Anime

A Importância e Influência de Akira. Um clássico dos anos 80.

10:47

Filme ganhou versão remasterizada recentemente. 

Sempre que alguém discute filmes clássicos, tem sempre aquele cara. Aquele cara que faz um som audível molhado quando fala e que tem um canal no YouTube só de tutoriais de vaping.

Você não pode achar qualquer outro Alien bom porque o Alien, o Oitavo Passageiro é muito superior. Não vale a pena assistir Avatar porque o filme é basicamente uma cópia de Dança Com Lobos com gatos azuis. Você não pode gostar de Deixe Me Entrar porque ele é baseado no Deixe Ela Entrar holandês, e quem manja mesmo de filmes sabe que todos os remakes de Hollywood são uma bosta.
Infelizmente, quando se trata do clássico anime de 1988 Akira, preciso concordar com esse cara. Sou tanto esse cara que quase não enxergo além da aba do meu fedora por causa da fumaça do vaping. Esse é o único filme que eu vou pagar pau descaradamente, e foda-se quantos amigos eu perder por causa disso.
Felizmente, não estou sozinho nessa. Setembro último foi comemorado o aniversário de 25 anos da Manga Entertainment — a distribuidora responsável por trazer várias animações japonesas para o Reino Unido e EUA — e Akira já ganhou três lançamentos no Reino Unido, e atualmente está passando em 70 cinemas do país.

Quem já viu o filme provavelmente já é fanático por Akira. Quem ainda não assistiu, eu aconselharia desmarcar qualquer coisa que você vá ver na Netflix hoje e ir assistir o filme (que ainda está no catálogo da Netflix.). Por quê? Porque o título é um dos mais influentes dos últimos 30 anos, e é um favor que você faz pra si mesmo. SIM!


Passada numa Neo-Tóquio depois da Terceira Guerra Mundial, a história segue uma gangue de motoqueiros adolescentes rebeldes, especificamente Kaneda e Tetsuo, enquanto ele cruzam acidentalmente com um projeto militar que planeja usar humanos com telecinese como armas. Tetsuo é capturado pelo governo e logo fica claro que ele tem poderes telecinéticos que rivalizam com a arma mais poderosa do projeto, um menino chamado Akira. Aí — bom não vou dar spoilers, mas basicamente a coisa toda explode da maneira mais foda possível.
Considerando como a cultura japonesa é parte do mainstream no mundo ocidental hoje, é difícil imaginar que antes do lançamento de Akira em 1989, o Japão e a sua arte, cozinha e animação eram alienígenas para a maioria do Ocidente. Tanto que quando ofereceram a Stephen Spielberg e George Lucas a chance de trazer Akira para os EUA em 1987, eles recusaram, dizendo que o desenho não atrairia o público ocidental.
Estranho, porque o diretor e roteirista do filme Katsuhiro Otomo emprestou muito do que era popular no cinema contemporâneo e clássico do Ocidente na época. Tematicamente, vários aspectos do filme lembram Juventude TransviadaVideodrome de David Cronemberg, Blade Runner de Ridley Scott e 2001: Uma Odisseia no Espaço. O filme até faz referências fortes a E.T. e Guerra nas Estrelas.


A combinação de distopia cyberpunk com influências do biopunk, alienação adolescente, ficção científica e bombas visuais de grande escala de Akira já era parte do gênero de sci-fi ocidental nos anos 80, e seu apelo ficou evidente quando o filme fez $ 49 milhões de dólares em bilheteria mundialmente quando foi lançado no cinema — uma quantia considerada muito dinheiro para qualquer filme na época.
Falando sobre como a empresa começou, o cocriador da Manga Entertainment Andy Frain contou para a Manga UK: "Comecei a achar que [Akira] era mais que um grande filme — ele poderia ser um fenômeno. Havia mais filmes assim no Japão? Se sim, poderíamos tratá-los em termos de música, como a Def Jam: um gênero em si".

Influência biopubk em Akira
Foi a primeira vez que o ocidente se envolveu com a cultura japonesa em massa, e isso causou um impacto considerável: a influência do filme ainda é óbvia por todo lado. Nas áreas de cinema e televisão, é fácil ver como o título moldou o sci-fi moderno como o conhecemos. Filmes como Destino EspecialPoder Sem Limites e A Origem pegam muito emprestado da temática e estilo de Akira. Dois desses três filmes até têm uma criança com poderes telecinéticos destrutivos central no enredo. Outro filme influenciado foi Looper: Assassinos do Futuro. O diretor Rian Johnson disse recentemente numa AMA do Reddit: "Você pode ver a gama de coisas onde me inspirei, de Exterminador do Futuro a Akira".
Na TV, o seriado da Netflix que é uma carta de aos anos 80, Stranger Things, se baseia na personagem Eleven, outra criança treinada por um grupo sombrio para usar seus poderes de telecinese como arma. O filme abriu caminho para Pokemon, Neon Genesis Evangelion, Sailor Moon, Digimon, Cavaleiros Do Zodíaco, Naruto e Dragonball se tornarem fenômenos culturais. Akita também é uma grande influência pra movimentos artísticos, como o V a p o r w a v e, uma das maiores influências aliás. Por resgatar aquele futuro nostálgico oitentista, que é a essência do vaporwave.

Cartaz de Akira em uma arte do movimento Vaporwave.

Fora o cinema e a TV, o filme também influenciou vários músicos. Kanye West já falou sobre seu amor por Akira e até baseou o clipe de "Stronger" em sua narrativa, basicamente interpretando um Kanye/Tetsuo como protagonista. O diretor Hype Williams disse sobre Ye e o clipe na época: "Ele sempre se inspirou em Akira. Em certo ponto, acabamos mergulhando de cabeça e filmamos partes do filme para o clipe, mas decidimos voltar um pouco atrás e fazer uma versão mais abstrata no final".


A musica do Kanye não é a única que recebe influência direta do grande clássico Akira. Gêneros resultantes da sensação nostálgica, assim como o vaporwave, usam e desusam a imagem e estética de Akira para fundir e dar uma sensação mais completa à sonoridade. Entre estes estilos estão o City Pop, Synthwave, Retrowave, Future funk e Retro Electro.



A trilha sonora revolucionária de Geinoh Yamashirogumi rendeu uma série de discos de remixes da Bwana ano passado, a Capsule's Pride.

Fica claro quanto o filme influenciou a cultura ocidental desde que foi lançado 28 anos atrás. Foi o primeiro caso de um filme japonês que logo de cara foi apreciado pelos críticos no EUA e Reino Unido. Akira abriu as comportas não só o anime, mas para que toda a cultura japonesa fosse aceita pelo público ocidental.

Então, se você não viu o filme, não perca a chance de assistir agora. Vou tentar não atrapalhar sua visão com o meu chapéu fedora.

Ficção Cientifica

Biopunk - Um tenebroso futuro

22:10


Depois de explorar o Steampunk decidi falar sobre o biopunk. O Biopunk é um sub-gênero da ficção científica e que originou depois da invasão do Cyberpunk. 

O futuro apresentado e explorado no Biopunk tomou outro rumo do Cyberpunk. Ao invés de termos carros voando sobre um japão tecnologicamente desenvolvido e avanços para implantes tecnológicos, nós temos um universo voltado para a biologia sintética, ou seja, os personagens desse universo tem seus corpos, ou alguma parte deles, modificado geneticamente. Mas, não pense que isso venha ser algo bom, necessariamente. 

Universos biopunks contam de grandes corporações que não tem limites e fazem pesquisas e estudos secretos alterando DNA humano, fazendo experiências com cobaias humanas e torturando crianças como a Eleven (tem um pouco de Stranger Things aqui). Essas mesmas corporações possuem projetos considerados repugnantes pela sociedade. Falando na sociedade Biopunk, as pessoas deste universo não possuem uma condição de vida muito boa. São submetidos à poluição, fome, doenças e epidemias terríveis. Os médicos deste universo costumam ser egoístas e grandes corruptos. 



Graças ao grande repertório que a biologia pode oferecer um catálogo muito criativo é apresentado pelos escritores desse gênero aos que apreciam, as histórias vão desde cobaias fugindo de grandes corporações em busca de socorro à um vírus criado em laboratório que pode dizimar a raça humana ou torna-los em seres desprezíveis. Em algumas histórias as mutações híbridas podem dar poderes aos cobaias, em maior parte, poderes psíquicos. Os poderes do biopunk tem uma ligação forte e uma explicação coerente dentro do que a ciência possa entender e assumir.

Outra característica é que o universo Biopunk não precisa acontecer de forma necessária em um futuro extravagante. Um grande exemplo disso é o clássico Akira, aonde são nos apresentados elementos do biopunk. 

É comum o termo Biohacker, que se trata de pessoas, geralmente jovens, que possuem um conhecimento bio-científico que conseguem criar anti-vírus, vacinas e até mesmo o próprio vírus. 



Além de abranger a bio-modificação genética, o Biopunk mostra todo o lado negativo de uma evolução biológica e os avanços disto. Digamos que Steampunk seja do povo de humanas, Cyberpunk do de exatas, sendo assim Bio (que original) seria do povo de biológica. Parabéns vestibulandos de medicina por terem criado isso. Brincadeira a parte, nesse futuro distópico onde a tecnologia biológica evoluiu pra pior tudo que bizarro pode ser visto.

Por se tratar de um gênero Punk, geralmente ligado à uma crítica social ou distopia, soberania de alguma parte, por mais que o indivíduo use a biologia e biophilia para o bem, sempre haverá uma causa e uma consequência muito maior. 

Existem muitos trabalhos que nos mostram mais sobre universo, talvez um dos mais famosos, é o universo de games e filmes de Resident Evil. A Umbrella C. é uma típica corporação do meio biopunk, que possuiu projetos secretos terríveis que poderiam dizimar a raça humana, como os vírus, e até mesmo experiências com humanos, como o projeto Nemessis. 

Resident Evil é um exemplo do biopunk no RPG

Milla Jovovich interpretando Alice, jovem que luta contra a Umbrella C.
No RPG ainda podemos citar BioShok e no cinema Splice, um grande clássico. Entre os clássico da literatura podemos encontrar Ribofunk, Levithan e Xenogênesis...

O biopunk ainda é muito desconhecido e pouco abrangido no mundo dos cinemas, mas, podemos esperar, pois cada vez mais esse gênero vem tomando conta da cabeça dos jovens, em breve prevejo ver grande clássicos se passando no universo biopunk.

Ficção Cientifica

A ficção científica e seus sub-gêneros

15:01


Fala pessoal, tudo belezinha?
Todos sabem como que uma boa narrativa é importante para existir ótimos games,filmes,HQs,seriados e etc.A narrativa em geral apresenta muitos tipos diferentes, e um dos meus preferidos é a ficção.
Neste post, arriscarei dissertar um pouco sobre este tipo de narrativa, mas focando no gênero científico e correlacionando com o enredo dos games,filmes e etc.
Antes de partir propriamente para o objetivo do post, vou definir alguns termos importantes para um melhor entendimento do texto.
A narração é definida principalmente como a exposição/relato de um acontecimento, de um fato. De acordo com o conteúdo presente na narrativa, podemos ter diferentes tipos, dentre eles:
  • Ficção: Refere-se principalmente a uma narrativa imaginária, ou seja, o relato de um acontecimento ou fato de algo que não existe.
  • Não-ficção: Em contrapartida, a não-ficção é uma exposição de um acontecimento ou fato sobre a realidade. O documentário é um grande exemplo de uma narrativa não-ficcional.
A própria ciência da narrativa de um game consiste em um simulador da realidade, isto é, na ficção.Idem para os filmes.E é justamente essa ilusão da realidade que é possível criar uma imersão no enredo do game/filme/HQs.
A ficção mais comum quando lidamos com entreterimento nerd é sem dúvida a ficção científica(sci-fi).Este gênero da ficção lida direta ou indiretamente com o impacto da ciência sob a sociedade, mas não só de modo prático, e sim o chamado filosofia/fantasia da ciência.
É importante relatar que o universo sci-fi é sustentado principalmente pelos “três grandes” escritores da ficção científica: Isaac AsimovRobert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, considerados, em vida, os maiores gênios deste tipo de narrativa.Isaac Asimov ficou famoso pelas histórias “Eu,Robô”,”O Homen Bicentenário” e “Fundação” enquanto que Heinlein destacou com as obras “O dia depois de amanhã” e “Tropas estelares” e Clarke com “2001: Uma Odisséia no Espaço”.
Antes de continuar,quero deixar todos cientes que a ciência por detrás deste tipo de gênero literário é muito mais complexa que aparece.As definições que foram e serão dadas neste post são muito genéricas comparadas com aquelas encontradas na filosofia da ficção científica.
A ficção científica também conseguiu promover pensamentos e idealizações de vários equipamentos e conceitos que hoje são comuns e rotineiros pra nossa realidade. Clarke contribuiu para o conceito do satélite, Julio Verne popularizou ainda mais os submarinos (sendo que na época já existiam alguns protótipos) e os dirigíveis. Teorias e conceitos empregados em Star Trek formaram importantes alicerces em pesquisas científicas futuramente. É inegável como que a imaginação deu origem ao conhecimento.
Na esfera dos games praticamente todos são ficções e muitos são do gênero científico.Fallout,Deus Ex,Assassins Creed,Bioshock assemelham-se pelo gênero da narrativa escolhido, porém, diferenciam principalmente pelo enfoque na narrativa.Desta maneira, dentro do gênero científico, existem os sub-gêneros.A partir desta motivação dissertarei mais um pouco sobre estes sub-gêneros científicos e relacionarei com as diferentes obras ficcionais que os nerds tanto apreciam.
OBS: Na internet existem muitas versões de classificação dos sub-gêneros da ficção científica.Eu estou escrevendo este artigo com base na classificação do Wikipedia.
Como eu escrevi no post do Deus Ex,o cyberpunk é um sub-gênero da ficção científica no qual apresenta como principal característica o enfoque na alta tecnologia e na miséria da vida humana.O movimento cyberpunk pode ser sintetizado facilmente como um sub-gênero de futuro pessimista “high-tech/low-life”(Alta tecnologia e baixa qualidade de vida) e é  um dos gêneros mais comuns e queridos dos leitores de ficção científica.
cyberpunk começou em 1983 quando Bruce Bethke, um escritor americano, escreveu uma pequena história sobre uma gang de adolescentes hackers e a batizou de ‘CyberPunk‘.O próprio nome do movimento pode já nos dar um boa dica do que que significa: “Cyber” seria a parte referente a ciência avançada, tecnologia da informação e a cibernética e “Punk”  referente a desintegração ou mudança radical na ordem social ou simplesmente como um sinônimo para “exagero”.Melhores informações podem ser lidas no artigo escrito pelo Bruce Bethke sobre a Etimologia de “Cyberpunk”.
Capa de uma HQ de Akira simbolizando a cultura cyberpunk.
Akira, um longa-metragem de anime , é um dos grandes expoentes desta filosofia.Através deste filme é possível observar uma sociedade futurística em decadência com personagens marginalizados. Além disso, é notória uma forte influência de grandes corporações multinacionais sobre o destino da humanidade, tornando o governo uma mera instituição simbólica.Além de Akira, muitos animes também possuem uma influência cyberpunk, dentre eles temos: Ghost in the Shell,Desert Punk e etc.
No âmbito de livros e novelas cyberpunkNeuromancer ganha destaque. Este livro de ficção científica , escrito por William Gibson, é conhecido como uma das mais famosas novelas cyberpunkque já existiu e foi responsável por influenciar a criação da trilogia Matrix, umas das principais obras de ficção científica contemporânea do cinema.
Na esfera dos games, Megami Tensei,Syndicate, Final Fantasy VII, Bynary Domain e muitos outros jogos apresentam características cyberpunk. Deus Ex é um grande exemplo destes.Através deste jogo é possível observar muitas características cyberpunk, dentre elas: Refúgios subterrâneos,cidades escuras,prostituição explícita e exagerada,utilização de implantes cibernéticos (que dá origem também ao movimento biopunk) e muito armamento bélico.
Games com características cyberpunks
Em alguns aspectos(não todos), especialistas de sub-gêneros da ficção científica dizem que o cyberpunk está morto.O motivo desta afirmação é que vivemos o cyberpunk hoje – daí o surgimento da expressão ‘nowpunk‘.Por este motivo muitos escritores desta vertente estão migrando para outros gêneros como a fantasia urbana e dark fantasy, utilizando como pretexto o fato que algumas ciências já estão se tornando desestimulantes e monótonas.
Antes de partir para os próximos sub-gêneros da ficção científica, é importante ressaltar que muitos sub-gêneros são derivados do movimento cyberpunk, e desta maneira, as vezes, acabam por se confundir.Porém, apresentam peculiaridades importantes que diferenciam um pouco da vertente “mãe” e por isso são classificados separadamente.

Assim como o cyberpunk, o sub-gênero pós-cyberpunk apresenta as mesmas características principais do seu antecessor, porém, a diferença primordial é em relação na personalidade/atitude dos protagonistas. Na filosofia pós-cyberpunk, os personagens atuam para melhorar as condições sociais e defender a união harmônica com a tecnologia.
Diferentemente do movimento cyberpunk, que geralmente o hacker é visto como um herói solitário e alienado pela tecnologia, no sub-gênero pós-cyberpunk, os personagens  possuem uma personalidade desalienada e mais envolvida com a sociedade, defendendo a tecnologia de maneira mais harmônica. Além disso, a tecnocracia ganha um enfoque principal, no qual baseia-se em uma alternativa de governar uma nação baseada na ciência, assim, em vez de diplomatas corruptos, os governantes e controladores de todas as decições seriam cientistas,engenheiros e profissionais da tecnologia.
Através do artigo “Notes toward a postcyberpunk manifesto” escrito por Lawrence Person, temos algumas definições importantes para o entendimento da cultura pós-cyberpunk.
"Cyberpunk tended to be cold, detached and alienated. Postcyberpunk tends to be warm, involved, and connected.(…) Cyberpunk tended toward the grim, while postcyberpunk is frequently quite funny"
Ou seja, cyberpunk é frio, sombrio e alienado, enquanto que pós-cyberpunk tende a ser quente, envolvente, conectado e até as vezes engraçado.
"Cyberpunk characters frequently seek to topple or exploit corrupt social orders. Postcyberpunk characters tend to seek ways to live in, or even strengthen, an existing social order, or help construct a better one. In cyberpunk, technology facilitates alienation from society. In postcyberpunk, technology is society. Technology is what the characters breathe, eat, and live in."
Personagens da cultura cyberpunk procuram derrubar ordens sociais corruptas, enquanto o personagem pós-cyberpunk tende a procurar uma melhor forma pra se viver e ajuda a construir uma melhor ordem social. E como foi escrito anteriormente, a tecnologia aliena o personagem cyberpunk, porém, é vista como a própria sociedade na visão do homem pós-cyberpunk.
Biopunk é outra vertente da narrativa científica derivada do cyberpunk. Neste novo subgênero, o epicentro não é mais na tecnologia da informação e sim na biologia. Agora, em vez de implantes tecnológicos, temos a figura da engenharia genética e biologia sintética, isto é, uma área da biologia que se une a engenharia para projetar e construir novas funções e sistemas biológicos.
As megacorporações poderosas ainda estão presentes, mas dessa vez utilizam a genética/biotecnologia para controle massivo social e obtenção de lucro. Estas corporações incentivam pesquisas e projetos secretos de alteração de código genético, até criação de vírus/vacinas.Através da engenharia genética, são criados seres do submundo que podem até apresentar e desenvolver habilidade psíquicas, como no caso do personagem Tetsuo da animação Akira.

Basicamente o movimento biopunk, conta o lado obscuro da revolução biotecnológica com um plano de fundo inundado de governos totalitários e corporações que usam com exagero esta ciência para fins próprios.




Steampunk é outra vertente narrativa muito presente no universo nerd/geek. Assim como muitos sub-gêneros, o steampunk também foi derivado do cyberpunkporém, trata-se de uma obra ambientada no passadono qual todo avanço tecnológico moderno ocorreu mais cedo utilizando os recursos da época. Isto é, toda tecnologia que temos hoje, é possível existir no passado utilizando os recursos disponíveis daquela época, por exemplo: Computadores/Notebooks de madeira, aviões movido a vapor, próteses mecânicas com engrenagens e etc.
De maneira mais completa, o steampunk refere-se a uma obra anacrotecnológica retroprojetada do futuro a uma era vitoriana(1837-1901), i.e, a Era do Vapor.
Objetos e conceitos do universo steampunk
A presença de engrenagens e vapores é essencial pra poder sustentar todo essa tecnologia da época. Ademais, o termo “steam” de steampunk, refere-se a palavra “vapor” em inglês.Além disso, a presença de viagens em trilhos de trens e edificações sustentadas por zeppelins são comuns neste universo. É possível perceber que esta “tecnologia” baseada em engrenagens e vapores avançou patamares impossíveis e impraticáveis, por esse fato que steampunk é primariamente uma ficção.
A mesma atitude ‘punkista'(exagerada) de cyberpunk ainda persiste, porém, o steampunk é visto de maneira menos distópica do que o cyberpunk.
A origem deste movimento surgiu com as obras de Julio Verne,H.G. Wells  e Mary Shelley no século XIX. Julio Verne dispensa comentários, o cara é um grande gênio e visionário da época e conseguiu idealizar e popularizar invenções incabíveis de se pensar no tempo em que vivia. Já H.G. Wells contribuiu com a máquina do tempo baseada em engrenagens e vapores e Mary Shelley é a mãe da novela “Frankenstein”  no qual através de uma máquina com motores à vapor,aparelhos mecânicos e um pouco de fantasia surgiu o monstro que todos nós já conhecemos.
Algo muito comum de se acontecer é confundir steampunk com retrofuturismo.Na prática não pode ser estabelecida uma fronteira definida e precisa entre as duas vertentes, porém, é possível notar que, na realidade, o steampunk é apenas uma tendência do retrofuturismo. Quando eu for dissertar um pouco sobre esta vertente eu esclareço melhor esta distinção.
Este sub-gênero se tornou muito popular com  o gênio e artista Hayao Miyazaki do Studio Ghibli. Principalmente em suas animações “Laputa: Castle in the Sky” e “O Castelo Animado”, em que é possível verificar presença de navios de guerra com design steampunk, castelos voando o céu movido a vapor e engrenagens e etc.
Influência steampunk nas obras de Miyazaki.
Além destas animações, muitos outros animes também apresentam características steampunks. Dentre eles estão: Fullmetal Alchimist, Steamboy, D.Gray-man,Future Boy Conan,Last Exile e etc.
Animes com características steampunks
O mundo dos games também é inundado de influência steampunk. Games como Bioshock Infinite,Dishonored,Machinarium e inúmeros outros possuem em sua composição o universo movido a engrenagens e vapores.
A Kotaku fez um TOP dos melhores jogos steampunks já lançados, não deixe de conferir a lista! Clique aqui!
É importante ressaltar que, diferentemente do universo cyberpunk, o enredo das obras steampunks não necessariamente estão ligados com o universo em questão. Muitas vezes possuem um enredo próprio, mas em geral, apresentam influências noir (associado a temática policial, que retrata seus personagens principais num mundo cínico e antipático) e presença de sociedades secretas,teoria da conspiração e elementos da fantasia.
Aqui no Brasil, existe o “Conselho Steampunk“, uma organização que está presente em 13 estados brasileiros e tem como objetivo divulgar, explicar, homenagear e produzir cultura steampunk. O trabalho deles é muito bom, não deixa de conferir!


Chegou a hora de definir certos pontos e esclarecer um pouco mais sobre a fronteira que existe entre o retrofuturismo e o steampunk, que as vezes acabam por se confundir.
Antes de tudo, é importante salientar que o retrofuturismo antes de fazer parte da ficção científica, era uma vertente artística pré-contemporânea, no qual baseava-se na visão das pessoas do passado de como seria o futuro.Existia assim, um choque de realidade, porque mesmo imaginando uma tecnologia futurística, estes pensadores acabavam presos nos paradigmas da sua época, criando o que podemos dizer de um “futuro retrô“.
Nos alienantes anos 50, o retrofuturismo se fortaleceu. E foi justamente nesse momento que o game Fallout se sustenta. O game fundamenta-se na visão das pessoas dos anos 50 de como seria o futuro, criando temas de tensão entre o passado e o futuro.Resumidamente, o game baseia-se em uma linha paralela pós-apocalíptica da história dos Estados Unidos, onde a “Era Atômica” chegou mais cedo do que em nosso tempo, gerando uma mistura de alta tecnologia e da cultura pós-guerra dos anos 50 na américa.
Na esfera das HQ’s o que mais se aproxima ao universo retrofuturista é o universo de Watchman, por mais que tenha alguns elementos dieselpunks.

Dieselpunk é primo do steampunk. Assim como  este era movido por vapor, o dieselpunk é movido a diesel,gasolina ou qualquer outro tipo de combustível, além do mais é conhecido como sucessor cronológico de seu primo.Os veículos movidos a esses combustíveis são capazes de chegarem aos céus e grandes e agressivas indústrias são movimentadas.Assim como o steampunk remete a Era Vitoriana, o dieselpunk é relacionado ao período histórico de 1920-1950(período entre o final da Primeira Guerra Mundial e 1950 – englobando portanto, acontecimento referentes a Segunda Guerra Mundial)
Dieselpunk também é conhecido como decopunk, referindo a Art Déco, um movimento popular internacional de design no qual mesclava vários estilos incluindo o modernismo,futurismo ecubismo.Porém, o dieselpunk interpreta e pratica a Art Déco de uma maneira mais pessimista e decadente.
O enredo do dieselpunk é mais alienante e depressivo que  do steampunk, ganhando temáticas como exploração de petróleo e estados de guerra – principalmente pelo fato do dieselpunk estar relacionado a um período histórico de guerras.
Um dos ícones da cultura dieselpunk é com certeza a HQ The Rocketeer de Dave Stevens, no qual o super-herói Rocketeer surge quando o protagonista Cliff Secord descobre um misterioso jet-pack capaz de fazê-lo voar.
The Rocketeer, uma HQ de 1928 com características dieselpunk
No universo cinematográfico, outra obra com características dieselpunk é o filme Sky Captain and the World of Tomorrow (Capitão Sky e o Mundo de Amanhã) 
Agora, no mundo dos games, um jogo que apresenta algumas características dieselpunksé Resonance of Fate, um JRPG da Tri-Ace pra PS3/x360, no qual se estabelece em um universo comandado por máquinas,engrenagens e gasolina. Porém, o game também flerta um pouco com a cultura steampunk.Mesma história com Valkyria Chronicles, que acaba flertando com esses dois sub-gêneros da ficção científica.
Resonance of Fate (PS3/X360)
Como é possível perceber, um game em específico pode ter influência de vários sub-gêneros da ficção científica.O importante é você entender a definição de cada um deles e tirar suas próprias conclusões.

Space Opera é também um  sub-gênero da ficção científica,por mais que existem correntes que dizem que a Space Opera é fantasia e não ficção-científica, principalmente por violar leis da física e da ciência, como “viagens-mais-rápidas-que-a-luz”, “explosões com barulho no espaço”, alienígenas falando inglês, e outros exageros.
A Space Opera é um gênero que flerta muito com a fantasia, principalmente por envolver planetas e personagens exóticos e outras dimensões. Um ponto interessante a frisar  é que pra entender a Space Opera de maneira mais completa, é importante desassociar o tempo e o espaço da ficção com o da história da humanidade. Não necessariamente a Space Opera ocorre no futuro da humanidade, ela pode estar inteiramente atrelada com uma dimensão alternativa, vivendo um espaço/tempo completamente diferente do nosso.
Além disso, como o universo Space Opera envolve também a viagens para diferentes planetas do universo, será possível verificar a distinção de evolução tecnológica entre os diferentes planetas.Será perfeitamente normal visitar um planeta super evoluído tecnologicamente(fazendo jus a ficção científica), como também será possível conhecer planetas atrasados neste sentido, possibilitando assim diversos cenários ao longo da história.Além diso, a presença de armas de energia é frequente. As famosas armas laser e plasma são inerentes na maioria das aventuras de Space Opera.

Este sub-genêro é bem focado em aventuras românticas e cenários épicos, muito comum em Star TrekBattlestar Galactica e Starwars.
Exemplos de seriados “Space Opera”


Se a Space Opera não leva o científico muito a sério, o “hard sci-fi“(Ficção Científica Hard), é caracterizado pela alta precisão científica. A ficção científica “hard” é constituída de um altíssimo grau de racionalidade, em detrimento do supra realismo corriqueiro de alguns sub-gêneros da ficção.
Agora, não há naves mais rápidas que a luz e o som não se propaga no vácuo. Os humanos e os alienígenas não são encarados como são pela Space Opera. Os personagens principais são cientistas,engenheiros e astronautas, porém, o desenvolvimentos dos mesmos é considerado fraco.
Um grande exemplo desse estilo é sucesso 2001 uma odisseia no espaço, um livro/filme cheio de conceitos científicos, que se você assistir provavelmente não vai entender de primeira. O filme se tornou um clássico Cult acalmadíssimo e não temo a dizer que é o maior clássico do cinema e o melhor filme de ficção científica da história. O longa também se tornou um marco, por ser o primeiro filme a retratar o espaço como ele realmente é, silencioso, entendiante, escuro e vasto. A proporção fotográfica e a ausência gravitacional é o maior ponto do longa que trata a evolução humana como o maior evento da humanidade.   
Hard sci-fi é considerado um gênero de difícil escrita e pouco explorado aqui no Brasil, com excessão de Calife, um jornalista,escritor e tradutor brasileiro de ficção científica. Para se escrever ou até mesmo falar sobre essa derivação é preciso ter no mínimo um conhecimento científico. 
Um dos principais escritores de hard sci-fi é Arthur C. Clarke, criador de “2001: Uma Odisséia no Espaço”

Este um novo sub-gênero que tem ganhado força na ficção científica e vai contra o ponto de partida de todos os outros, a sua base não é a distopia, mas sim a utopia. A vida harmônica num futuro onde a natureza e preservação do meio ambiente é mais importante contrastando com prédios, em uma paleta clara e alva, num degradê de cores que vão do verde para o amarelo dando um aspecto celestial num todo. O Solarpunk é uma dinâmica apreciação da tecnologia sustentável e do reversão do aquecimento solar e degradação das condições da terra para um futuro utópico e promissor, onde a tecnologia e natureza andam de mãos dadas. 

O Movimento é uma reação ao pessimismo percebível da ficção científica atual. Foi em 2017 que esse sub-gênero começou a ganhar mais força. Aqui, se prevê histórias num futuro avançado onde a energia renovável é o que move a sociedade, como a energia eólica e energia solar, onde a discriminação racial e sexual não existe, é bem limitada. 

O Livro mais recente do Kim Stanley Robison New York 2140   narra uma New York inundada pelas consequências dos efeitos climáticos atuais, porém, as pessoas seguem vivendo por lá, por causa das energias renováveis e tecnologia sustentável. 




Estética do imaginário Solarpunk



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