Cultura

Vaporwave: Tudo o que Você precisa Saber!

16:39

O que é Vaporwave? E porque sua estética dominou tanto assim a internet?




VAPORWAVE ***

A pop art criada por Andy Warhol e Roy Lichtenstein foi um dos últimos grandes movimentos artísticos, lá nos anos 1960. Embora não tenham o mesmo tamanho e importância, outros estilos surgiram na internet recentemente e dominaram algumas culturas underground, também chegando ao mainstream. Você já deve ter visto imagens na internet que misturam esculturas neoclássicas em mármore com computadores dos anos 90 em uma paleta que sai de tons do azul pra rosa que podem ainda conter coqueiros e golfinhos, por exemplo. Se sim, trata-se da estética vaporwave.





No início da década de 2010, algumas comunidades virtuais criaram o termo, que surgiu primeiro como um gênero musical e, depois, evoluiu para um movimento artístico. O que essas comunidades tinham em comum era a obsessão nostálgica pela cultura retrô dos anos 1980 e 1990, video games, tecnologia, cultura e publicidade nipônica pós-moderna. Musicalmente falando, eles sabiam de tudo sobre lounge, jazz suave e música de elevador. Com a facilidade de produzir músicas no computador, essas pessoas passaram a desenvolver seus próprios trabalhos utilizando samples com a tonalidade sonora modificada e várias camadas de distorção. Já o motim era a crítica ao consumo, cultura popular e alegorias do new age.

“A nostalgia é uma ferramenta de venda extremamente poderosa. Marcas estão aproveitando o conforto e a autenticidade do passado para reinventar ou reutilizar produtos com um ar retro”, explica Lívia Nottoli, expert do portal de pesquisa de tendência WGSN.
Para ela, a razão por trás do crescimento do movimento digital está exatamente na nostalgia. Uma vez que estamos ficando inseridos irremediavelmente no mundo virtual, é normal buscarmos elementos do passado como uma maneira de equilibrar os dois universos. “Designers visitam novamente designs icônicos, aplicando tratamentos modernos a clássicos retrô. O espírito anárquico da New Wave dos anos 1980 inspira designers a injetar produtos com energia e individualismo, enfocando cores em octano forte, grafismos vibrantes e personalização criativa”, completa.



O Movimento artístico intitulado Vaporwave não compreende apenas usuários do Tumblr fazendo montagens maravilhosas, vai além disso. É um movimento social, estético e audio-visual. O movimento Vaporwave possuiu toda uma estética própria criada pela sensação de nostalgia e consumo que os anos 80's trazem. 

A musica 



Se imagine depois de um dia cansativo de trabalho sentado em frente à janela enquanto a chuva cai lá fora, em um japão cyberpunk, mas oitentista ao mesmo tempo. Pronto, você imaginou a musica Vaporwave. A maneira de fazer musica desse movimento é baseada no slow motion, soft-jazz, city pop, future funk com uma mistura de J-funk oitentista e synthwave com várias e várias samples de musicas que lembram ou são originalmente dos anos oitenta, mas tudo isso soando de um jeito bem natural e original, sem parecer uma mistura bagunçada.  

O que se sente ao ouvir Vaporwave? A sensação comum é a de um prazer nostálgico, uma ânsia por tempos mais simples em que a tecnologia nos dava prazer antes de nos ter transformado em escravos, imiscuindo-se em cada aspecto das nossas vidas. Mas também há um outro tipo de prazer, uma anestesia, um torpor, o efeito sedativo que alguém sente ao adormecer em frente a uma grelha de programação de madrugada, com aquela música ambiente de fundo. E como esse prazer tem raiz em algo abstrato, vazio, inexplicável, desprovido de significado e emoção, há qualquer coisa de etéreo e alienante nesta música, que nos convida para o seu mundo irreal e narcótico fazendo-nos sentir irremediavelmente perdidos. A intenção é, aliás, que haja aqui qualquer coisa de não humano, de artificial, como se fosse um som criado por máquinas, para pessoas.


As comparações com a pornografia não são injustificadas, dada a natureza repetitiva da música, a importância dada à textura em detrimento da percussão, que faz jus à melhor música ambiente, as vozes suaves e arrastadas, o puro, simples e autêntico prazer. Numa era em que a palavra porn é usada como apodo para caracterizar tendências artísticas (torture porn”, “food porn”, “synth porn”), talvez o vaporwave possa ser descrito como nostalgia porn.

Todas as analogias apontam para os efeitos de uma droga, o que talvez explique este bizarro vídeo de Oneohtrix Point Never (alias de Daniel Lopatin, músico nova-iorquino de renome), feito para servir de acompanhamento visual a uma das suas Eccojams, uma das primeiras obras que deram origem ao género no início da década de 2010.


Desde então, a sonoridade rapidamente se disseminou, partindo de fóruns e redes sociais como o Tumblr e o Reddit, até se infiltrar na comunidade de produtores de laptop, uma geração educada no seio do cinismo da arte e da alienação causada pela tecnologia, para depois se cristalizar e tornar um dos mais importantes géneros de música electrónica contemporânea, fenómeno que atesta não só a vitória dos que sempre defenderam a liberdade do sampling e dos plunderphonics bem como os que acusam este início de século de ser artisticamente vazio.
A designação deste género é coerente com a sua natureza intangível: deriva de vaporware, um tipo de software que é anunciado ao público mas que não chega a ser programado, isto é, que nunca chega a existir.
O primeiro género musical nascido inteiramente online e completamente globalizado assume-se como sátira e forma de reciclagem, aproveitando para si os restos da cultura de consumo dos anos 80 e 90, vazia de significado e sentimento, cuja única produção cultural destinava-se a anestesiar ainda mais os consumidores que tentava desesperadamente atrair. É irónico que tenha uma origem e uma existência tão vápidas como a cultura que tenta criticar, mas, afinal, talvez seja esse o objectivo.
Criado por e para um público que usa a tecnologia num sentido quase Cronenbergiano (lembremos sobretudo ExistenzVideodrome ou até mesmo Crash), em que ela deixa de existir como entidade física e separada de quem a usa e adquire uma conotação virtual e imaterial, a própria palavra vapor denuncia essa natureza de uma música que nunca existiu verdadeiramente e que se dissipa facilmente depois de ouvida. Tal como o mundo tecnológico que habita e que usa como meio de propagação, o vaporwave não é real, mas mimético, feito para parecer real.
Seguindo a tradição da melhor música ambiente e electrónica, o objectivo de quem faz esta música, afinal (se é que há objectivo), é o de transportar o ouvinte para um mundo onde ele nunca tenha estado, onírico e surreal, mas simultaneamente familiar e nostálgico, pleno de referências conhecidas, para o manter emocionalmente envolvido. É talvez esta dicotomia que surge do confronto entre o passado e o futuro, entre a memória e o sonho, que provoca tanto prazer. Um prazer vicário, mas não menos intenso. E um prazer universal, transmitido por uma linguagem universal, a música. O prazer de a ouvir é ser imerso num mundo inteiramente artificial de beleza imensa.
Vozes femininas sussurradas. Simples melodias de piano. Ambient drones. Suave percussão sintetizada. Todos flutuam e existem num mundo próprio, sonhado por máquinas, vivido por humanos. Todos são familiares ao ouvido, pelo menos para quem nasceu no mundo globalizado e pós-moderno de capitalismo de consumo da segunda metade do século XX.



Embora o próprio Daniel Lopatin, conhecido como um dos principais progenitores do género, tenha admitido que fez as Eccojams por brincadeira, é impossível ignorar o seu interesse nas suas possibilidades estéticas. Afinal de contas, é ele o autor de obras de electrónica pastoral e melancólica, inteiramente instrumentais, feitas a partir de sintetizadores analógicos de antanho, como o tríptico Rifts (descrito pelo Village Voice como serenidade tingida de desolação), que evocam tanto o minimalismo de Steve Reich como a electrónica sequencial de Tangerine Dream ou dos primórdios de Steve Roach. E foi ele que desde o início, naturalmente, viu o potencial alienígena (e alienante) desta música e dos seus instrumentos:
“Analog polysynthesizers naturally lend themselves towards the alien because they strive and fail at mimetic representation.”

Mas também há um lado nostálgico, confortável e inconfundivelmente humano nesta música.
Talvez a sensação seja a de passar a eternidade num centro comercial, enquanto criança muito nova, meio perdida, na secção dos brinquedos, ou em adulto naquela secção recôndita do Toys “R” Us que vende consolas antigas em segunda mão, ouvindo aquela muzak a tocar no sistema de som, sendo incapaz de sair, impedido por forças sobrenaturais que não se conseguem controlar ou compreender, e no entanto querendo ficar lá, embalado pela estranha mas agradável sensação de conforto, nostalgia e prazer entorpecedor. É ficar preso no tempo e não querer sair.
Ou talvez a de entrar num centro comercial, esperar que toda a gente saia, e passar lá a noite, a vaguear sem rumo, com a música a tocar e as luzes ligadas, como alguém que procura refúgio enquanto um zombie apocalypse devasta o mundo lá fora.



Brincadeira ou não, o vaporwave tinha de acontecer inevitavelmente, mais tarde ou mais cedo, enquanto forma de arte e gênero musical, bem como sátira, ironia escrachada ao capitalismo e consumismo ao lado do comentário social. Nós, as gerações que cresceram numa sociedade ocidental de capitalismo de consumo, particularmente nos Estados Unidos, nos anos 80 e 90 (e talvez ainda os 60s e 70s), fomos forçados a engolir uma contínua torrente de anúncios e obras de arte audiovisuais sem mérito artístico, vazias de sentimento, significado, beleza e humanidade, manufacturadas com o único propósito de vender marcas (quer essas marcas fossem produtos de consumo ou gente famosa), sobretudo pela televisão e mais tarde a Internet.
Como a fast food que anunciava, essa cultura levava ao espectador uma sensação de conforto e satisfação imediata, que era agradável e viciante, bem como um vazio e uma alienação que se prestavam à sátira. Combinando estes traços com a obsessão e o fascínio da música electrónica pelo passado, e a tendência para a apropriação de formas musicais antigas pelo sampling, partindo sobretudo dos géneros modernos do hip hop, downtempo, trip-hop e chillout, assim nasceu o vaporwave, que portanto serve o duplo intuito (ou, melhor dizendo, evoca os sentimentos, uma vez que claramente não tem um intuito) de nos fazer regressar a tempos mais simples (para muitos de nós, a infância) em que as nossas minúsculas e irrelevantes dores podiam ser facilmente curadas pela droga Technicolor do prazer imediato e desaparecer mediante o mundo colorido e fantástico dos videojogos e da TV, assim como revelar a verdadeira natureza disso tudo, e de nos confrontar com os nossos próprios vazios emocionais.
Como se nos estivesse a dizer “Isto é o que tínhamos. Era tão frívolo, mas tão bom.”
É impossível não sentir um certo prazer nostálgico quando se ouve esta música, porque nos devolve à infância, a ser um miúdo outra vez, com as suas melodias e os seus ritmos simples, fáceis de degustar para palatos pouco sofisticados e exigentes, mas também um sentimento de remorso e tristeza (ou talvez melancolia) porque nada daquilo tinha significado e a parte mais profunda, sensível e espiritual da nossa humanidade deseja que o tivesse. Olhando para trás, para todas aquelas horas de anúncios, cores saturadas e melodias que ficavam no ouvido, tudo parece não apenas vazio mas surreal, o que assusta porque há apenas duas décadas que nos separam desse mundo.
Alguém disse que o vaporwave tenciona “expor as falsas promessas do capitalismo”. De facto, ele prometeu-nos puro êxtase e felicidade eterna, e deu-nos nada. E agora, crescidos, adultos, sentimo-nos como o homem do anúncio do Demerol, confusos e embriagados.

A musica vaporwave ainda se inspira no J-funk dos anos oitenta, como de canções como 1984 da cantora Junko Yagami ou Plastic Love da cantora Mariya Takeuchi.


O vaporwave parece ter nascido desse vazio, de todas essas horas passadas em frente ao televisor, ébrios de cores saturadas, melodias viciantes, sorrisos falsos, dentes branqueados e gasosas geladas. E no entanto, não o condena explicitamente, nem na sua aparente forma de sátira. Ao invés, nutre pelo passado uma certa ternura, que seria comovente não fosse pela ausência de emoção que o caracteriza. Pelos primórdios do digital, pela glitch art, pelo VHS, quando a tecnologia era artificial, etérea e idealizada, longe do realismo do HD.

Adora os saltos da fita de cassete e a estática do analógico como os produtores e DJs de hip hop adoram o scratch do vinil. Adora os separadores do Weather Channel, as grelhas de programação dos canais de televisão pública, os logótipos e os startup sounds do Windows, os gráficos rudimentares dos anos 90, a tipografia asiática. Adora o slow motion, o white noise, o loop e o glitch. Venera e fetichiza tudo o que é obsoleto, abstracto e vazio, e despe-o de significado e emoção, reduzindo-o até ao mais puro surrealismo. E no entanto esta intencional estética lo-fi não é seguida por uma questão de pureza, porque não demonstra uma atitude consciente em relação aos objetos da sua inspiração. Parece adaptar as suas formas sem exagero ou caricatura, mostrando-as como elas são, sem qualquer juízo de valor artístico.


O efeito é inegável: basta ler os comentários do YouTube, que se tornou um enorme repositório de obras e pedaços do género, e inevitavelmente dar de caras com o depoimento de alguém que sente essa nostalgia por um passado de conforto e serenidade, ainda que não o tenha necessariamente vivido.
Nesta era pós-sampling, em que o dique já rebentou, e já não se debate a sua legitimidade, sendo uma realidade tão omnipresente na produção musical, o vaporwave apropria-se do passado com o mesmo vazio emocional que caracteriza a fonte das suas escavações. Não tenta criar algo de novo ou artístico, mas sim representá-lo, como Warhol, Lichtenstein ou Duchamp. Às vezes com ternura, às vezes com nostalgia e saudade, outras vezes com um distante niilismo.


* Os processos são os mesmos do hip hop e da electrónica (slow motion, pitch shifting, time-stretching, delay, cut ’n’ paste, reverb, uso de drone e white noise), com uma ênfase no slow motion (há uma obsessão em abrandar sons até se tornarem surreais, oníricos e hipnagógicos), mas não há uma tentativa de criar algo novo ou sequer com mérito artístico. Não há recontextualização, porque não há contexto.
As fontes das samples são inequívocas a traçar o perfil do género: pop, soft rock, r&b e funk dos 80s e 90s, mas também o lado kitsch, ambiente e genérico da música instrumental, como smooth jazz, muzak, lounge, new age e qualquer coisa que passaria nas colunas de um supermercado ou no elevador de uma empresa.
As vozes são abrandadas, as notas prolongadas, as batidas atrasadas, até o surrealismo tomar conta e tudo perder significado, e não haver nada mais a não ser uma névoa de prazer narcótico, calmante e convidativo, mas também frio e distante. Tal como os supermercados ficaram parados no tempo e ainda passam os mesmos hits dos anos 80 e 90, também o vaporwave ficou preso ao passado, demasiado confortável para se abandonar. Como seria de esperar de um sub-gênero de música electrónica fortemente apoiado no sampling, o que o tempo esquece, o vaporwave recupera e celebra. Até porque o tempo, neste universo paralelo, não existe. É obliterado neste deserto estético onde nada importa a não ser uma sensação de absurdo e o prazer que só a nostalgia proporciona.
O sucesso do vaporwave, para aquele que é manifestamente um gênero de nicho, explica-se porque há qualquer coisa dentro de nós que anseia por conforto, sossego e paz de espírito. Pela anestesia do mundano. Como quem adormece em frente ao Weather Channel ou gosta de ver grelhas de programação.


Infinity Frequencies, um dos produtores mais conhecidos do género, define a sua música com a frase:

“When computers sleep, they dream”

A recém-nascida editora Dream Catalogue, sediada em Londres (ou em Neptuno, quem sabe?), fundada em 2014 (ou, segundo a própria, em 2814), que se descreve como “Record label, installing dreams into your brain”, assume o objectivo de lançar música não sob o signo da ironia e do capitalismo, que tanto caracterizou as primeiras obras do género, mas sob o estandarte de sonhos melancólicos de fuga para um mundo distante, livre de isolamento e solidão, propagando o género para a frente, numa direcção nova e positiva.
Dois dos seus álbuns mais importantes, HK e 新しい日の誕生, lançados em 2015 pelo fundador da editora, Hong Kong Express, assumem como seu ethos nada mais que a beleza, a melancolia, a utopia e o escape e como principal e inegável influência estética o mundo urbano e decadente de Blade Runner, encharcado de néon e chuva torrencial, com os sintetizadores da sua banda sonora a servir de paleta sónica.

O vaporwave é a música da alienação, do absurdo e da nostalgia, feito à medida do público do século XXI, um público anónimo e globalizado, conectado, mas desligado da interacção humana. Sabe o quão vazia e absurda é a época em que vive, e abraça-o com gleeful abandon, apropriando-se do passado, imaginando o futuro, recusando-se a viver no presente. Num mundo que muda tão rapidamente, em que tudo é um nicho, perante a impossibilidade de acompanhar tendências e uniformizar o que quer que seja, haverá forma mais eloquente de caracterizar o que significa viver no início do século XXI?



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A estética desse movimento é marcada pela ode ao Windows 95, neo-classicismo e designe gráficos da internet noventista, iniciação do windows e games Atari. A estética sempre reforça o uso das cores primárias que lembram em algum momento o arco-ires.  VHS e MTV também são marcas registradas da estética do vaporwave. Lembrando que foi nos anos 80 em que a MTV explodiu com seus clipes maravilhosos. 




Essa vibe ainda pega onde nos animes oitentista e noventistas como Sailor Moon, Akira e Neon Gênesis Evangelion. Como se trata de um movimento que tem uma força considerável entre os jovens, muitos deles são adeptos à estética sem necessariamente gostar das músicas. Elementos dos anos 1980 e 1990, glitch art, design gráfico antigo, bustos romanos, paisagens tropicais, cultura japonesa e muito rosa e azul (devo falar isso sempre) compõe essa estética, que começou em fóruns onlines como o Reddit, Tumblr e 4chan, e transbordou ao angariar milhares de adeptos ao estilo de se vestir Vaporwave.

Existe até mesmo uma fonte que foi popularizada em nome do Vaporwave. E isso é bem valioso, pois vemos o esforço em que o movimento tem em se popularizar logo. Você pode acessar um site bem legal que permite converter qualquer fonte pra famosa font vaporwave aqui





Reconhecimento Cultural

Terá o vaporwave mérito artístico? Não é esse o objetivo. Talvez o seu mérito seja ter-nos permitido ser verdadeiramente democráticos no nosso amor à música, e dizer abertamente que gostamos de música de elevador, lounge, muzak, new age, ambiente e todas essas formas de música instrumental aparentemente ridículas ou foleiras, sem medo de ser alvo de troça ou acusações de mau gosto.
Serão os seus autores lembrados? Não interessa. O anonimato é a regra do jogo aqui, para um público incógnito e globalizado, que se regozija perante o prazer de permanecer oculto num mundo sem privacidade. É assim que mantém a sua magia, despindo-se de identidade (e de humanidade). Eccovirtual comunga deste sentimento:
“The whole appeal of vaporwave is its use of remaining unknown, that in a world where nothing is private it is refreshing to find something that feels like it was found in the dumpster of a thrift shop. Where it does not matter where it came from or who made it, only that it takes you elsewhere, somewhere distant from reality.”



Qual o futuro do vaporwave? Aparentemente vazio, como a cultura de consumo que parodia e representa, a julgar por um género com tão pouco respeito por si próprio, encarado por tantos como uma piada, tão dependente dos objectos que satiriza e apropria.
Quando, daqui a vinte anos, adultos procurando nostalgia regressarem ao início do século XXI, encontrarão uma era culturalmente vazia, feita de sátira, cinismo, sons sintetizados, colagens, falsos objectos e outras formas de expressão fingidas e arrogantes. Uma vez que os movimentos satíricos necessitam de objectos para troçar e o vaporwave obviamente não pode satirizar-se a si próprio, implodirá e deixará de existir, e as pessoas procurarão formas mais sinceras de expressão artística. Talvez a sátira, tal como o cinismo, ficará obsoleta pelos meados do século XXI, e a sinceridade e o sentimento honesto serão a nova moda. Este é o problema com o excesso de ironia, sarcasmo, distanciamento, desconstrutivismo e falta de seriedade nos tempos pós-modernos, sobretudo a partir do final do século XX. Leva-nos a um vazio emocional.

Será que rejeita a cultura empresarial e consumista pela sua decadência e vacuidade, ou abraça-a pelo seu hedonismo desenfreado? Será que tem pretensões ou objectivos a cumprir? Será arte ou anti-arte?  Algum artista do Mainstream como Lana Del Rey, Björk ou Britney Spears irão levar o gênero musical para o gosto popular? Nada disso interessa.

Internet

Como uma conta de Facebook ou Twitter é verificada como oficial?

23:58

Tem que ter disposição...



No caso do Twitter, há alguns requisitos básicos: a conta deve ser vinculada a um telefone e um e-mail verificados, deve conter foto de perfil e de capa e deve manter seus tuítes públicos, entre outras exigências. Até perfis falsos podem receber o selinho azul de certificação, desde que tenham impacto e que deixem claro que se trata de uma página de humor. Até julho, isso era uma via de mão única: o Twitter é quem dava o certificado a celebridades, marcas e personalidades relevantes. Mas agora qualquer usuário já pode solicitá-lo, seguindo os critérios acima.

Já o Facebook distribui dois tipos de selinhos. O cinza é destinado a organizações ou empresas e pode ser requisitado por elas mesmas – a ideia é confirmar que existem e que elas são responsáveis pelas páginas. O badge azul é concedido automaticamente a figuras públicas e marcas em geral conforme elas demonstram alto grau de impacto e engajamento com o público.

Internet

É verdade que existem sete chaves que “desligam” a internet?

15:31


Sim. Elas abrem um cofre que contém cartões digitais, os quais, juntos, criam uma espécie de “chave mestra” que permite reiniciar o sistema DNS, um mecanismo essencial na navegação. As chaves são gerenciadas pela Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann), uma empresa sem fins lucrativos subordinada ao governo dos EUA, que é responsável pelo sistema DNS. Apesar de o termo popular ser “sete chaves da internet”, na verdade elas são 14 e estão em poder de sete guardiões titulares e sete suplentes. Uma vez ao ano, os suplentes devem enviar uma selfie ao lado de um jornal do dia e da chave de segurança ao Icann para confirmar que tudo está em segurança. Também anualmente os detentores das chaves se reúnem para renová-las.
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
Para acessar um site, você digita o domínio (como mundoestranho.com.br). Isso só é possível graças ao sistema DNS (Domain Name System), que traduz o nome do site para o endereço real da revista, chamado de endereço IP, que é uma sequência de números. Já imaginou ter que decorar uma numeralha para cada site que você acessa?
ERRO 404
O grande problema do sistema DNS é que ele vive sendo alvo de ataques por pessoas que tentam subverter essa tradução. Um exemplo desse tipo de ataque é quando você acessa um site e é redirecionado a outro, muitas vezes sem perceber. Nessa página falsa, você pode inserir dados que podem ser usados de forma mal intencionada
UNIDOS VENCEREMOS
As sete chaves abrem um cofre, onde estão sete cartões que são passados em uma máquina. Dessa forma, uma chave criptográfica é gerada, capaz de reiniciar o sistema DNS (e, portanto, a internet) em caso de um ataque. A chave fica em posse de um membro do Icann
OS SETE CHAVOSOS
Os guardiões trabalham para institutos internacionais. Além do conhecimento na área, sua escolha é baseada na localização, já que devem estar espalhados pelo mundo. Quatro vezes ao ano, eles se encontram para atualizar a chave criptográfica – duas vezes na costa leste e duas na costa oeste dos EUA (há um cofre em cada lugar)

Internet

Como funciona um download por torrent?

11:06

O BitTorrent estabelece uma rede de compartilhamento que privilegia sua própria ampliação. Mas ela é completamente dentro da lei...




Baixar por torrent consiste em coletar fragmentos de um mesmo arquivo no computador de usuários que compartilham o conteúdo ou estejam fazendo download do mesmo documento. Isso é o que diferencia o compartilhamento por torrent de outras formas de download entre só dois usuários (peer to peer, ou P2P): a transferência de dados acontece entre vários computadores que disponibilizam o mesmo arquivo.
Numa transferência convencional, o usuário baixa o arquivo de apenas um servidor. A sacada do protocolo BitTorrent é que o download também é realizado a partir de computadores que contenham apenas partes do arquivo, e não somente de quem baixou ele inteiro.
Saiba como acontece o processo:
1) O arquivo com o final “.torrent” é armazenado na rede com dados sobre o seu download: em quantos e em quais fragmentos o arquivo está dividido, o endereço para compartilhamento etc.
2) A localização dos pacotes que formam o arquivo a ser baixado e a disponibilidade deles são indicadas por um tracker: um servidor que intermedia a conexão entre os usuários do protocolo (peers).
3) Um arquivo é dividido em pacotes de cerca de 250 kb, que podem ser transferidos fora de ordem, de várias fontes. Como é feito de pouco em pouco, o download também pode ser pausado e recomeçado de onde parou.
4) O tracker indica as partes do arquivo com menos cópias na rede. O download começa por pacotes mais raros, pois, assim, eles são “duplicados”: quem baixa essas partes também se torna um uploader delas. É por isso que o download via torrent começa lento e depois acelera.
5) Usuários que mantêm os arquivos baixados disponíveis viram seeders (semeadores). No sistema, quem compartilha muito tem mais velocidade de download. Por outro lado, quem só compartilha enquanto baixa é chamado de leecher (sanguessuga) e tem menos prioridade na rede.

MAS É PIRATARIA?

Como é só um protocolo de compartilhamento de arquivos, o BitTorrent não tem nada de ilegal
Trocar arquivos pode! O que é fora da lei é compartilhar conteúdo com direitos autorais sem autorização. Por isso, trackers e sites de busca de arquivos “.torrent”, como o The Pirate Bay, são perseguidos. Apesar das intervenções da Justiça, o The Pirate Bay, continua no ar, indexando cerca de 4 milhões de arquivos. Para fugir das autoridades, o site já escondeu servidores em cavernas, quis comprar uma ilha e planeja guardar seu conteúdo literalmente na nuvem, em drones (aviões não tripulados guiados por GPS).

Interessante

Qual é foi a maior comunidade do Orkut?

10:53



A maior comunidade do orkut é a Eu Odeio Acordar Cedo, com mais de 4 milhões de membros! Até o fechamento desta edição, ela tinha mais precisamente 4 267 236 membros, segundo a assessoria do Google Brasil, que cuida do site de relacionamentos.

 Tudo começou como uma brincadeira de João Paulo Mascarenhas, carioca de coração, mas nascido em Natal (RN), que hoje está com 29 anos. No dia 23 de maio de 2004, ele decidiu testar “a popularidade da idéia e a dinâmica do orkut”. João jura que nunca fez nenhuma propaganda ou convidou novos membros, com exceção de dois amigos. Para lidar com o volume gigantesco de mensagens, moderadores foram convocados. “Eu não conseguia responder a todos. Meu tempo online era muito curto para dar conta disso”, diz João. 

Mas a pergunta que não quer calar é como alguém que criou a maior comunidade do orkut, e que trabalha como gerente de uma agência de intercâmbios, consegue evitar aquilo que mais odeia? “Bem, eu levanto da cama às 8h30 para ir ao trabalho… Mas compenso nos fins de semana!” 

curiosidades

Qual foi a primeira comunidade do orkut?

13:39



Foi a comunidade da Stanford University, nos Estados Unidos. O primeiro grupo virtual foi criado pelo próprio Orkut Buyukkokten – o inventor do site – em 19 de janeiro de 2004, três dias antes de o orkut entrar oficialmente no ar. Não é por acaso que a Stanford University tinha o seguinte endereço http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1. O número que aparece depois da sigla “cmm” – no caso, “1” – indica a ordem em que as comunidades foram criadas. A comunidade da Stanford University, onde Orkut (o inventor) estuda pós-doutorado em ciência da computação, tinha 11.700 membros.

Fala sério… Cinco comunidades pra maluco nenhum botar defeito
Nomes bizarros Orkut
Número de membros – 8 039
O que rola – Se o próprio inventor do orkut tem esse nome todo estranho, dá para imaginar o conteúdo dos posts dessa comunidade…
Trecho – “Cara, olha esses nomes: Mizhaim, Iaslhine, Acenathe, Elibama, Elizama, Jael…”
Ñ quero morrer jogando futebol
Número de membros – 32 107
O que rola – O nome já diz tudo sobre essa comunidade que é para neurótico nenhum botar defeito. Os membros têm medo de morrer batendo bola
Trecho – “Teve um que tomou uma bolada na cabeça quando estava na barreira e morreu… Maior dó”
Parangaricotiri-mírruaro
Número de membros – 258 621
O que rola – Na categoria TV, essa é uma das campeãs em esquisitice e popularidade. O nome que não dá para pronunciar vem de uma palavra mágica dita por uma bruxa no seriado Chapolim
Trecho – “Tinha medo da bruxa Baratuxa. Quem aí tinha medo dela também??? Quando eu era criança, morria de medo desse episódio”
Eu tenho medo de cair pra cima
Número de membros – 57 275
O que rola – Mais na linha comportamental, esse grupo certamente não devia ter nenhum físico como membro. Só entrava a galera que acha que a gravidade pode sumir a qualquer momento
Trecho – “E se ela (a Terra) parasse bruscamente de repente? Nós seríamos jogados não exatamente pra cima, mas em direção ao horizonte, com uma velocidade de 1 200 km/h!”
Usamos Física no banheiro
Número de membros – 41
O que rola – Como se vê, o número de físicos na “iniciativa privada” era pequeno… Os poucos membros discutiam sobre as variáveis da física no vaso sanitário
Trecho – “Pensem na força resultante produzida por você, no trabalho e na potência para que aquele corpo fedorento caia em queda livre”

Cinema

Sete documentários incríveis escondidos na Netflix

17:46

Amy, Kurt, David Blaine, Senna, Maradona e o maior recordista do jogo da cobrinha. Eles têm algo em comum: protagonizam documentários perfeitos.



Amy
Depois de dar à vida de Ayrton Senna um contorno ainda mais épico do que ela já tinha, o diretor Asif Kapadia debruçou-se sobre as filmagens de arquivo de outro ídolo que morreu jovem: Amy Winehouse. A imensidão desse arquivo ajuda. Tudo começa com uma Amy adolescente, gordinha. Insatisfeita com o corpo, ela já aparece em vídeos de família dando os primeiros sinais do transtorno que a acompanharia para o resto da vida: a bulimia. Uma grande decepção amorosa, álcool, heroína e crack protagonizam o segundo ato. No final, uma tese chocante sobre a causa real da morte da melhor cantora desta geração.


Hitler – A Carrier
Se tem um assunto sobre o qual você acha que já viu tudo, esse assunto provavelmente é o nazismo. Mas você nunca viu nada parecido com este documentário de 1977, que chegou ao Netflix neste ano. Como tantos outros documentários, ele retrata a ascensão e a queda do ditador, mas com um diferencial: imagens inéditas dos primeiros discursos em Munique, na década de 1920, narrativa que vale por uma daquelas biografias de mil páginas e uma profusão de filmagens a cores, boa parte mostrando o Führer em momentos de lazer com Eva Braun, sua amante. Mais do que meras curiosidades, essas imagens coloridas nos lembram que o nazismo é algo mais próximo da nossa realidade do que os filmes em preto-e-branco da época nos fazem crer.



Man Vs Snake
Tim McVey ganha mal, mora num fim de mundo, tem um trabalho insuportável, pesa uns 200 quilos e já passou dos 40 anos. Mas tem um trunfo: aos 16, fez um bilhão de pontos num jogo de arcade do início dos anos 80, o Nibbler (precursor do “jogo da cobrinha”, aquele que você jogava no seu Nokia na sala de espera do dentista). O recorde lhe deu uma certa fama nos meios ultra-nerds – pudera: a única forma de fazer o tal bilhão de pontos era jogar por mais de 35 horas seguidas. No início deste documentário, ficamos sabendo que McVey tem um arquiinimigo, que ele nem conhece pessoalmente: Enrico, um jovem da Itália que teria batido seu recorde, ainda na década de 1980. Dali para a frente acompanhamos a paranoia de McVey para tentar recuperar sua marca, e o sentido de sua vida. O resultado dessa jornada insana vale por um ano de terapia – tanto para Tim McVey como para quem assiste.


Este documentário é uma antítese de Pelé Eterno. A obra definitiva sobre o Rei é uma coleção de ótimas imagens de arquivo entremeadas por cenas de uma breguice constrangedora (a parte sobre as conquistas sexuais de Pelé é um bom antídoto contra envenenamento – faz vomitar). Aqui é o oposto: as imagens de arquivo não são essas coisas, mas a narrativa é de primeira linha, feita por um cineasta com pegada independente (que você pode ou não gostar, mas que não tem como ser chamada de brega). Depois de assistir, fica difícil não concordar com a opinião de Tostão: Pelé jogou mais, mas Maradona era mais habilidoso. No mundo dos documentários, acontece mais ou menos a mesma coisa: Pelé Eterno é mais útil para quem quer conhecer o futebol do Rei, mas a habilidade do cineasta sérvio é bem maior que a dos responsáveis pelo documentário brasileiro. Ponto.


Kurt Cobain: Montage of Heck
Se Senna e Amy parecem ficção, de tão redondos, este documentário vai mais longe. Kurt aparece ainda bebê, em vídeos de família. Vemos até ele ganhando sua primeira guitarra de brinquedo. Vinte e poucos anos depois, mais vídeos de família: Kurt e Courtney Love, sua companheira, se filmam em quartos de hotel, chapados de heroína, enquanto brincam com a filhinha Frances Bean. Mas não é só pelas imagens íntimas que este documentário vale. Seu grande trunfo é ser uma biografia analítica, que, busca traçar os episódios que deram origem ao comportamento perturbado de Kurt. Comportamento que culminaria num suicídio aterrorizante.


Real or Magic
David Blaine pede para uma mulher vendar os olhos. Então toca nos ombros do marido dela, que está bem ali na frente. E ela sente o toque, por “telepatia”. Esse é um dos vários truques do mágico mais famoso do mundo. Esse tipo de ato, porém, sempre carrega um peso: a falta de credibilidade. Tudo pode ser só armação. Mas aqui Blane não deixa espaço para isso: os voluntários neste doc são basicamente as maiores celebridades do mundo. O truque do toque nos ombros acontece com Will Smith, sob o testemunho estupefato da família toda do sujeito. Em seguida, vem uma torrente de mágicas, agora com Woody Allen, Robert de Niro, Harrison Ford, Stephen Hawking… Gente que nunca, jamais, nem sob tortura, participaria de uma armação. Destaque para a cena em que Blaine rouba o relógio de George W. Bush sem que nem ele nem seu séquito de assessores percebam, e depois mostra as imagens do furto em câmera lenta. Gênio.



Senna
Quando este documentário estrou nos EUA, houve quem saísse da sala de cinema às lágrimas, chocado com o final: 99% dos americanos jamais tinha ouvido falar em Ayrton Senna, então não faziam ideia de que o herói da história morria no final, num final de semana macabro (outro piloto, o austríaco Roland Ratzemberger tinha morrido nos treinos de sábado, também diante das câmeras). Os brasileiros que acompanharam os três anos em que Ayrton e Alain Prost disputavam curvas ombro a ombro não sabiam, mas estavam assistindo ao maior momento da história do automobilismo. Editada pelo documentarista inglês Asif Kapadia, a disputa entre o brasileiro e o francês ganha um tom homérico, que passava um tanto batido para quem assistia tudo ao vivo. Falo por mim mesmo: o início do GP do Japão de 1990, em que Senna enfia sua McLaren na lateral da Ferrari de Prost logo na largada, provocando um acidente, pareceu só uma manobra burocrática, em que Senna preferiu garantir o título ali mesmo, já que se Prost não marcasse ponto nenhum o campeonato era dele, do que se dar ao trabalho de correr 53 voltas. Neste documentário, porém, a batida não parece uma disputa entre dois jovens esportistas bem pagos pela indústria do tabaco, que patrocinava o grosso da Fórmula 1. Parece é uma batalha entre Aquiles e Heitor, da mitologia grega. Um jogo de intriga e vingança entre semi-deuses. Um drama além da vida e da morte. E, caramba. Não é que foi exatamente isso?

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