrando os rascunhos da obra, aqui ele a usa pra criticar a maneira como os animes funcionam. O final do filme não é um redenção, não é um aprendizado. É mais uma agressão. Como se pra esse público que não percebeu que a salvação pras dores daqueles personagens tenha sido o afeto, a única possibilidade da vida seja de fato machucar as pessoas.

Evangelion é uma obra vanguardista, que toca em temas delicados e aborda questões muito pessoais. O drama de Shinji, ministrado com muita delicadeza durante a primeira parte do anime, foi só um sinal de que esta história se tornaria revolucionária. Uma revolução não somente para a história do gênero Mecha, mas para a história do anime como um todo. Hoje em dia esses aspectos podem parecer mais comuns, afinal muitas obras atuais no mercado mainstream buscam retratar essas questões, mas vale lembrar que Evangelion é um anime de 1995, foi pioneiro em muitas coisas. 

Anime

A Importância e Influência de Akira. Um clássico dos anos 80.

10:47

Filme ganhou versão remasterizada recentemente. 

Sempre que alguém discute filmes clássicos, tem sempre aquele cara. Aquele cara que faz um som audível molhado quando fala e que tem um canal no YouTube só de tutoriais de vaping.

Você não pode achar qualquer outro Alien bom porque o Alien, o Oitavo Passageiro Ã© muito superior. Não vale a pena assistir Avatar porque o filme é basicamente uma cópia de Dança Com Lobos com gatos azuis. Você não pode gostar de Deixe Me Entrar porque ele é baseado no Deixe Ela Entrar holandês, e quem manja mesmo de filmes sabe que todos os remakes de Hollywood são uma bosta.
Infelizmente, quando se trata do clássico anime de 1988 Akira, preciso concordar com esse cara. Sou tanto esse cara que quase não enxergo além da aba do meu fedora por causa da fumaça do vaping. Esse é o único filme que eu vou pagar pau descaradamente, e foda-se quantos amigos eu perder por causa disso.
Felizmente, não estou sozinho nessa. Setembro último foi comemorado o aniversário de 25 anos da Manga Entertainment — a distribuidora responsável por trazer várias animações japonesas para o Reino Unido e EUA — e Akira já ganhou três lançamentos no Reino Unido, e atualmente está passando em 70 cinemas do país.

Quem já viu o filme provavelmente já é fanático por Akira. Quem ainda não assistiu, eu aconselharia desmarcar qualquer coisa que você vá ver na Netflix hoje e ir assistir o filme (que ainda está no catálogo da Netflix.). Por quê? Porque o título é um dos mais influentes dos últimos 30 anos, e é um favor que você faz pra si mesmo. SIM!


Passada numa Neo-Tóquio depois da Terceira Guerra Mundial, a história segue uma gangue de motoqueiros adolescentes rebeldes, especificamente Kaneda e Tetsuo, enquanto ele cruzam acidentalmente com um projeto militar que planeja usar humanos com telecinese como armas. Tetsuo é capturado pelo governo e logo fica claro que ele tem poderes telecinéticos que rivalizam com a arma mais poderosa do projeto, um menino chamado Akira. Aí — bom não vou dar spoilers, mas basicamente a coisa toda explode da maneira mais foda possível.
Considerando como a cultura japonesa é parte do mainstream no mundo ocidental hoje, é difícil imaginar que antes do lançamento de Akira em 1989, o Japão e a sua arte, cozinha e animação eram alienígenas para a maioria do Ocidente. Tanto que quando ofereceram a Stephen Spielberg e George Lucas a chance de trazer Akira para os EUA em 1987, eles recusaram, dizendo que o desenho não atrairia o público ocidental.
Estranho, porque o diretor e roteirista do filme Katsuhiro Otomo emprestou muito do que era popular no cinema contemporâneo e clássico do Ocidente na época. Tematicamente, vários aspectos do filme lembram Juventude TransviadaVideodrome de David Cronemberg, Blade Runner de Ridley Scott e 2001: Uma Odisseia no Espaço. O filme até faz referências fortes a E.T. e Guerra nas Estrelas.


A combinação de distopia cyberpunk com influências do biopunk, alienação adolescente, ficção científica e bombas visuais de grande escala de Akira já era parte do gênero de sci-fi ocidental nos anos 80, e seu apelo ficou evidente quando o filme fez $ 49 milhões de dólares em bilheteria mundialmente quando foi lançado no cinema — uma quantia considerada muito dinheiro para qualquer filme na época.
Falando sobre como a empresa começou, o cocriador da Manga Entertainment Andy Frain contou para a Manga UK: "Comecei a achar que [Akira] era mais que um grande filme — ele poderia ser um fenômeno. Havia mais filmes assim no Japão? Se sim, poderíamos tratá-los em termos de música, como a Def Jam: um gênero em si".

Influência biopubk em Akira
Foi a primeira vez que o ocidente se envolveu com a cultura japonesa em massa, e isso causou um impacto considerável: a influência do filme ainda é óbvia por todo lado. Nas áreas de cinema e televisão, é fácil ver como o título moldou o sci-fi moderno como o conhecemos. Filmes como Destino EspecialPoder Sem Limites e A Origem pegam muito emprestado da temática e estilo de Akira. Dois desses três filmes até têm uma criança com poderes telecinéticos destrutivos central no enredo. Outro filme influenciado foi Looper: Assassinos do Futuro. O diretor Rian Johnson disse recentemente numa AMA do Reddit: "Você pode ver a gama de coisas onde me inspirei, de Exterminador do Futuro a Akira".
Na TV, o seriado da Netflix que é uma carta de aos anos 80, Stranger Things, se baseia na personagem Eleven, outra criança treinada por um grupo sombrio para usar seus poderes de telecinese como arma. O filme abriu caminho para Pokemon, Neon Genesis Evangelion, Sailor Moon, Digimon, Cavaleiros Do Zodíaco, Naruto e Dragonball se tornarem fenômenos culturais. Akita também é uma grande influência pra movimentos artísticos, como o V a p o r w a v e, uma das maiores influências aliás. Por resgatar aquele futuro nostálgico oitentista, que é a essência do vaporwave.

Cartaz de Akira em uma arte do movimento Vaporwave.

Fora o cinema e a TV, o filme também influenciou vários músicos. Kanye West já falou sobre seu amor por Akira e até baseou o clipe de "Stronger" em sua narrativa, basicamente interpretando um Kanye/Tetsuo como protagonista. O diretor Hype Williams disse sobre Ye e o clipe na época: "Ele sempre se inspirou em Akira. Em certo ponto, acabamos mergulhando de cabeça e filmamos partes do filme para o clipe, mas decidimos voltar um pouco atrás e fazer uma versão mais abstrata no final".


A musica do Kanye não é a única que recebe influência direta do grande clássico Akira. Gêneros resultantes da sensação nostálgica, assim como o vaporwave, usam e desusam a imagem e estética de Akira para fundir e dar uma sensação mais completa à sonoridade. Entre estes estilos estão o City Pop, Synthwave, Retrowave, Future funk e Retro Electro.



A trilha sonora revolucionária de Geinoh Yamashirogumi rendeu uma série de discos de remixes da Bwana ano passado, a Capsule's Pride.

Fica claro quanto o filme influenciou a cultura ocidental desde que foi lançado 28 anos atrás. Foi o primeiro caso de um filme japonês que logo de cara foi apreciado pelos críticos no EUA e Reino Unido. Akira abriu as comportas não só o anime, mas para que toda a cultura japonesa fosse aceita pelo público ocidental.

Então, se você não viu o filme, não perca a chance de assistir agora. Vou tentar não atrapalhar sua visão com o meu chapéu fedora.

Anime

50 Curiosidades sobre Yu Yu Hakusho

17:53



NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER! 

Se você nasceu nos anos 90, deve ter passado boas horas em frente à TV (no extinto canal Manchete) assistindo Yu Yu Hakusho.

O anime, criado por Yoshihiro Togashi e dublado pela Audio News, é um dos meus favoritos até hoje! Por isso, decidi assisti-lo de novo (em ordem cronológica) depois de “grande” para matar as saudades e para relembrar muitos detalhes que ficaram apagados na minha memória.


1) O barulho da espada de espiritual de Kuwabara (Rei Ken) é similar ao efeito sonoro dos sabres de luz dos 3 primeiros filmes de Star Wars.


2) David Hayter, o dublador de Snake na série de games Metal Gear, dublou Kurama (em inglês) em um dos filmes de Yu Yu Hakusho.



3) O personagem Killua, do anime Hunter x Hunter, tem fortes influências de Hiei.

4) O nome de Kuwabara é uma combinação de nomes de dois profissionais do baseball do Japão. Além disso, o nome Kuwabara significa “campo de amoras” em japonês. De acordo com uma lenda, campos de amoras não podem ser atingidos por raios. Sendo assim, reza a lenda que repetir a palavra “Kuwabara” duas vezes seguidas afasta os raios e os fantasmas.

5) No começo do mangá, Yusuke fumava cigarro. Entretanto, isso não é citado no anime.



6) Sabia que o nome Karasu (personagem membro do time de Toguro) significa corvo em japonês?

7) O time Uraotogi, participante do “Torneio das Trevas”, é composto por personagens inspirados no folclore japonês.

8) As quatro bestas sagradas, que são enfrentadas com todo grupo junto pela primeira vez, representam cada um dos animais sagrados do folclore chinês: Suzaku (Fênix), Genbu (Tartaruga), Byako (Tigre) e Seiryu (Dragão).

9) Diversos personagens de Street Fighter aparecem como figurantes durante os torneios do anime.



10) Mesmo tendo parado de envelhecer ao se tornar um Youkai, Toguro tem em torno de 70 anos durante o “Torneio das Trevas”.

11) Koenma tem quase 700 anos!




12) O nome do ogro assistente de Koenma é George Saotome. (e ele ainda vive com a mãe)

13) O objetivo da chupeta de Koenma é servir como um depósito de sua energia. Assim quando for necessário, ele poderá usar a magia MaFuuKan. (o feitiço de proteção mais poderoso existente do mundo espiritual)

14) O autor de Yu Yu Hakusho, Yoshihiro Togashi é casado com Naoko Takeuchi, criadora de Sailor Moon! <3

15) Togashi, autor do anime/mangá tem fama INTERNACIONAL de preguiçoso. Sempre inventava desculpas que estava doente ou atrasava a entrega de desenhos. Em Yu Yu Hakusho, a fase do Makai foi feita pelo autor sob pressão da Shonen Jump, já que os prazos estavam se esgotando. 

16) O Jagan (famoso 3º olho de Hiei) fornece a seu usuário os poderes de telepatia, telecinese, sentidos aguçados, controle mental, resistência mental e manipulação de energia.

17) O personagem Karasu ao ficar poderoso fica loiro, exatamente como um Saiyajin.

18) Os guardas que protegem a cidade de Gandara, são muito parecidos com os soldados rebeldes de Star Wars.

19) A banda favorita de Kuwabara é o Megallica, que é a fusão de Metallica e Megadeth!

20) Se reparar bem, Toguro Otouto possui uma grande semelhança com o Exterminador do Futuro.



21) No mangá, a cor do cabelo original de Kurama era preta. Entretanto, no anime, os criadores decidiram escolher a versão ~pink-vermelha~.



22) Durante a época de produção de Yu Yu Hakusho, Togashi estava começando seu namoro com Naoko Takeuchi, criadora de Sailor Moon. Por esse motivo podemos notar que Koenma está vestido de Tuxedo Mask durante o torneio do Makai.



23) O golpe Leigan dado por Yusuke é muito parecido com o Deveganizing Ray, do mundo de Scott Pilgrim.

24) Se reparar bem, durante um episódio do Torneio das Trevas, existe um figurante na platéia que é muito parecido com o pokémon Pidgeotto.

25) A princípio, Hiei seria apenas um vilão que apareceria nos primeiros capítulos do mangá. Mas fez tanto sucesso que foi transformado em um dos personagens principais.

27) O mangá foi serializado de 90 a 94, totalizando 19 volumes.
O anime foi produzido pelo estúdio Pierrot, e tem 112 episódios, que foram ao ar de 92 a 95.

28) No Brasil, o anime foi exibido pela Rede Manchete a partir de 97, e ficou em sua grade até o fechamento da emissora em 99. O Canal 21, Bandeirantes, Ulbra TV, Play TV, TV Diário, NGT e Cartoon Network também exibiram a série durante a década passada.

29) Yusuke tem 14 anos no começo da série, e 18 no final.
30) A mãe de Yusuke chama-se Atsuko Urasmeshi, tem 28 anos no começo da série (deu a luz a Yusuke aos 14), e é considerada aterrorizadora por seu filho. É alcoólatra e tem ligações com a Yakuza. Ama muito o filho, e deseja um futuro melhor para ele do que o seu. Tem grande sensibilidade para assuntos sobrenaturais.
31) O nome de Kazuma Kuwabara Ã© a junção do de dois jogadores japoneses de baseball.
32) No torneio das trevas, o único membro do Time Toguro que sobrevive aparentemente é Bui, mas seu destino não é mostrado. Logo depois, na saga Sensui, é mostrado que o irmão Toguro mais velho está vivo dentro de Makihara, mas é posto em uma ilusão eterna por Kurama.
33) Bui quer dizer “poder militar” em japonês.
34) Na época em que humanos e Youkais viviam juntos, Raizen foi o mais poderoso de todos eles, com Enki afirmando que talvez ele tenha sido o mais poderoso que já existiu, e que Mukuro e Yomi não teriam nenhuma chance contra ele em seu auge.
35) Apesar de ter parado de envelhecer ao se tornar um Youkai, Toguro beira os 70 anos durante o Torneio das Trevas.
36) Raizen, o ancestral de Yusuke (de 44 gerações atrás) que é um dos Três Reis do Makai Ã© uma espécie chamada de Mazoku, e além disso ele é considerado umToshin, que traduzindo é algo próximo de um deus da batalha ou deus da guerra,mas é usado apenas no anime.
37) Segundo Raizen, Mukuro Ã© conservadora e isolacionista, querendo manter o Makai da maneira que é para sempre. Ela também que o consumo de seres humanos deve continuar, mas controladamente.
38) A técnica Shotgun de Yusuke consiste reunir energia espiritual em sua mão, e liberá-la em uma grande área, acertando vários inimigos, no entanto é mais fraca que o Leigan.
39) Na fase final do torneio das trevas, Kuwabara se veste como um Bosozoku,que é um membro gangue de motoqueiros no Japão com um estilo próprio e exótico.

40) O poder de Mukuro depende de seu estado mental: quanto mais ódio ela sente, mais poderosa fica.
41) Yomi foi cegado por Youko Kurama, em uma tentativa de assassinato. Isso foi feito para o bem do grupo de ladrões que Kurama liderava, já que as atitudes de Yomi haviam os prejudicado.
42) Quando um usuário do Leikohadouken eleva seu poder ao limite, faz suas células trabalharem ao máximo, por isso quando Genkai lutava a sério, voltava a ficar jovem, no auge de sua força.
43) Leikohadoken Ã© o estilo de luta de  Genkai e foi dominado apenas por poucos seres, e por ser extremamente poderoso, seus conhecimentos são cobiçados tanto por seres humanos quanto Youkais.  
44) No começo de sua carreira como detetive espiritual, Yusuke conseguia atirar o Leigan apenas uma vez por dia. Já no Torneio das Trevas, ele já conseguia quatro vezes, e esse número de vezes não aumentou até o a fase do Makai, onde os tiros se tornaram ilimitados, mas o poder do golpe crescia.
45) Quando renasce como Youkai, e passa a poder usar a energia demoníaca, Yusuke atira o Yogan, um Leigan que usa energia demoníaca. Na fase do Makai, a partir de um ponto, ele passa a conseguir usar ambos com maestria.
47) O nome da mãe de Hiei e Yukina era Hina. Ela fazia parte da raça das Damas do Gelo, formada apenas por mulheres. Elas engravidam sem precisar ter relações sexuais com um homem. Por ter tido um caso amoroso com um demônio do fogo, ela teve Hiei, algo que foi considerado imperdoável pelas anciãs da raça dela. Yukina foi criada como uma Dama de Gelo, e Hiei foi jogado no Makai pela melhor amiga de Hina, Rui.

48) As Damas do Gelo são extremamente frias em relação a sentimentos. Por isso, quase não choram, apenas quando dão a luz, uma vez por século. Suas lágrimas endurecem e se tornam pérolas, que são extremamente valiosas.



49) Kaname Hagiri, também conhecido como Sniper, tem uma mira perfeita, e pode atirar os mais simples objetos com extrema força e velocidade. Seu território consiste em marcar o corpo de seu inimigo com vários alvos, e tudo que for atirado por Sniper não irá errar.

50) Após se graduar no colegial, Kaname some, e manda uma grande quantia em dinheiro para sua mãe todos os anos, até que para alguns anos depois. Muitas hipóteses são discutidas sobre isso, como ele ter virado um assassino profissional ou um mercenário.

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