­

Como os molúsculos formam sua concha?

15:02


Os moluscos são animais invertebrados (sem espinha dorsal) que têm como característica o corpo mole – molluscus, em latim, quer dizer exatamente “mole”. A maioria deles é dotada de uma concha de origem calcária formada a partir de uma espécie de pele que reveste o corpo desses animais, chamada manto ou pálio. “A concha protege o animal e também funciona como esqueleto, dando sustentação aos músculos do corpo para a movimentação. Ela aparece imediatamente após o nascimento da fase larval. A larva, freqüentemente menor que 1 milímetro de diâmetro, forma uma concha protetora chamada protoconcha”, afirma o biólogo Osmar Domaneschi, da USP, especialista em moluscos. A fase larval geralmente tem duração breve, de horas ou dias, dependendo da espécie.
Daí o animal passa para a chamada fase juvenil, na qual já parece com um indivíduo adulto, com a diferença de que ainda não está sexualmente maduro. “O molusco juvenil continua secretando substâncias que constituem a concha, aumentando-a a partir da protoconcha larval até formar a concha definitiva”, diz Osmar.
Tripla proteção
A armadura desses seres é formada por três camadas
1. Nessa espécie de pele dos moluscos, chamada manto, são secretadas as substâncias que irão formar as camadas da concha: carbonato de cálcio (extraído da água do mar e dos alimentos), aminoácidos e proteínas (ambos produzidos pelo próprio organismo do animal)
2. Em contato com o manto fica a primeira camada da concha, a lamelar, formada por carbonato de cálcio, cristalizado em forma de lâminas. Sua espessura aumenta continuamente conforme o molusco cresce, por isso é a única camada que pode ser reparada pelo animal
3. A camada intermediária, prismática, também tem cristais de carbonato de cálcio, mas em forma de prismas. Ela é produzida somente durante o crescimento da concha. Por isso, se uma parte da camada se danificar, não pode mais ser recuperada
4. A parte mais externa, o perióstraco, é constituída por aminoácidos e proteínas. Essa camada protege as demais contra o desgaste por abrasão ou por substâncias ácidas do ambiente. Também não é regenerável.

Como a ostra produz a pérola?

A pérola é o resultado de uma reação natural do molusco contra invasores externos, como certos parasitas que procuram reproduzir-se em seu interior. Para isso, esses organismos perfuram a concha e se alojam no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra. 
Ao defender-se do intruso, ela o ataca com uma substância segregada pelo manto, chamada nácar ou madrepérola, composta de 90% de um material calcário – a aragonita (CaCO3) -, 6% de material orgânico (conqueolina, o principal componente da parte externa da concha) e 4% de água. 
Depositada sobre o invasor em camadas concêntricas, essa substância cristaliza-se rapidamente, isolando o perigo e formando uma pequena bolota rígida. As pérolas perfeitamente esféricas só se formam quando o parasita é totalmente recoberto pelo manto, o que faz com que a secreção de nácar seja distribuída de maneira uniforme. “Mas o mais comum é a pérola ficar grudada na concha, como uma espécie de verruga.
 Por isso, as esféricas são tão valiosas”, diz o biólogo Luís Ricardo Simone, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). O tempo médio de maturação de uma pérola é de três anos.
Como a ostra já se defende muito bem de invasores com sua concha, o fenômeno é raro, acontecendo, na natureza, em apenas um em cada 10 000 animais. No início do século XX, os japoneses inventaram uma forma simples de acelerar o processo, introduzindo na ostra uma pequena bola de madrepérola, retirada de uma concha, com cerca de três quartos do tamanho final desejado.
O resultado é tão bom que, mesmo para um especialista, é difícil distinguir a pérola natural da cultivada. Substâncias presentes na água também podem ser incorporadas à pérola, por isso sua cor varia de acordo com o ambiente, gerando as mais diversas tonalidades. A pérola é a única gema de origem animal.
Até o século XVII, não existia tecnologia para polir pedras preciosas como rubis e esmeraldas, por isso as pérolas eram um dos maiores símbolos de riqueza e poder, usadas como adorno nas mais valiosas jóias da época.
A cor da pérola varia conforme as condições ambientais e a saúde da ostra: as mais comuns são rosa, creme, branca, cinza e preta
As formas da pérola dependem do formato do invasor e do local onde ele se instala. As esféricas são as mais raras e, conseqüentemente, mais valiosas.
Cerco aos penetras
Organismos que invadem a concha iniciam o processo de formação da pérola

1. Depois de perfurar a concha, o parasita invasor entra em contato com o manto – tecido de defesa da ostra – e causa uma irritação no interior do molusco

2. O manto imediatamente parte para a reação defensiva, dobrando-se sobre o parasita de forma a deixá-lo completamente isolado
3. A defesa se completa com a secreção do nácar, ou madrepérola, a mesma substância que produz a concha. Ela é depositada sobre o invasor, formando uma camada protetora
4. Mesmo depois de isolada a fonte do incômodo, a pérola continua crescendo, pois a ostra não pára de secretar o nácar

You Might Also Like

Mais Lidas

Postagem em destaque

porque você precisa ver Liv Ullman em tela pra ontem

Liv começou sua carreira no teatro com alguns bons personagens em ótimas peças e não demorou pra que Ingmar Bergman, um dos diretores de cin...

Posts mais vistos