Por que os ruivos foram perseguidos ao longo da história?

18:07

Embora a associação do cabelo vermelho à ideia de perigo tenha ocorrido já no Egito antigo, a coisa ficou feia entre a Baixa Idade Média e o século 17



Em geral, por preconceito ou implicância. Embora a associação do cabelo vermelho à ideia de perigo tenha ocorrido já no Egito antigo, a coisa ficou feia entre a Baixa Idade Média (a partir do século 11) e o século 17. Nessa época, a retratação de Judas como ruivo em pinturas ajudou a espalhar o preconceito. Além disso, a partir do século 15, mulheres com “cabelos de fogo” passaram a ser caçadas pela Inquisição e o preconceito virou terror. Outra possível razão para a perseguição é a raridade: estima-se que entre apenas 1 e 2% da população mundial seja ruiva (o “gene ruivo”, chamado de melanocortina-1, tem cinco variações, mas é raro por ser recessivo). A maioria deles se concentra na Europa, principalmente na Escócia, onde são 13% da população.
INVASÃO VERMELHA
Relembre os principais casos de discriminação contra os sardentos.

DIVINA DESGRAÇA
Seth, deus do Egito antigo, não era originalmente maligno: ele passou a ser retratado assim após a invasão de povos como os persas. Foi então associado ao deserto vermelho, às tempestades e à destruição – coisas que os egípcios temiam. Por consequência, homens ruivos como ele passaram a ser odiados e sacrificados – muitos morreram como oferenda na Tumba de Osíris.O preconceito contra ruivos no Egito era tanto que eles eram complexados a ponto de ter vergonha de puxar conversa com os outros.

(NÃO OUÇA) O QUE A RAPOSA DIZ
Os gregos achavam que um monte de gente podia virar vampiro: suicidas, excomungados, pessoas que comiam a carne de uma ovelha morta por um lobo e, claro, ruivos. Por isso, o cabelo nesse tom era visto com desconfiança. O filósofo Aristóteles chegou a dizer que, enquanto loiros eram bravos como os leões, ruivos eram de mau caráter como as raposas.

MANDA PRA FOGUEIRA!
Durante a Inquisição, nos séculos 15, 16 e 17, as ruivas passaram um mau bocado. A cor, associada ao mal, levou a Igreja Católica a persegui-las e condená-las como bruxas. Muitas foram à fogueira. Também acreditava-se que a gordura dos ruivos era um ingrediente potente para fazer veneno – prática citada em peças como The Witch, de Thomas Middleton.

A ORIGEM DO MAL
Lilith é uma deusa presente em várias crenças: para os sumérios e mesopotâmios, por exemplo, representava a fertilidade. Na mitologia judaico-cristã, porém, ela perde esse caráter divino, tornando-se um súcubo, espécie de demônio, e passa a ser retratada ruiva. Segundo a Cabala, Lilith é a serpente que ofereceu a Adão a maçã do pecado.Além de Lilith e Judas, outras figuras bíblicas retratadas como ruivas foram Caim (que matou o irmão Abel) e Maria Madalena.

ASSIM FICA DIFÍCIL
Na Índia, entre 1500 e 500 a.C., os homens eram estritamente proibidos de casar com mulheres ruivas. Não era a única restrição: também estavam vetadas moças com membros deformados, as que falavam muito, as que tinham “olhos inflamados” e as que possuíam nomes de constelações, rios, nações bárbaras, criaturas aladas ou qualquer outra coisa que suscitasse uma “imagem de terror”.

COR DA CRIADAGEM
Depois que os romanos invadiram e conquistaram os citas, um antigo povo da Trácia, passaram a considerar os trácios como escravos. Como estes eram ruivos, o cabelo vermelho virou uma característica inferiorizada, coisa de gente preguiçosa. Atores romanos usavam peruca nesse tom para interpretá-los em peças e representar sua servidão.

RAINHA REDENTORA
Até Shakespeare falou mal: na peça Como Gostais, o ruivo é apontado como a “cor da dissimulação” e do cabelo de Judas. Mas foi nessa época que, após séculos associado ao mal, o vermelho conseguiu finalmente melhorar sua imagem. No século 17, a ruivíssima rainha Elizabeth I assumiu o trono inglês e ganhou a simpatia do povo – seus longos cabelos avermelhados viraram moda.

FONTES Livros Encyclopedia of Hair: A Cultural History, de Victoria Sherrow, The Invention of Greek Ethnography: From Homer to Herodotu, de Joseph E. Skinner, Racism: A Global Reader, vários autores, Encyclopedia of Superstitions, Folklore, and the Occult Sciences of the World, de Cora Linn Daniels e C. M. Stevans, Gods and Myths of Ancient Egypt, de Robert A. Armour, Dracula in the Dark: The Dracula Film Adaptations, de James Craig Holte, The History of India from the Earliest Ages, de James Talboys Wheeler, Lucifer: The Devil in the Middle Ages, de Jeffrey Burton Russell, e sites The Independent e Everything for Redheads, Mundo Estranho

You Might Also Like

0 comentários

Mais Lidas

Postagem em destaque

E Se Prety Little Liars Fosse Brasileira? (Versão Globo)

Já fizemos esse post aqui, porém no modo SBT (isso é, usando atores jovens do SBT) agora vamos fazer usando os da Globo.inc. Você já pensou...

Posts mais vistos