Como os molúsculos formam sua concha?

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Os moluscos são animais invertebrados (sem espinha dorsal) que têm como característica o corpo mole – molluscus, em latim, quer dizer exatamente “mole”. A maioria deles é dotada de uma concha de origem calcária formada a partir de uma espécie de pele que reveste o corpo desses animais, chamada manto ou pálio. “A concha protege o animal e também funciona como esqueleto, dando sustentação aos músculos do corpo para a movimentação. Ela aparece imediatamente após o nascimento da fase larval. A larva, freqüentemente menor que 1 milímetro de diâmetro, forma uma concha protetora chamada protoconcha”, afirma o biólogo Osmar Domaneschi, da USP, especialista em moluscos. A fase larval geralmente tem duração breve, de horas ou dias, dependendo da espécie.
Daí o animal passa para a chamada fase juvenil, na qual já parece com um indivíduo adulto, com a diferença de que ainda não está sexualmente maduro. “O molusco juvenil continua secretando substâncias que constituem a concha, aumentando-a a partir da protoconcha larval até formar a concha definitiva”, diz Osmar.
Tripla proteção
A armadura desses seres é formada por três camadas
1. Nessa espécie de pele dos moluscos, chamada manto, são secretadas as substâncias que irão formar as camadas da concha: carbonato de cálcio (extraído da água do mar e dos alimentos), aminoácidos e proteínas (ambos produzidos pelo próprio organismo do animal)
2. Em contato com o manto fica a primeira camada da concha, a lamelar, formada por carbonato de cálcio, cristalizado em forma de lâminas. Sua espessura aumenta continuamente conforme o molusco cresce, por isso é a única camada que pode ser reparada pelo animal
3. A camada intermediária, prismática, também tem cristais de carbonato de cálcio, mas em forma de prismas. Ela é produzida somente durante o crescimento da concha. Por isso, se uma parte da camada se danificar, não pode mais ser recuperada
4. A parte mais externa, o perióstraco, é constituída por aminoácidos e proteínas. Essa camada protege as demais contra o desgaste por abrasão ou por substâncias ácidas do ambiente. Também não é regenerável.

Como a ostra produz a pérola?

A pérola é o resultado de uma reação natural do molusco contra invasores externos, como certos parasitas que procuram reproduzir-se em seu interior. Para isso, esses organismos perfuram a concha e se alojam no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra. 
Ao defender-se do intruso, ela o ataca com uma substância segregada pelo manto, chamada nácar ou madrepérola, composta de 90% de um material calcário – a aragonita (CaCO3) -, 6% de material orgânico (conqueolina, o principal componente da parte externa da concha) e 4% de água. 
Depositada sobre o invasor em camadas concêntricas, essa substância cristaliza-se rapidamente, isolando o perigo e formando uma pequena bolota rígida. As pérolas perfeitamente esféricas só se formam quando o parasita é totalmente recoberto pelo manto, o que faz com que a secreção de nácar seja distribuída de maneira uniforme. “Mas o mais comum é a pérola ficar grudada na concha, como uma espécie de verruga.
 Por isso, as esféricas são tão valiosas”, diz o biólogo Luís Ricardo Simone, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). O tempo médio de maturação de uma pérola é de três anos.
Como a ostra já se defende muito bem de invasores com sua concha, o fenômeno é raro, acontecendo, na natureza, em apenas um em cada 10 000 animais. No início do século XX, os japoneses inventaram uma forma simples de acelerar o processo, introduzindo na ostra uma pequena bola de madrepérola, retirada de uma concha, com cerca de três quartos do tamanho final desejado.
O resultado é tão bom que, mesmo para um especialista, é difícil distinguir a pérola natural da cultivada. Substâncias presentes na água também podem ser incorporadas à pérola, por isso sua cor varia de acordo com o ambiente, gerando as mais diversas tonalidades. A pérola é a única gema de origem animal.
Até o século XVII, não existia tecnologia para polir pedras preciosas como rubis e esmeraldas, por isso as pérolas eram um dos maiores símbolos de riqueza e poder, usadas como adorno nas mais valiosas jóias da época.
A cor da pérola varia conforme as condições ambientais e a saúde da ostra: as mais comuns são rosa, creme, branca, cinza e preta
As formas da pérola dependem do formato do invasor e do local onde ele se instala. As esféricas são as mais raras e, conseqüentemente, mais valiosas.
Cerco aos penetras
Organismos que invadem a concha iniciam o processo de formação da pérola

1. Depois de perfurar a concha, o parasita invasor entra em contato com o manto – tecido de defesa da ostra – e causa uma irritação no interior do molusco

2. O manto imediatamente parte para a reação defensiva, dobrando-se sobre o parasita de forma a deixá-lo completamente isolado
3. A defesa se completa com a secreção do nácar, ou madrepérola, a mesma substância que produz a concha. Ela é depositada sobre o invasor, formando uma camada protetora
4. Mesmo depois de isolada a fonte do incômodo, a pérola continua crescendo, pois a ostra não pára de secretar o nácar

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